Capítulo Três - Um Oni Diferente

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A mesma pessoa que cuidou de Gyuutarou, o acolheu, o tratou como um filho, que o mimou abertamente para o mundo, sem se importar com os olhares de nojo, os sussurros furiosos, os murmúrios...

Acreditar que essa mesma pessoa, mentiu e o abandonou, estava completamente fora de questão. Gyuutarou conhecia [Nome], sabia que ele não iria fazer algo assim.

Quando Gyuutarou acordou animado para ver [Nome] ao seu lado, viu que o mesmo desapareceu sem deixar vestígios.

A única pista que ele tinha, era que as portas principais estavam abertas, e o portão estava aberto.

O garoto, no início, pensou que [Nome] apenas foi comprar algo no mercado. Então, obedientemente, Gyuutarou esperou [Nome]. As horas iam passando, e o sol saiu de trás das nuvens.

O garoto de apenas 10 anos ficou ansioso, mas continuou a esperar. E novamente, o tempo se passou em um piscar de olhos, e começou a escurecer.

Gyuutarou saiu em busca de [Nome].

Ele caminhava entre as ruas, virando várias esquinas, mas não tinha uma alma viva. As ruas sempre estavam cheias nesta hora do dia... Por que hoje foi diferente?

– Você escutou? – Gyuutarou congela ao escutar alguns sussurros, e se aproximou discretamente do grupo que conversava. – Aquele cara é realmente louco. Ele teve a opção de entregar aquele garoto e sobreviver... e olha o que deu.

– Quem não soube? A vila inteira já está sabendo. Aquele cara tem coragem em ajudar alguém como.. Ugh, aquela coisa. – ela suspirou.

– É assim? Não vejo problemas quanto a isso. – o último do grupo franze as sobrancelhas, não entendendo o motivo da situação.

– Ah, sim, você é um forasteiro. – o amigo apoiou o braço no ombro do outro, e riu.

– Resumindo: Um cara chamado [Nome] cuida de uma aberração chamada Gyuutarou. – ele ri, mas logo o olhar dele brilha em desdém. – Me dá náuseas falar o nome do garoto.

– ... – o forasteiro parou pra pensar por um momento, e apenas resolveu ignorar, falando: – Vocês realmente são... Se ele é apenas um garoto, por que todo esse...

– Ah, sim, souberam que aquele um grupo de mercenários que  sequestraram [Nome] foram contratados por uma mulher que busca vingança? – ela sorriu maliciosa, olhando para os companheiros animados—claramente não deixando o forasteiro continuar a falar.

– Sério? Finalmente vai ensinar uma lição nele. – o homem revirou os olhos, e olha sombrio para os companheiros. – Ele ousou contrariar uma madame de família rica, e agora vai receber o julgamento, nada mais justo, não?

A expressão de Gyuutarou congela, e ele arregala os olhos, assustado com as falas deles.

Julgamento? O que eles quis dizer com isso? Gyuutarou ficou confuso, mas, começou a correr em direção a onde seu instinto dizia.

Algo lhe diz que ele estaria lá.

Ofegante por ter corrido uma distância grande em poucos segundos, Gyuutarou parou para respirar um pouco, e logo notou o forte cheiro de sangue e álcool.

Um cheiro horrível de álcool ruim e nojento, com o forte cheiro de sangue misturado, causou náuseas ao garoto.

Os passos dele eram rápidos, e foram de encontro com os murmúrios de dor, e resmungou de lamentações.

E, ele finalmente encontrou [Nome].

Ele estava deitado no chão. Encolhido, com seu corpo trêmulo, uma poça de sangue abaixo de si, todo o seu corpo machucado, com cortes enormes em sua barriga e pernas.

𝖀𝖒 𝕺𝖓𝖎 𝕯𝖎𝖋𝖊𝖗𝖊𝖓𝖙𝖊? [𝔐𝔞𝔩𝔢ℜ𝔢𝔞𝔡𝔢𝔯×𝔐𝔲𝔷𝔞𝔫] Onde histórias criam vida. Descubra agora