Capítulo trinta e nove: Adeus 1998, olá 1999

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  Em uma manhã bem fria, Hestia estava deitada em sua cama, usando uma camisola e máscara de olho. O rádio estava ligado, mas não prestou muita atenção no que dissera. A porta foi aberta por seu elfo-doméstico que trazia consigo uma bandeja com seu café da manhã. Não era comum comer com a família na mansão Carrow. Apenas em festividades. O criado pôs a bandeja na cama, abriu as cortinas com um estalar de dedos e se retirou silenciosamente. A morena retirou a máscara e se sentou para comer. Na bandeja havia uma tigela com frutas, suco, os talheres, o guardanapo e uma edição matinal do Profeta Diário.

Ficou a ler o jornal enquanto se alimentava de morangos. A primeira página relatava a difamação de Skeeter e seu chefe. Os descreveram com duas vítimas, é claro. Carrow ficou surpresa ao ver uma nova coluna acrescentada no jornal chamada Corredor da Discórdia, na quarta página. Leu atentamente cada palavra, chocada pela audácia do Profeta Diário. Largou o café da manhã e a cama. O robe levitou até seu corpo enquanto andava apressada ao quarto da irmã, em frente ao seu.

Flora dormia profundamente em sua cama. Hestia começou a remexê-la.

- Acorda, Flora! Acorde!

- O que é?

- Leia isso!

- Lê você! Eu quero dormir!

- Leia logo, Flora!

Flora retirou a máscara de olho e fez uma careta ao reparar que Hestia segurava o Profeta Diário.

- É sério que tu me acordou para ler essa merda? - Reclamou

- É importante! Estão falando de Astória!  

- Qual a novidade? Já fizeram isso.

- Dessa vez é mais sério. Skeeter fez uma coluna só falando dela. Saca só!

Hestia começou a ler em voz alta o que Skeeter tinha escrito.

"CORREDOR DA DISCÓRIDA

Para deixar claro, esta nova coluna não são para jovens desocupados. E sim para os pais preocupados com a educação e influência de seus filhos. O que irão acompanhar nesta leitura são a vida de grandes figuras de Hogwarts. E para evitar atormentos, os mencionados terão codinomes invés dos nomes reais. Se descobrirem a real identidade, não há nada que posso fazer

Não tive que pensar muito para escolher a primeira de quem vou falar. Ao me ver, ela foi quem teve o melhor desenvolvimento. A chamaremos de Rainha Naja. Rainha porque é autoritária e respeitada. E Naja porque sabe ser perigosa e ardilosa. Só os mais valentes (e burros) tiveram a audácia de enfrentá-la e nenhum sobreviveu para contar a história.

É evidente que falo metaforicamente (até onde se sabe). Acontece que suas vítimas foram massacradas sem dó ou piedade. Mas isso é para outra edição. A Rainha Naja nem sempre foi tão poderosa e idolatrada. Há alguns anos, ela não passava de uma Menina Selvagem. Uma garota cuja não tinha vaidade alguma e preferia os personagens de seus livros a pessoas reais. Ela era "comum". Não é de menos que foi hostilizada por várias pessoas. Inclusive, muitas delas se declaram, hoje, suas amigas.

E então, em um passe de mágica, a Menina Selvagem mudou não só seu visual como sua personalidade. Estava mais alto-confiante, mais bem vestida. Foi, finalmente, chamando atenção positivamente. Ninguém sabe exatamente a raiz desta mudança tão radical. Alguns diz que foi fruto do abandono de sua mãe. Outros foi que ela finalmente tomou juízo. Mas nada disso interessa, porque ela evoluiu e se tornou muito mais interessante. Por que nunca falei dela antes? Porque era 1995 e tinha coisas mais importantes para relatar. Mas em nenhum momento tirei meus olhos dela e acompanhei o surgimento e o crescimento da Rainha Naja.

Menina SelvagemHistórias para pegar e não largar. Descubra agora