Noah me ligou pouco tempo depois de eu ter caído no sono, e embora eu tenha passado as últimas semanas — que ele não apareceu no colégio — me convencendo de que ele não gosta de mim, me pego sorrindo no segundo que escuto a voz dele.
— É muito tarde?
— Não, tudo bem. — Tento focar os meus olhos no despertador ao lado da cama, confirmando de que é muito tarde para mim, mas negando isso para Noah.
— Você estava dormindo.
— Quase. — Ponho o meu travesseiro na cabeceira da cama e encosto.
— Posso ir até sua casa? — Olho novamente o relógio, me perguntando se onde ele está, não tem um desses.
— Não é uma boa idéia. — Digo a ele, que fica calado por um longo tempo. — Para isso está bem tarde.
— Lamento não ter ficado com você durante o almoço. Eu saí logo depois da aula de inglês. — Finalmente diz.
— Tudo bem. — Resmungo, insegura de como reagir, uma vez que não somos um casal e ele não tem que me explicar nada.
— Tem certeza de que é muito tarde? — Ele pergunta com uma voz persuasiva. — Não levará muito tempo.
— Amanhã no colégio me parece um bom lugar. — Digo, sorrindo sozinha.
— Hum, e se eu te levar para o colégio amanhã? — Ele pergunta, quase me fazendo esquecer Natalie, Lillian, sua saída apressada, esquecer tudo.
— Ian e eu vamos juntos ao colégio. É melhor nos vermos lá. — Me obrigo a dizer, e antes que ele possa me convencer de outra forma, desligo o telefone e o coloco longe de mim.
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
Como eu dormi um pouco mais, cheguei atrasada com Ian no colégio, então todas as vagas no estacionamento estavam ocupadas. Exceto, a do lado do carro de Noah. Sério, destino?
— Como você fez isso? — Ian pergunta, saindo do meu minúsculo carro e olhando para Noah, como se ele fosse a pessoa mais incrível do mundo.
— Isso o quê? — Pergunta Noah, me olhando.
— Guardar essa vaga para ela. — Noah ri com a fala de Ian, olhando para mim. Mas eu apenas o cumprimento com um aceno de cabeça, como se fosse o meu carteiro, e não o garoto que estou obcecada desde o momento que o vi. - Enfim casal, o sinal já tocou tem anos.
Me encaminho direto para a sala andando rápido, e notando como Noah chegou mais rápido que eu sem esforço nenhum.
— Por que a pressa? — Ele se inclina para mim. — O professor ainda está em casa.
— Como? — Me viro. Como Noah pode saber que o sr. Eric continua em casa, com ressaca, sofrendo por sua esposa e filha que o deixou recentemente?
— Vi a professora substituta enquanto te esperava. — Ele ri. — Estava um pouco perdida, então eu a ajudei até a sala dos professores. Mas ela está tão confusa, que talvez chegue no auditório ao invés da nossa sala.
— Entendi. — Suspiro.
— Sério, desculpa não ter ficado na festa com você. Tive uma visita que não pude evitar. — Ele coloca mão sobre a minha.
— Se refere a Lillian? — E no momento que digo isso, me envergonho do quão detestável eu sou. Desejando ser mais natural e calma, mas isso é impossível para mim, estou mais perto de ser paranóica do que ingênua. — Tem visto a Maya? — Já que comecei, é melhor terminar. — Ela é uma cópia de Lillian. Se veste como ela, age como ela, e agora tem a mesma cor dos olhos dela. — Despejo nele como se fosse sua culpa.
— Emily, não é o que você pensa. — Ele balança a cabeça. — Vamos fazer algo hoje? Sei lá, ir a algum lugar especial.
— Vamos ver. — O encaro, me perguntando como deixei para trás tudo que eu estava falando.
✶⊶⊷⊶⊷❍⊶⊷⊶⊷✶
Quando saio da aula de história, no quinto período, Noah já está me esperando.
— Me deixe guardar a mochila. — Digo, achando que ele apenas está procurando uma companhia para o almoço.
— Não precisa. — Ele sorri. — A surpresa começa agora. Vou te levar para um lugar especial, tão especial, que você vai esquecer minhas faltas.
— E o que acontece com nossas aulas? Vamos simplesmente ignorar o resto do dia?
— Não se preocupe. Nada de ruim vai acontecer. — Ele diz, me pegando pela mão e me guiando até o carro.
Vote nesse capítulo caso queira me ajudar com a história e incentivar com ela.
VOCÊ ESTÁ LENDO
All for us
Mystery / ThrillerEmily, de 18 anos, sobreviveu a um acidente de carro que matou toda a sua família. Agora ela vive com sua tia na Carolina do Sul, sendo atormentada não só pela culpa de ter sido a única sobrevivente, mas também pela sua nova habilidade: ouvir os pen...