-Millie-
-ela já foi. -olhei pela janela.
-e você não vai pra escola? -levantou.
-hoje não, a Isabella não quer falar comigo... -me lembrei. -ela me disse que você tinha um probleminha...
-qual? Mental? -me fez rir.
-acho que não. -segurei o riso.
-ah, acho que eu já sei, é que ela não me aceita. -deu de ombros.
-aceitar? -perguntei confusa.
-é, eu sou lésbica, e a sua amiguinha não aceita pessoas como eu. -falou com leve irritação.
-é, ela é assim...
-e eu sei que você também é. -me encarou.
-q-quem te disse? -gaguejei.
-não precisou, é notável. -riu baixo.
-ela não pode saber... -respirei fundo. -você disse a ela?
-não. -negou. -vai ver ela só tá com ciúmes de mim.
-vamos tomar café. -chamei ela.
Desci as escadas com ela atrás de mim e coloquei alguns salgados que a empregada tinha feito ontem em cima da mesa, e um suco.
Comemos e depois eu subi para tomar e ela ficou no quarto enquanto isso.
-eu tenho que ir pro trabalho. -levantou.
-toma um banho. -entrei no closet e ela veio atrás. -te empresto uma roupa.
-não deve ter nada que eu gosto aqui... -olhou o espaço cheio de roupas de grife.
-tenho roupas para todas as ocasiões, deve ter alguma coisa aí. -abri uma gaveta que tem varias lingeries. -pode procurar por aí. -peguei uma nova. -toma, eu nunca usei, tá nova. -ela pegou rindo de mim.
-eu uso isso aqui? -abriu a calcinha. -é minúscula.
-mas essa é a maior...
-eu gosto das normais, sem renda, sem fru-fru. -me deu uma olhada. -mas ela com certeza ficaria uma delícia em você... -fechou os olhos com um sorrisinho.
-tem da normal. -Fui pegar. -toma. -joguei na cara dela.
-tá irritadinha? -veio toda se querendo. -quando eu pegar você... -me carregou.
-me solta. -bati nela.
-é em vão. -me colocou sobre a mesa com exposição de vidro, dando para ver todas aa minhas joias dentro das gavetas.
Nossos rostos ficaram bem próximos. Eu sentia o gosto da respiração dela na minha boca, eu não conseguia me mover.
Ela me olhava nos olhos, com uma mão na minha coxa e a outra na minha nuca, fazendo um carinho. Deu uma leve puxada no meu cabelo e começou a aproximar os rostos.
E então senti seus lábios macios e doces contra os meus, um beijo lento e delicioso começou, o ar faltou mas não queria parar, estava bom demais.
Nos separei devagar, respirando ofegante, e com os olhos entreabertos, controlamos nossas respirações e iniciamos outro beijo.
-você é gostosa. -suspirou. -misericórdia!
-oque?
-não vou te esquecer fácil. -me deu mais um selinho.
Enrolamos mais um pouco e ela foi tomar banho, só quando desci da mesa percebi que estava molhada, e muito.
-meu Deus! -reclamei baixo.
Peguei um lenço umedecido que estava ali perto e limpei, depois vesti minha roupa e desci.
Liguei a televisão e coloquei um filme qualquer, sentei no sofá e olhei meu celular, não tinha nenhuma mensagem como eu imaginava.
Agora não tenho nenhuma gravação de filme ou de serie pra fazer. Então tô entediada todos esses dias, e ainda sou obrigada a ir pra escola.
Deu um tempinho e ela desceu, tava bem linda, com uma calça preta, uma camisa branca e com o sapato dela mesmo, o cabelo penteado e solto, e cheirando ao meu perfume.
-tá bonita. -parei de olhar ela.
Vai que ela pensa que eu tô apaixonada?
Imagina que vergonha, Deus me livre.
-nao tô, vou ficar mais amanhã à noite, você vai ver. -deu de ombros.
-vou ver? -franzi a testa.
-sim, na festa. -colocou as mãos no bolso. -já vou, preciso comprar uma casa nova e brigar com a minha mãe... -chegou perto de mim e segurou meu queixo, me deixando nervosa. -tchau, docinho. -me deu um selinho.
-vai ficar me beijando o tempo todo? -tirei a mão dela de mim, ela riu.
-sim, qual o problema?
-eu não deixei. -levantei indo abrir a porta. -tchau, Sadie. -ela veio tentar me beijar de novo mas eu desviei. -vai beijar alguma das meninas insuportáveis que você fica!
-sério isso? -passou pela porta.
-é. -fechei a porta e ela gargalhou.
Depois de um tempinho olhei pela janela e vi ela entrando no carro mas antes de sair ela fez o favor de acenar para me mostrar que estava me vendo.
Me abaixei rápido, por extinto mesmo. E só levantei quando ouvi o carro sair. Voltei para o meu sofá
