14. Facas

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Sabia o trabalho que teria para transferir a bolsa de estudos para sua cidade natal e também tinha ciência no que isso acarretaria.

Perda total da liberdade.

Sua mãe e tia se sentiriam no direito de voltar a controlar sua vida, mesmo sendo Natália agora adulta, o fato de morar novamente com a família tiraria da moça o pouco da independência que conquistou nos últimos dois anos.

Contudo, a garota não conseguia enxergar outras opções, após uma semana de aulas perdidas, não tinha coragem de encarar os dois rapazes depois de tudo o que aconteceu entre os três.

Pelo visto eram incompatíveis.

Quando Natália perdeu o controle de suas emoções e sentimentos, não sabia ao certo. Todavia o fato é que ouvia repetidas vezes, em sua mente, as coisas horríveis que Lucas lhe disse naquela última conversa.

Ecoavam em sua mente como um grito em uma caverna.

Desejava que ele estivesse bem e de algum modo se cuidando apesar de suas limitações físicas. Mesmo depois de todo o mal que ele lhe causou.

Queria poder odiá-lo.

Queria com todas as forças, mas não conseguia parar de pensar nele e no outro macho complicado por quem também se apaixonou.

Abrindo a gaveta de sua cômoda, tirou dali suas roupas íntimas depositando na mala que estava quase pronta para sua viagem de volta a Caruaru que aconteceria em três dias.

Trancaria o semestre para ter tempo de resolver as questões de transferência do curso e assim recomeçar sua vida no lugar de onde nunca deveria ter saído.

Lágrimas banhavam seu rosto, naquela última semana, não houve um dia sequer em que não chorou.

Era como se tivesse uma faca cravada em seu peito, não que soubesse verdadeiramente a sensação de ter uma, mas imaginava que fosse algo parecido com o que estava sentindo.

Repetidas vezes sentia o toque do beijo e das mãos de Lucas sobre seu corpo. Nas duas vezes que se envolveram tudo pareceu intenso e prazeroso para ambas as partes. Todavia, mediante as declarações do garoto não haviam argumentos que provassem o contrário.

Todos aqueles anos de maus tratos que só tinham piorado nas últimas semanas. Um único bem aquele loiro dos infernos não lhe fez.

Exceto nos dias de paz que tiveram, aqueles foram os únicos momentos que Natália sentiu doçura e gentileza vindas da parte de Lucas.

Talvez no fundo... não!

Não alimentaria mais pensamentos tolos e frustrantes.

Chega de ser inocente!

Já Diego tinha lhe feito tão bem. Desde o primeiro dia que conheceu o garoto ele a protegeu e a incentivou a ser melhor.

Não poderia deixar o Rio de Janeiro sem se despedir do amigo. Até porque, todo o mal estar que se instalou entre eles foi consequência do convívio com Lucas.

Viking problemático!

Maldita hora que o procuraram naquela praça próximo a faculdade.

Se Lucas não existisse eles com certeza se dariam muito bem, seriam melhores amigos.

Até mesmo algo mais.

Natália pegou sua bolsa e sem pensar muito em como estava vestida saiu de casa, iria se despedir de Diego e agradecer por tudo que o rapaz fez por ela.

Natália pegou sua bolsa e sem pensar muito em como estava vestida saiu de casa, iria se despedir de Diego e agradecer por tudo que o rapaz fez por ela

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