Capítulo trinta e dois: Descobrindo o amor

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  Daphne queria muito ser defensora como seu avô. Portanto, estudava bastante para se sair bem nos exames. Como era ano de N.O.Ms, o esforço era triplicado. Sorte sua ter aprendido os assuntos anos antes de ingressar em Hogwarts. Estudava na biblioteca, numa tarde nevosa.  

- Oi. – Cumprimentou sua irmã – Será que podemos conversar?  

  Daphne fez um movimento com a cabeça para que se sentasse. A naja sentou em frente a irmã. A atleta estava com medo do resultado daquela conversa, mas sabia que em alguma hora ela tinha que ocorrer. 

- Então, você e Susan? 

- Sim. 

- Há quanto tempo sabe? 

- Faz um tempinho. Eu não quis admitir até aquele beijo. Eu me achava inválida. Está chateada? 

- Claro que não! Por que estaria? 

- Não te contei qual é minha sexualidade. Aposto como ficou chocada. 

- Fiquei chocada, não chateada. E nem teria porquê! Não tem problema em gostar de garotas! Imagino como deve ter sido difícil quando descobriu. 

- Você nem imagina, Ast. Tem gente que é expulsa de casa só por causa disso!  

- Expulsa de casa, você não vai ser! Pode ficar tranquila quanto a isso! Já contou a papai? 

- Ainda não. Prefiro contar pessoalmente. Falar por carta não é o meio mais adequado. Estou com tanto medo, Ast! E se papai não me aceitar? 

- Mas que bobagem! Por que papai não te aceitaria? Ele te ama mais do que tudo! 

- Eu sei, eu sei. Mas tenho medo! Talvez haja um resquício de preconceito dentro dele! E eu não vou suportar se ele não me aceitar! Só me resta ele, Ast. 

  Astória sabia que a irmã se referia a finada mãe. Mesmo que a caçula sentisse uma intensa raiva da antecessora, no fundo se encontrava a lamentação do rejeito. A naja segurou a mão dela. 

- Também tem a mim. E se papai não te aceitar – o que acho improvável de ocorrer – eu saio daquela casa com você. Pegamos nossa herança, que temos direito, e vamos morar em Paris. 

- Paris? 

- Claro, é a cidade da felicidade! 

- Não é mesmo! 

- Por acaso você já viu alguém reclamar de ir à Paris? Não há um bruxo que não queira morar lá! Seremos as ladies Greengrass! Trabalhando pela manhã e festejando à noite! Por você, vou a qualquer lugar do mundo, maninha! Eu te amo demais! 

  Daphne já ouvira muitas declarações de amor da primogênita. E com toda certeza aquela foi a mais bonita que já ouviu. Seus olhos transbordaram d’água e ela correu para os braços da mais velha. 

- Obrigada! Muito, muito obrigada! – Agradeceu a quintanista – Eu te amo muito! Não faz ideia de como seu apoio é importante! Não só agora, em tudo! Você é a melhor pessoa do mundo! 

- Você também é! – Segurou o rosto dela – Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, pode contar comigo! Até para esconder um corpo, sei lá, me chame! Jamais hesite em me procurar, ‘tá entendendo? Eu vou sempre te apoiar e estar ao seu lado, independente do que for! É o que irmãs fazem! Se preferir, eu te ajudo a contar ao papai. 

- Eu agradeço, mas não posso aceitar. Tenho que fazer isso sozinha. Só espero que ele não se decepcione comigo. 

- Não vai! Nunca irá. Lady Daphne. – As duas riram – Deve ter sofrido muito se mantendo dentro do armário. Sei bem como é carregar o peso de um segredo, que pode mudar tudo. 

Menina SelvagemHistórias para pegar e não largar. Descubra agora