Capítulo 21- Sua Dama, Encantadora.

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O dia amanheceu e Clara estava em total animação, abriu o guarda roupa e escolheu o vestido azul com bordados preto, Calebe havia feito justamente para ela usar no ano novo, mas Clara preferiu guardar a roupa para essa ocasião especial.

Saiu de seu quarto logo cedo, caminhava apressadamente até o final do corredor, deu três batidinhas na porta, Peter abriu o cômodo com uma expressão de total desânimo, Clara por sua vez o abraçou fortemente, se afastou um pouco e pousou um beijo na bochecha do moreno.

- Não esperava a senhora com toda essa animação logo pela manhã.- disse ele com a voz rouca.

- Fala como se não soubesse do próprio aniversário.- disse ela entrando dentro do quarto.

- E o que pretende me dar de presente?- disse ele com um olhar malicioso.

Adivinhando as intenções de Peter, ela o lembrou:

- Peter Kalte Nacht, sou casada.

Peter deu de ombros.

- Eu sei, mas tentar não dói.

- Só pensa nisso?- pergunta ela já sabendo a resposta.

- Eu sou a Luxúria, seria estranho se eu pensasse outra coisa.

Clara balança a cabeça rindo, se dirige para o guarda roupa do rapaz, puxa de dentro um paletó preto e um colete azul, entrega para Peter e o manda vestir. Ele sai do banheiro e Clara o puxa pela mansão, no salão de festas Calebe já esperava pela irmã, ele sequer teve a oportunidade de dormir já que Clara o perturbou a noite inteira.

- Então era para essa ocasião especial que estava guardando o vestido que lhe dei? - pergunta o loiro com os braços cruzados sobre o peito.

Peter olhou para Clara com o rosto repleto de surpresa, seu olhar era meigo enquanto ele pegou as mãos dela delicadamente a fazendo girar pelo salão.

- Ela está linda, não está?- elogiou Peter.

- Está mesmo.- concordou Calebe sorrindo largamente.

Peter dispara um olhar animado para Calebe, olha novamente no rosto de Clara e diz:

- Calebe, como hoje sou o aniversariante posso lhe fazer um pedido?

- Se for apenas um.- respondeu o rapaz contragosto.

- Toque para mim... Ah, minha nossa como eu pude esquecer! - disse ele tentando ao máximo lembrar o nome da canção-É aquela lá, Calebe me dá um ré menor.

Calebe caminha até o piano resmungando, se senta, toca a tecla com delicadeza. Peter por sua vez trouxe Clara para o meio do salão, olhando profundamente em seus olhos começou a cantar:

- Nosso encontro foi sem sabor, como um sonho sem cor, você e eu vivendo um sonho que eu não consigo ver...

Ela animada continua:

- Mas há o calor que vem desse momento, não me lembro de quando fiquei assim, me fazem voltar no tempo, seus lábios tomando conta de mim.

Um pouco emocionado o moreno continua cantando.

- E ainda assim a seguirei, buscando uma forma a te querer, que o nosso amor mantenha o brilho em seu olhar e não vai mais se apagar...

- E se eu puder te abraçar toda a escuridão vai se afastar, quando a noite cai, o sonho não torna o real, espero um novo amanhecer.- Clara canta docemente.

Peter a pega nos braços e a gira, completando a música com o último verso.

- Um doce sabor, sinto o calor de um beijo apaixonado, e então viveremos, juntos estaremos, sob a luz do luar.

Depois que a música acaba, Peter já se encontrava repleto de alegria, Clara também estava contente, surpreso o mordomo pergunta:

- Não imaginei que lembraria.

- Como eu poderia esquecer, você cantava pra mim toda noite enquanto eu ainda estava presa no livro.- disse ela deixando um leve rubor tomar conta de seu rosto enquanto lembrava daquelas noites.

Calebe olhava para os dois com curiosidade, se perguntava como tudo aquilo havia chegado aquele ponto, ela já estava casada, por que ainda agia como se não estivesse? Será que ainda sentia algo por Peter? Bom se ele analisasse aquela situação ele não teria dúvidas de que a resposta era sim, mas, se considerar os eventos anteriores a resposta não estava tão nítida como ele esperava. Aquilo era algo que a própria Clara, e somente ela poderia responder, pensando nisso, na primeira oportunidade o loiro não perdeu tempo, foi direto ao assunto e exigiu uma resposta transparente e verdadeira.

Clara respirou fundo, buscando em seu coração seus sentimentos, queria ser totalmente verdadeira com ele.

- Calebe meu irmão, eu tenho algo para lhe contar antes de te dizer meus reais sentimentos por ambos os mordomos.- começou ela.

Calebe se sentou na cama preocupadíssimo com o rumo que a conversa estava tomando. Clara continuou:

- Eu tenho um sonho, eu quero muito ser mãe, esse desejo vem se arrastando há algumas décadas pois esperava uma resposta positiva de Peter.

- Então sua intenção era casar com ele?- perguntou Calebe.

Clara não pareceu se importar com a pergunta repentina.

- Inicialmente sim, mas a cada vez que eu perguntava ele dizia que não queria ou que poderia esperar, não importava quanto tempo se passasse no intervalo de uma pergunta a outra, a resposta não mudava. Até que encontrei Sebastian, eu não sinto por ele o mesmo amor que sinto por Peter, porém, diferente de Peter ele aceitou com maior alegria a responsabilidade de ser pai.- explicou Clara.

Calebe ainda estava confuso.

- Não acho que apenas isso a levaria descartar totalmente Peter, algo mais aconteceu?

Clara respira fundo e solta a notícia de uma vez só:

- Calebe eu estou grávida.

- Quantos meses?- disse ele animado e surpreso a mesmo tempo.

Clara ergue a manga do vestido, em seu pulso havia uma pequena marca em formato de relógio, o ponteiro marcava 2:00, o que significava dois meses.

- Então, Sebastian vai ser pai?- pergunta Calebe.

- Se esqueceu que há dois meses atrás além de Sebastian eu também passei a noite com Peter.- explica ela.

- Ah, agora faz sentido, você não sabe quem é o pai, portanto escolheu aquele que aceitaria melhor o bebê, uma escolha sábia, mas não sei se está correta.- reproduziu ele apenas para ver se havia entendido corretamente.

Clara acariciou a própria barriga sorrindo de orelha a orelha.

- Eu quero o melhor para essa criança, não importa quem é o pai, mas sei que o meu marido cuidará bem desse pequeno.- respondeu ela.

Calebe tomou coragem e arriscou a pergunta:

- E se o filho não for de Sebastian?

- Com ou sem marido meu filho será abençoado com muito amor.- disse ela com a voz firme e determinada.

Calebe olhou para frente e soltou um grito animado.

- Ai caramba, eu vou ser tio!

- Se perguntarem, o bebê nasceu de 7 meses, compreendeu?- disse a morena.

- Sim!- respondeu ele a abraçando forte.

Por ElaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora