Capítulo oitenta e quatro: Banho de água fria

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  Astória lia um livro, no Salão Principal, quando a coruja trouxe a correspondência. Entre as revistas de moda e cartas de parentes distantes e amigos de fora, havia a do seu pai. Havia escrito Vinda do Brasil no envelope. Também recebeu algumas vestes, perfumes e livros de presente. Tratou de abrir a carta imediatamente.

"Fernando de Noronha, 7 de abril de 1999

Querida Sabiá,

Devo te dizer que o Brasil é um país maravilhoso. Principalmente para passar a lua de mel. Uma pena que não ficaremos tanto tempo aqui por causa do trabalho de Wanessa. Enfim, visitamos muito lugares. Se surpreenderia como um país tem tantas culturas distintas. Primeiro fomos ao Rio de Janeiro por causa do Cristo do Redentor. Muita gente fala que é bonito, mas poucos dizem como é lotado. Depois fomos à São Paulo. Não ficamos muito tempo porque é bastante poluído.

Creio que não passamos mais de dois dias na mesma cidade. Também fomos à Salvador, Natal, São Luís. E muitas outras. Preferimos ficar onde mais havia praia porque o Brasil é um país muito quente. A coitadinha da Wanessa se derreteu toda no Rio. A primeira coisa que fez ao chegarmos no hotel foi entrar no chuveiro. Sabia que banheira é coisa de rico aqui? Estranho, não?

Outra coisa muito estranha por aqui é que um país tão rico e enorme esteja cheia de gente na miséria. Não fomos lá, é claro, mas ouvimos isso dos nativos. Estou pensando seriamente em investir para ver se melhora, nem que seja um pouco, a situação. Que mal há, não é?

Eu e Wanessa planejamos vir mais vezes. Só que traremos a família toda. Quero que vejam com seus próprios olhos as maravilhas que há neste lugar. Dizem que uma tal de Galinhos também é muito bonita. Talvez iremos para lá.

Como andam as coisas por aí? Tem se cuidado direitinho? Teve outra crise de estresse? Posso até está em outro continente, mas continuo me preocupando muito com você, sua irmã e agora o seu novo irmão. Espero ansiosamente por respostas.

Com amor,

Papai".

Além da carta, vinha fotografias bruxas dentro do envelope. O casal aparentava se divertir muito.

- Que fofos! - Exclamou a naja - Parecem está se divertindo muito na lua de mel.

- Quem sabe já até empacotaram um novo herdeiro Greengrass. - Brincou Hestia

- Duvido muito, amiga.

- Eu não diria isso se fosse você. - Recomendou Parkinson - Também duvidei que teria irmãos. Agora minha mãe acabou de me enviar um rascunho de lista de convidados para o chá de frauda do meu irmãozinho Charles. Só lamento que seu pai e sua nova madrasta tenham ido logo ao Brasil.

- Ah, amiga, não fala assim! - Ralhou Flora - Mesmo sendo um país de terceiro mundo, é superdemais! Cheia de praias, florestas, animais, galera descolada. Eu me amarrei quando fui. Devo dizer que é bem melhor do que muitos países do nosso continente.

- É bom sim p'ra dá um oi hoje e tchau amanhã. Já vi e ouvi gente assim, ó - estalou os dedos várias vezes - reclamando por morar lá. Falam que os nativos não possuem educação e muito menos bom senso.

- Não é querendo interromper a aula de culturas globais, mas temos uma reunião para ir. - Avisou a monitora - E ela está para começar agora.

- Então é melhor nós irmos, najas.

As najas deixaram a mesa, saíram do Salão Principal e foram a sala que a madame Pomfrey dava aula. Vários alunos do sétimo ano haviam chegado e, a maioria, dividiu-se em suas respectivas Casas. Greengrass saudou amistosamente quase todos antes de ir sentar ao lado do namorado. Encararam Gina quando se pôs de pé.

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