Capítulo setenta e oito: Guerra de irmãos

214 12 13
                                        

  Astória se bronzeava, vestida somente com um biquíni e portanto óculos escuros, deitada numa espreguiçadeira da varanda. Os pés eram massageados por um elfo-doméstico. Perseu cochilhava na caminha ao seu lado. O rádio tocava música pop. Sua paz e a do gato, que despertou, foi interrompida ao ouvir um rock bem alto.

- Que estrondo é este?

- Vem do quarto do futuro senhor seu meio-irmão, minha senhorita. - Informou a massagista

- Era o que me faltava! Ele pensa que está aonde? Num chiqueiro?

No dia consecutivo da cremação, Wanessa e seus filho haviam se mudado para O Ninho. Embora tenha gostado, não aprovou muito as outras mudanças. Os Wongs modificaram um pouco a decoração, transformando a casa em bruxa-trouxa, e alguns costumes também.

  A adolescente pôs um vestidinho e se dirigiu ao quarto de Joshua. As paredes foram tingidas de azul e possuíam muitos pôsteres trouxas de personagens de video games e de quadrinhos. Tinha uma estante mais com jogos do que livros.

Ouvia a música bem alta em seu som enquanto jogava Resident Evil em seu Playstation 1.

- Pode explicar que barulheira é esta? - Perguntou quase que berrando

- Link Park. É uma banda bem irada!

- Pois diminua o som! Está muito alto!

- Problema seu, lesada!

Greengrass ficou boquiaberta. A rebeldia do corvino sumiu com a chegada da mãe. Ele diminuiu o som rapidamente.

- Mantenha neste volume ou não vai ouvir mais nada! - Exigiu a juíza - Desculpe, Astória. Joshua passa do limite as vezes.

- Crianças. Houve uma época que Daph tocava até altas horas. Podemos falar do casamento, Wanessa?

- Claro. Mas tem que ser rápido. Vou trabalhar daqui a pouco. Comporte-se, Joshua!

- Serei como um anjo, mãe.

Assim que a mãe lhe deu as costas, o garoto estirou o dedo para a sonserina. Apesar de ter se aborrecido, não falou nada à trouxa e foi com ela à sala de chá. Daphne as aguardava por lá com uma pilha imensa de revista de casamento, um pergaminho, uma pena, um pote de tinta e um álbum bem grosso. A quintanista estava radiante.

- Olá, Futura Sra. Greengrass! – Cumprimentou Daphne – Animada para o casamento?

- Claro. Por mim, só chamávamos o padre e fazíamos a cerimônia só com a gente da família mesmo. Mas Albert insiste que seja perfeito.

- E nós vamos fazer com que seja! – Garantiu Astória, pingando a pena na tinta para escrever no pergaminho – Vamos começar pelo início. Aonde vai ocorrer?

- Eu queria que fosse por aqui, no bosque. Mas fica difícil de trazer meus convidados. Eles podem ser perder em meio a todas essas árvores. Eu só não me perdi porque sempre venho ou saio de carruagem.

- Podemos trazê-los naquelas carruagens esticadas de vocês. Semelhante ao Noitêbus Andante.

- Ônibus? É uma boa ideia! – A naja anotou a decisão no pergaminho – Como vamos fazer para esconder a magia?

- Podemos fazer duas festas. Um para os trouxas, outra para os bruxos. – Sugeriu Daphne

- Duas festas? Não, não. Uma já me enlouquece. Duas, então.

- Podemos fazer uma festa à tema trouxa. Exigiremos que os convidados ajam como vocês. Já ouvi falar de algumas festas assim, e quase todas deram muito certo.

Menina SelvagemHistórias para pegar e não largar. Descubra agora