Capítulo setenta e três: Deu a louca no baile

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  Francis lia um livro na varanda de sua mansão quando avistou Hestia se aproximando. Mesmo de longe, pôde perceber que havia algo de errado com ela. Pausou a leitura e desceu para recepciona-la. Ao chegar mais perto, notou o rosto banhado de lágrimas e olhar perdido.

- Hes?

Ela o encarou e o lábio inferior começou a tremer. Caiu de joelhos no chão e começou a chorar bem alto. Francis foi imediatamente ajuda-la a se levantar. Contudo, suas pernas estavam fracas demais. Foi necessário carrega-la em seus braços para dentro da residência e a sentou no colchão do quarto dela. Susan, que se preocupou ao vê-los, os seguiu.

- Francis, o que aconteceu? – Perguntou sua irmã aflita

- Eu não sei. Eu a vi se aproximando e depois ela caiu no choro. Hes! Hes, olha p’ra mim! – Segurou no rosto dela com delicadeza – Alguém te fez mal? Alguém te assediou? Te estuprou?

Carrow não parou de chorar por um segundo. Embora não tenha falado, negou com a cabeça. Seu amigo suspirou aliviado por não ter sido agredida sexualmente.

- Hes, o que aconteceu? Diz p’ra mim. Eu sou seu amigo, pode confiar em mim. Quer que eu chame a sua irmã?

Negou com a cabeça novamente.

- Francis, eu acho melhor Hestia se banhada na banheira por nosso elfo-doméstico, tomar uma poção calmante e quando ela se sentir melhor, conversa com você. No momento, ela não está em condição nenhuma de falar. – Aconselhou a caçula

- Está bem. Eu vou sair p’ra esperar lá fora. Qualquer coisa, me chama, ok?

Ela assentiu e os irmãos se retiraram. A naja foi despida graças a ajuda de um elfo-doméstico fêmea e depois recebeu um bom banho. Continuou chorando por um longo tempo. Só conseguiu parar de chorar quando tomou uma poção calmante. Mesmo assim, continuou soluçando.

À noite, resolveu sair do quarto. Encontrou o amigo lendo um livro, no salão informal, sentado numa poltrona. O local estava quase escuro. A única luz derivava da Lua e das chamas da lareira. Ele sorriu ao notar sua presença.

- Oi. Está melhor? – Quis saber

- Estou... Menos pior. Tenho que agradecer a sua irmã pela roupa mais tarde. E a você também por tudo.

- Não tem de quê. Faria o mesmo por mim.

- Não, eu teria acessado sua cabeça para descobrir a razão de tanto sofrimento. Aonde estão seus pais?

- Minha mãe vai passar alguns dias no chalé com a amante dela. E o meu pai viajou a negócios. Eu até chamaria o pessoal para uma festa, mas o momento não parece apropriado. O que houve, Hestia?

- Eu e George nos apaixonamos.

- E isso não é bom?

- Como pode ser bom trair o meu noivo e arriscar que outra pessoa querida por mim sofra? Já me feri o bastante. Dispenso novos machucados.

- Hes, não pode passar o resto da sua vida temendo que coisas ruins te aconteçam com as pessoas que ama!

- E por que não?

- Porque você não estaria vivendo. E eu acho que você não anda vivendo há um bom tempo. Pode viver uma vida incrível ao lado de quem gosta. Mas também terá que lidar com o preço das crueldades do mundo.

- E por que eu faria isso? É assustador!

- Não. Sabe o que é realmente assustador? Ter uma vida infeliz e se perguntar todos os dias como teria sido se tivesse feito diferente. Quando eu confessei o meu amor à Astória, foi uma das piores noites da minha vida. Sofri demais. Mas eu teria feito tudo de novo só para não conviver com aquela dúvida miserável. Eu não vivi o meu amor, mas você pode viver o seu. Eu vou dormir. Tenha bons sonhos.

Menina SelvagemOnde histórias criam vida. Descubra agora