Omissão e ação

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—eu preciso ir pra casa.
—por quê? Não gosta de se divertir com a gente ou prefere ir pra casa fazer tricô?
—me deixa em paz. Ela ia dar a volta, mas minha amiga puxou ela pelo braço e a foi levando para o banheiro.
—eu disse que queria me divertir, vem comigo! Aliás sabe como a escola te chama? De cruzes! Sorriu ao falar.
—me solta!
—A cruzes!

—Naty, deixa ela, vamos tenho unha pra fazer. Disse.
—ah, mas eu estou me divertindo, como você iria ficar de cabelo curto Cruzes?
—tem que molhar primeiro pra ver. Minha outra amiga falou. Então Naty pegou a cabeça da cafona e colocou na pia à força.
—tchau, minha manicure está ligando. Disse e sai do banheiro. Quando virei, olhei para a diretora caminhando na minha direção.
—droga! Tentei disfarçar que estava dando a volta com pressa e fui até o banheiro.
—Naty, para com isso! A diretora está vindo.
—tenho certeza que ela não vai usar o banheiro dos alunos.
—anda vem!
—me solta! A garota falou mais uma vez e Naty não deu ouvidos e afundou ela novamente na pia. Dei as costas pra sair o mais rápido e fiquei cara a cara com a diretora.

—o que está acontecendo aqui!
Todas ficaram com cara de assustadas e a diretora falou:
—se você não retirar as mão dela agora, eu te expulsarei agora mesmo.
Naty abriu as mãos e a menina correu para o lado da diretora tossindo.

Só conseguia pensar como eu poderia me sair dessa, já havia recebido duas ligações do salão, minhas unhas estão horríveis e já faz um ano que eu não falto!

—para minha sala as três agora.
—eu posso ir pra casa? A garota perguntou.
—depois que eu ouvir você, vamos.

Pelo visto isso ia demorar...
Fomos todas para a sala, ficamos esperando na porta enquanto eu morria de ódio da Naty.
—você realmente perde a noção não é?
—por que está preocupada com isso?
—as três entrem. A diretora estava até vermelha de tão furiosa. Sentamos e começou a sabatina, ela falou tanto que já estava perdendo a fala.
—eu não aceito que na minha universidade aconteça esse tipo de coisa! Aqui é um lugar de ensino de prestígio não de arruaceiras! Quase gritou.

—o que foi de tão grave? Naty questionou e eu dei um pisão no seu pé.
—que que foi?
—você ainda ESTA ME PERGUNTANDO? Ela pegou o telefone fixo em cima da sua mesa e começou a ligar para nossos pais. A não!

O que já ia demorar, ficou ainda pior.
As três ficaram escutando a professora até que seus pais foram aparecendo.
—VOCÊ NÃO CRIA JEITO NÃO É? QUANDO CHEGAR EM CASA EU VOU TE DAR UM SURRA! A mãe da Naty já entrou gritando e a filha por sua vez só revirou os olhos.
Quanto aos pais da Karen somente o pai apareceu e no telefone ainda, não deu muita bola e ainda perguntou quanto a cafona queria em dinheiro.
Minutos depois meus pais apareceram, não falaram nada, só olharam pra mim e sentaram pra escutar a diretora repetir tudo e ainda mostrar imagens da gente entrando no banheiro.

—É uma conduta que eu não permito aqui! Tenham o dinheiro que tiver, não vamos aceitar isso, sabe lá quantas vezes já fizeram bullying aqui na minha escola, as três estão suspensas por um mês!
—uma mês senhora Ca...
—ainda é pouco! Deviam educar melhor a filha de vocês. Falou para meus pais e a expressão deles ficaram ainda pior.
Por fim agradeceram a diretora e nós saímos da sala.
—pai, você viu que eu não fiz nada. Ele não respondeu e eu fiquei ainda mais aflita, não sei quando meus pais reagiram dessa forma, mas não estava tão preocupada era só fazer um chame e tudo certo.

Fizemos todo o caminho em silêncio, mas eu com certeza conseguiria reverter a situação além do mais eu sou a princesa deles.
O motorista estacionou e nós descemos, entramos em casa e eu comecei a quebrar o gelo.
—bom, eu sei que tiveram que largar a empresa pra ir à faculdade e por isso estão chateados, mas não precisam se preocupar mais, não voltará a passar, agora vamos ao shopping mamãe? Eu perdi a hora do salão então...
—Hailey cale a boca! Eu como sua mae não estou só decepcionada como estou envergonhada! Quanto tempo não estamos olhando pra você ao ponto de não perceber a garota que você se tornou? Foi porque eu e seu pai damos tudo a você? Deve ser por isso.
—por que está falando assim comigo? Eu já disse não tive participação!
—se omitir já é uma participação, eu sei bem disso porque eu sofri bullying quando tinha a sua idade e não fazia ideia que criei esse tipo de pessoa!

Minha mãe sempre foi muito culta e era calma ao extremo, mas agora eu nem a reconhecia.
—Hailey quero seus cartões, meu pai falou.
—já que não vai estudar por um mês também não vai passar esse tempo gastando meu dinheiro.
—pai! Meu cartão não!
—como assim ela não vai estudar? Já pensei o suficiente no carro, Hailey vai pra o México para a fazenda do meu irmão, é um cidade bem pequena e foi onde eu cresci então ela pode muito bem se conectar melhor com as pessoas, de acordo querido?Ele concordou.
—vá agora mesmo para o seu quarto faça seus malas e daqui um mês vamos buscar você.
—uma roça? O que eu vou fazer em uma roça?
—vai descobrir!
—eu não quero ir! Não podem me obrigada a isso.
—foi você quem criou a situação! Chega de regalias se quiser dinheiro vai trabalhar com o seu tio na roça, eu trabalhei você também consegue.

—mãe, vamos conversar por favor!
—suba!

Meu pior castigo Histórias para pegar e não largar. Descubra agora