Turbulentos

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Capítulo não corrigido




Louis poderia permanecer como estava pelo resto de sua vida. Sentia todo seu corpo aquecido e confortável de maneiras muito diferentes, além de que o forte cheiro conhecido de menta e picante parecia formar uma névoa em sua consciência, induzindo-o à segurança de permanecer assim. Pelos macios acariciavam sua pele quente pelo aconchego da aproximação, e ele mal percebeu quando seu lado instintivo e menos humano o conduziu para expor a língua e capturar trechos daquela maciez até estar sugando-a em sua boca, ouvindo ao fundo o som raso e molhado que produzia com aquele ato, não se incomodando, embora.

Sentiu-se remexer manhosamente, buscando por infiltrar-se cada vez mais na pelagem cheirosa e macia, chiando choroso quando sentiu a movimentação súbita abaixo de si o impedir de continuar aninhando-se despreocupadamente. O aroma forte tornou-se mais denso, o picante se sobressaindo à menta de maneira ameaçadora e ele soube que algo estava errado, mas dada a forma como ainda se sentia profundamente seguro, seja porque estava sendo urgentemente embalado e aromatizado ou apenas porque estava ali com quem o fazia sentir-se assim, continuou sendo difícil abrir os olhos e acordar completamente.

Um forte rosnado, como um rugido, rasgou o silêncio do ambiente de maneira violenta, arrancando-lhe um miado assustado. Ele conseguia ouvir o som característico canídeo que indicava desaprovação ser emitido, algo que muito poderia se assimilar com um choro de cão, como apitos finos e arrastados emitidos pelas narinas e gargantas, mas que não estava em nada relacionado com a necessidade de chorar. Pelo contrário, tal som se arrastava em conjunto com rosnados fortes o bastante para fazer o grande corpo que lhe aninhava tremer completamente.

Louis apertou os olhos, sentindo que deveria acordar o mais rápido possível.

Levou minutos para que o fizesse e, quando conseguiu, percebeu o som de passos que se aproximavam do local, passos que faziam os galhos e folhas secas do chão florestal estalarem. Ainda assim, tudo em que se atentou fora na figura imensa do lobo que parecia enrolado em seu corpo como um grande casaco de peles. As garras estavam expostas, tão grandes quanto os dedos do ômega. Os dentes conseguiam ser ainda maiores que os de um leão, Louis suspeitava. Os olhos não estavam voltados para si e o ômega não conseguia os ver, mas imaginava que estavam estreitados ao que o lobo tinha as orelhas em pé e corpo tenso ao seu entorno.

- Lobinho? – Louis sussurrou com a voz baixa castigada pelo sono, mas a criatura não o respondeu, sequer o olhou. O felino seguiu a direção em que o focinho do lobo apontava e forçou seu olhar até que finalmente compreendeu.

Liam estava vindo por ali, caminhando lenta e cuidadosamente em meio às árvores, parecendo extremamente apreensivo e, principalmente, cauteloso. Junto ao alpha vinha uma figura conhecida por Louis, o mesmo homem que o ajudara durante a noite. Ele tinha um braço enfaixado e utilizava moletas abaixo do mesmo, seu rosto tinha alguns curativos mas parecia ter sido a região de seu corpo que estava mais intacta. Louis abriu a boca quase assustado por vê-lo ali naquele estado, mas antes que pudesse falar qualquer coisa um novo rosnado agressivo o assustou.

Ambos os caninos pararam de andar, olhando para o lobo e abaixando as cabeças lentamente. Louis se remexeu para sentar-se, o lobo movendo-se junto, se colocando à sua frente e o ômega inclinou-se para observar Liam e Murphy através do espaço entre as patas da criatura, que parecia lhe querer servir como uma muralha.

- Lobinho! O que está fazendo? – Questionou confusamente pelo modo com que o lobo parecia prestes a saltar sobre os alphas mais adiante.

- Louis. – Liam disse tão calmo e baixo que o felino quase não o ouviu. Ele olhava para os próprios pés e parecia receoso de mover um fio de cabelo de seu corpo. – Ele está te protegendo.

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