Capítulo vinte e três: A beleza dói

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  Francis era um garoto comum. Tinha muito dinheiro, notas boas, goleiro do time de Quadribol. Sem falar que era bonito. Possuía apenas um probleminha com fumo, mas quem é perfeito? O sonserino tinha uma vida boa, embora conflitasse com seus pais uma vez ou outra por causa do preconceito sanguíneo deles. Só tinha apenas um tormento na sua vida. Ela.

Tinha se tornado um bom amigo de Astória desde o segundo dia em Hogwarts e não se desgrudaram mais. Não soube o que aconteceu, mas no quarto ano começou a gostar dela mais do que um amigo. Até quis pedir ao pai para que propusesse um noivado. Mas queria um relacionamento em que houvesse consentimento. E não um frio casamento arranjado como o de seus pais e quase todos os casais que conhecia. Queria que ela gostasse dele. Isso não aconteceu.

Quando declarou seus sentimentos para ela em 1995, recebeu uma rejeição delicada. O machucou profundamente e chorou bastante. Astória se afastou um pouco para não feri-lo mais. Tentou tirá-la da cabeça, mas achava impossível. Não era só porque ela ficou bonita, mas por tudo. E depois de diversas tentativas falhas, reparou que não era uma simples paixão. E sim, amor. Seu primeiro amor. E estava nesta luta de superação há quatro longos e cansativos anos.

Se conformou que não tinha chance. Mas ainda podia observá-la e conversar com ela. Tomava seu café da manhã no Salão Principal e deu um sorriso quando a viu se aproximar. Estava linda usando uma blusa branca, um suéter vermelho, um casaco preto com botões, uma saia escura, uma meia calça vermelha chamativa, salto alto e um chapéu de bruxa branca. Lembrava uma grifinória. Seu longo cabelo caía sobre os ombros. Tem como não se apaixonar por ela?, pensou.

Seu sorriso sumiu quando notou que ela estava em uma conversa com ninguém menos que Draco Malfoy. Impossível não sentir ciúme. Já não gostava antes quando ela falava com ele por obrigação e ele a aturava, mas agora pareciam realmente confortáveis conversando. Queria dar uma surra no Malfoy por ser a razão do sorriso dela.

Só se conteve porque ela sorriu para ele e nunca conseguia resistir aos seus sorrisos. Sentaram na frente dele. Bulstrode quase esqueceu do monitor-chefe quando olhou para ela.

- Oi, Francis. – Cumprimentou ela, pondo a bolsa de grife na mesa

- Oi, Astória. – Saudou sorrindo bobamente – Sobre o que estavam falando?

- Da nossa experiência p'ra feira.

- Legal que estão trabalhando juntos.

Mentira. Bulstrode ficou furioso quando soube que ela o rejeitou para ficar com ele. Não disse nada, é claro. Sabia que ela falaria que estava sozinho, que precisava de ajuda. Achou melhor ficar quieto. Imaginar que os dois ficavam sozinhos por algumas horas o deixavam louco. Flora não era a única que tinha pensamentos pervertidos em relação a isso.

- Qual o projeto de vocês? – Perguntou

- É sigiloso. – Decretou Malfoy friamente

- Relaxa, Draco. Francis é de confiança.

A garota pôs a mão no ombro do rapaz e deu o sorriso gentil. Ambos rapazes ficaram chocados. Bulstrode porque não imaginou que estavam próximos. E Malfoy porque ninguém o queria tocar a não ser para lhe dar uma mãozada. Draco gostou de ser tocado por ela, mas não disse nada.

- É, Draco, eu sou de confiança. – Zombou Bulstrode – E aí? Qual o lance?

A morena tirou a mão dele e se voltou para o amigo para falar num tom mais baixo.

- Estamos preparando uma poção que faz uma joia ter o efeito de proteção total.

- Que nem a mãe do Harry Potter fez?

Menina SelvagemHistórias para pegar e não largar. Descubra agora