Helena suspira e a puxo para mais perto. Eu a beijo. Não foi suave, nem doce, foi profundo e profissional, arrancando nosso fôlego. Sinto suas mãos em meu peito que logo sobem até meu pescoço, para os dreads.
Era realmente impossível de me afastar. Mas recuo como todas as outras vezes. Sei que disse que iria esperar Helena se decidir quando seria o nosso próximo passo, mas não sei se aguento mais. Vê-la assim me faz... ah. Eu tento não me frustrar, mas as vezes não consigo. É claro que não falo para ela, não quero ficar parecendo um cachorro no cio.
Nos afastamos e estamos ofegantes. O olhar de Helena está sério, pensativo e culpado. Deito ao seu lado e seguro sua mão.
- Tudo bem - apenas digo.
- Quer dormir aqui de novo? - pede apontando pra cama.
- Claro que quero - respondo beijando sua cabeça - sou vou escovar os dentes e já volto.
Eu estive pensando. Falei com Bill hoje, sobre pedir Helena em namoro. Ele disse que já está na hora. Tenho que me decidir. Se a peço em namoro e levamos a público, ou se revelamos aos poucos. Não quero que nenhuma garota fique sacaneando Helena. Meu plano é pedi-la amanhã. Tento não ficar nervoso. Volto para os braços dela e nos aconchegamos. Em poucos minutos sinto a respiração calma de Helena. Ela sempre dorme primeiro. Acaricio seu cabelo, passando a mão por cada curva de seu corpo. Aos poucos vou fechando os olhos e durmo.
Acordo sentindo alguém em cima de mim. Abro os olhos e vejo Georg desenhando algo na minha cara.
- PORRA GEORG SAI DE CIMA DE MIM!! - grito - VAI RISCAR SUA BUNDA.
- O que tá acontecendo? - pergunta Helena acordando.
- VOLTA AQUI GEORG - saio da cama e vou atrás dele com um cabo de vassoura na mão - VOU ENFIAR ISSO AQUI NO SEU ESTOMAGO.
- CALMA TOMZINHO É SO UMA BRINCADEIRA - Georg levanta as mãos em rendição.
- Se fizer isso de novo, corto seu cabelo enquanto dorme. E não só seu cabelo - digo jogando um tênis nele rindo.
Vou ao banheiro e limpo meu rosto, está desenhado várias rolas. Para não perder a tradição.
Vou até a cozinha tomar um café. Bill me vê e se aproxima.
- Preparado para hoje? - pergunta.
- Preparado para o qu... ah - lembro. Ele está falado sobre pedir Helena em namoro - acho que sim.
Bill sugeriu irmos para a Villa Borghese novamente. Andar de canoa. Ele disse que é bem romântico, eu tenho minhas dúvidas. Fico vendo TV com Helena e Bill, até Georg, Gustav e Guilherme terminarem nosso "banquete".
- Nossa... que belo boquet... banquete - digo brincando ao sentar na mesa. Os meninos fizeram macarrão com almôndegas. Está agradável.
- Medo de me engasgar com esse boquet... banquete - Gustav continua minha piada.
- Piadas de meninos são nojentas - diz Helena fazendo uma careta - alguém pegou minha escova de cabelo?
- Ah. Eu esqueci de dizer que peguei emprestado - fala Georg - está no meu quarto, pode pegar quando precisar.
- Só não entra quando ele estiver lá - digo olhando-a assombrado - já peguei ele fazendo Yoga nu uma vez.
- Mas é mais fresco - se justifica Georg. Todos rimos e quase que Gustav se engasga com o "banquete".
Nos arrumamos para sair, sinto que vou vomitar. Bebo água para me acalmar mas só me deu vontade de mijar.
- Tá tudo bem Tom? - pergunta Helena me vendo tomar mais água - você tá mais branco que leite.
- Comi algo que me deu dor de barriga - minto.
Ao chegarmos em nosso local de destino. Pegamos algumas canoas e nós dividimos em dois. Eu com Helena, Guilherme com Bill e Gustav com Georg. Eu já estava enjoado mas andar nessa canoa me deixou mais ainda.
- Você não quer ficar em terra firme? - pede Helena percebendo meu desconforto - Você parece estar enjoado.
- Já acostumo com a sensação - eu espero.
Depois de alguns minutos, que me pareceram uma eternidade, tomo coragem de dizer o que desejo.
- Helena. Eu... - tento lembrar do discurso que ensaei mas esqueci completamente. Improviso - sei que nos conhecemos a pouco tempo mas... sinto que te conheço a anos. De todas as garotas do mundo, eu me senti atraído pela mais perfeitas de todas, você. Sua presença me acalma e me anima. Estar com você é um dos momentos mais bons de meu dia. Já provei a dor de estar longe de você e não quero senti-la de novo. Não imagino uma vida feliz se não for ao seu lado. Helena Guimarães, você aceit...
De repente algo bate contra nossa canoa. Estávamos tão distraídos, que não lembramos de remar, e batemos em uma pedra. Mas esse não foi o pior. A caixinha de anéis que comprei. Caiu no lago. Sinto algo se despedaçar dentro de mim. Minha cabeça gira e me sinto tonto. Escuto Helena falando comigo mas não entendo nada. E então tudo se apaga.
Acordo no hotel com alguém do meu lado. Vejo Helena com lágrimas ainda molhadas em seu rosto. Com certeza vai brigar comigo por eu ter dado mais um susto nela. Seu cabelo está molhado e fico imaginando se já tomou banho, até olhar para o meu dedo. Sinto um arrepio, ao ver o anel ali e no dela também. Helena pulou no lago para pegar a caixinha. Sinto tantas emoções que não sei distingui-las. Eu definitivamente, amo essa garota. Me jogo por cima dela, abraço-a. Helena acorda em um pulo.
- Tom? Ah Tom - lágrimas novas descem por sua bochecha - você me assustou de novo.
- Desculpa - digo cheirando seu pescoço - só queria te pedir para ser minha.
- Mas eu sou sua - diz ela mostrando o anel - esse anel só é uma ligação, eu já te pertencia antes.
- Você pulou pra pegar? - pergunto me sentando.
- Sim - senta-se ela também - aposto que ficarei resfriada. Por uma boa causa.
- Posso... posso tentar de novo? - digo tirando meu anel.
- Claro que pode - diz entregando o dela.
- Helena Guimarães, pimentinha, garota dos olhos verdes, minha gatinha - digo tentando ficar sério - você aceita namorar comigo?
- Sim! Claro que sim! - lagrimas brotam em seus olhos novamente. Após eu colocar nossos anéis, eu a beijo. Um beijo lento e romântico.
- Eu também aceito!! - entra Bill pelo quarto me abraçando - que bom que acordou.
- Estou morrendo de fome - minha barriga ronca em resposta.
- É claro que está. Não comeu nada antes de irmos ao lago. Por isso desmaiou - diz Bill.
- Eu só não queria vomitar em Helena - solto uma gargalhada - de novo.
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Meu Imperfeito Amor - Tom Kaulitz
RomanceHelena Guimarães - originalmente brasileira; amante de guitarra e uma pessoa completamente anti-social - se vê obrigada a mudar-se para Alemanha e a morar com seu irmão por conta de problemas familiares no Brasil. Encontra-se trabalhando em um merca...
