Não toca

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—tá tudo bem? Sentindo alguma coisa? A voz de Lorenzo me tirou da transe que eu sentia e de uma vez derrubei as canecas de vidro. Fez um barulho e um super estilhaços.
—que coisa! Onde estou com a cabeça!
—tá tudo bem, é só limpar. Olhei para o palco novamente e James estava observando a cena tenho certeza que se fosse ele já teria brigado comigo e surtado por achar que eu me machuquei como da última vez.

Talvez não se importe tanto assim... afinal o que você está querendo Hailey? Eu entrei para o bar e fui ao banheiro jogar uma água no rosto ou não iria conseguir seguir até fechar.
—Hailey? Tá bem? A voz da Ana do outro lado da porta destranquei e sai a um fio de chorar.
—o que foi? Cortou-se?
—não, eu estou bem.
—o que foi aquilo com James? Eu a encarei para que continuasse falar.
—eu percebi, deu até um frio na barriga parecia mesmo que ele estava cantando da você Hailey.
—não consigo parar de pensar nele Ana, o que faço? Estou namorando o Lorenzo.

—fica calma, logo logo vai passar.
—está ardendo em mim... que ridículo.
—não é ridículo, bom eu não queria está na sua pele, mas é normal, você gosta dele.
—e de que adianta.
—bom em se tratando do James nada, mas... mas...
—eu já entendi.
—você é a Hailey! Levanta a cabeça e volta.
—você tem razão, acho que cortei mesmo meu dedo. Ela riu e eu fui jogar água.

Continuei a noite tentando não olhar para ele, só percebia a movimentação de cada mulher lhe enviando bilhetes.
Felizmente o expediente terminou e eu sai mais rápido que qualquer coisa.
—vamos? Não to me sentindo bem.
—claro, só vou despedir dos meninos. Lorenzo falou e ainda ficou enrolando conversando sobre algo.

Até que voltou e no meio do caminho falou:
—minha loirinha, pedi pro James te levar, porque minha mãe me ligou precisando da minha ajuda.
— não precisa, eu vou com a Ana.
— por que? Se estão indo para o mesmo lugar?
— é que...
— beijo. Ele aproximou e beijou meus lábios um gosto predominante de cerveja.
— vamos fazer algo divertido amanhã tá?
— ok.
— tenha cuidado e se precisar de algo me ligue da fazenda que vou te ajudar. E entrou no carro indo embora.
Eu virei as costas respirei  fundo e fui indo em direção a caminhonete em que James já estava esperando. Entrei sem falar nada  e ele deu partida do mesmo jeito.
Na metade do caminho James parou o carro e colocou a mão no peito. Abaixou a cabeça no volante e eu logo falei:
— nem vem fingindo novamente que eu não vou dirigir.
Ele nada respondeu e eu fui ficando nervosa.
—James tá tudo bem? James...
Eu fui analisar a situação, mas ...
—não toque em mim!
Grosso e sem remorço
Abri a porta do carro e sai, não aguentava tanta ignorância!
—Haylei! Volta pro carro! Gritando mais uma vez.
—Va embora! Seu grosso ridículo, a raiva foi dando lugar a sensação de desprezo e cada passo era uma lágrima caindo ele me chamou novamente e do nada parou, olhei pra trás e James estava encostado no carro quase caindo.
Corri até ele e esqueci de tudo.
— o que está sentindo o que aconteceu? James? Fala comigo fala por favor.
Ele não conseguia dizer nada, estava pálido e parecia sentir uma dor insuportável.
—ei... desculpa não vi que estava doente.
—não... estou doente.
—você não estava fingindo da outra vez não é?
— me ajuda a... entrar no carro.
— vamos ao hospital.
—não, vamos... pra casa.
— mas James.
—pra casa Hailey.
Ele parecia tão cansado que não quis ficar lutando sobre nada.
Ajudei a entrar e eu fui dirigindo, morrendo de medo e com coragem o suficiente para ajudá-lo.
—tá bem? Vai falando comigo por favor.
—não vou morrer.

Quando chegamos eu o ajudei a sair e entramos em casa indo direto para o sofá.
—o que você precisa? Pego pra você.
James ergueu a mão e a colocou no meu rosto.
—que pare de chorar, acalme-se.
Eu senti uma energia de medo com reconforto e fui desacelerando meu coração.
—o que você tem? Conta pra mim por favor, não é a primeira vez e você está tão distante... todos esses dias.
—não é nada demais, fui ao médico é um cansaço apenas... não preocupe meu pai... e estou distante porque não consigo ficar perto e não... desejar você.
—James...
— e você fez uma boa escolha... ficando com alguém melhor que eu.
—como pode me desejar e me querer com outro homem?

—você é muito chata e sem limites, não suporto comigo.
—para, eu sei que está mentindo!
Ele passou novamente a mão no meu rosto fazendo um carinho e eu fechei os olhos sentindo como era bom aquilo.
—suba para seu quarto!
—não, vou ficar com você.
— já estou melhor, agora sobe.
— então vamos juntos. Eu levantei e fui o ajudando, coloquei ele na cama.
— feche a porta.
Eu saí, peguei um copo com água entrei no meu quarto peguei minha coberta e fui para o seu quarto, James assustou quando entrei, mas nada falei.
—o que está fazendo ô pantufa?
— não veja com outros olhos, você é da família só estou cuidando, do mesmo jeito que cuidei do Atlas.
—tá me comparando com um cavalo?
—não, seria uma ofensa para o Atlas, já que ele é  bem mais dócil que você.
—mais uma palavra e você vai literalmente dormir com ele.

Eu sorri e lhe dei a água.
Deitei do seu lado com minha coberta e ficamos em silêncio.
—me ajuda Hailey vai para o seu quarto.
—eu não quero, vou ficar com você.
— você tem namorado, saia.
—só estou ajudando você.
—eu não quero que só me ajude.

Eu fiquei calada quieta, só do seu lado escutando sua respiração.
Senti devagar sua mão divagando por minha pele, os pelos dos meus braços todos arrepiaram com ele passeando é isso me instigava tanto, eu queria pular em cima dele e ter uma noite como aquelas que já tivemos... sentir me possuindo pra ser sua e a cara que fazia de tesão.

Meu pior castigo Histórias para pegar e não largar. Descubra agora