36

178 18 18
                                        


-Sadie-

-bom dia meu amor! -falei ao chegar na sala onde Millie estava conversando com Cleonice.

-bom dia gatinha! -me puxou para um selinho carinhoso de bom dia, me enfiando entre suas pernas. -acordou tarde... -alisou meu cabelo.

-eu estava com sono, não estou acostumada com festas. -falei normal e foi o suficiente para a empregada me olhar. -o que foi Cleo? -Mille gargalhou.

-para amor! -falou entre o riso.

-nada Senhora. -falou prestando atenção nas panelas.

-pode falar mulher, até parcelar que tem que ter medo de duas adolescentes. -falei simples. -eu já sei que você tem preconceito com a minha vida sexual. -dei de ombros tentando entender.

-longe de mim, Senhora. -pegou as panquecas colocando em cima da mesa.

-pode falar, você tem quase a nossa idade, fala o que você tem contra mim para resolvermos logo isso. -insisti.

-parece ser meio louco, mas eu sinto vontade de rir quando eu lembro do susto que eu tomei. -confessou sem graça.

-por que? -ri.

-é porque eu achei meio estranho, nunca tinha visto ninguém fazendo essas coisas a não ser no filme... -foi interrompida por uma crise de riso. -me desculpe... -Falou tentando se conter.

-desculpe por que? -falei observando ela rir. -minha vida não é nada parecido com o filme, Cinquenta Tons de Cinza.

-como não... -ela arregalou os olhos. -vou voltar ao meu trabalho, Senhora. -passou as mãos no avental e caminhou até a geladeira.

-porque aquele filme é muito perturbado, não explica nada sobre a prática. -continuei o assunto. -não gosto que fique me olhando dessa maneira toda vez que falou sobre algo com minha esposa e está perto. -tenho que ser sincera.

-me desculpe, Senhora Sink. -pegou as outras coisa e colocou em cima da mesa. -o café está pronto Senhoras. -pegou um paninho de limpar as coisas e foi se retirando.

-não precisa sair nessa pressa Cleo, eu só queria entender e pronto já entendi. -falei, eu percebi que ela estava nervosa.

-Cleo? -Millie perguntou chamando a atenção dela. -o que houve? -ela se virou com o celular na mão. -socorre Sadie! -apontou para a mulher desesperada e na hora vi ela caindo no chão.

Corri até a mulher conseguindo impedir que ela batesse a cabeça no chão. Acabei caindo sentada e puxei ela para cima do meu colo, segurando ela para não cair.

-o que aconteceu? -perguntei sem entender.

-eu não sei amor, acho que foi só um mal estar. -vi ela pulando da bancada e pegando um remédio dentro da caixinha, depois pegando água e um pano molhando.

-vai dar remédio a ela? -observei ela se aproximando.

-será que ela toma? -acabou na minha frente, ficando perto do rosto da mulher.

-não né amor, ela tá desmaiada, chama a emergência. -tentei manter a calma. -pega o meu celular aqui e liga. -afastei para o lado e ela pegou no meu short.

-pera. -desbloqueou e abriu o telefone, ligando para a emergência.

Atenderam e ela falou com o que parecia uma mulher e depois falou que era só aguardar. Tentamos reanimá-la, mas não deu certo.

-pega o celular dela aí amor! -apontei para o celular no canto perto de um armário.

-pra que? -ela perguntou já se levantando e indo pegar, quando pegou e olhou para a tela do celular arregalou os olhos e me encarou boquiaberta. -Sadie...

-o que foi? -perguntei sem entender e quando ela virou o celular na minha cara eu vi a foto de um homem na cama com uma mulher, era tipo um vídeo pornô. -que nojo mulher! -fiz uma careta e parei de olhar a tela. -por que ela estava vendo isso?

-é o marido dela na casa dela. -falou ainda surpresa.

-espera, ele está traindo ela? -agora entendi seu espanto.

-isso mesmo. -desligou a tela do celular e o deixou em cima da bancada, na mesma hora ouvi a sirene da ambulância na rua. -vou lá abrir. -me comunicou pegando a chave pendurada.

Eu estava com a mulher nos meus braços, a olhando agora com pena, deve ser horrível gostar de homem. Quando os paramédicos entraram na minha casa agachando na minha frente e começando a examinar ela.

-o que aconteceu com ela? -um dos médicos me perguntou.

-ela estava saindo da cozinha e caiu. -falei, só não vinte do vídeo que ela estava vendo.

-mais alguma coisa aconteceu?

-não. -vieram tirar ela de cima de mim, e eu senti até minha bunda latejando de tanto tempo sentada ali.

-o que a Senhora estava fazendo quando ela caiu? -começou a me interrogar.

-eu estava dormindo, acordei e vim para a sala onde ela estava conversando e rindo com a minha noiva. -ele começou a anotar. -ela me puxou para o meio das pernas dela e demos um selinho. -eu estava quase rindo, ele estava anotando tudo! -ficamos conversando nos três e ela terminou de fazer o cadê da manhã e foi saindo da cozinha olhando algo no celular, eu e minha noiva percebemos algo de estranho nela e a chamamos, na hora ela só foi caindo e eu corri para socorrer ela antes que caísse no chão. -dei todos os detalhes. -mais alguma coisa que queira saber?

-não Senhora, obrigada pelos detalhes. -deu um risinho e me fez corar. -ei, vocês! -falou com os que carregavam ela na maca. -levem ela para a ambulância e vamos levá-la. -instruiu e  os homens foram saindo da minha casa. -obrigada mais uma vez. -recolheu os equipamentos dele do chão e foi saindo também, dessa vez eu o acompanhei.

-alguém tem que vir com a moça! -uma enfermeira falou.

-Sadie, vai você que eu vou com o carro atrás. -Millie falou já passando por mim e indo direto ao carro. -estou indo atrás de vocês. -entrou e fechou a porta, nem me consultou, mas tenho que ir.

Vai que essa mulher acorda, ela com certeza me odeia ou tem vergonha de mim, se ela acordar aqui dentro vai fuçar mais nervosa por estar comigo e não com Millie que ela conhece há mais tempo certo?


Amores de SillieOnde histórias criam vida. Descubra agora