- E como você tem tanta certeza de que ele quer algo a mais? - pergunto a Tom. Eu não estou entendendo o que ele quer dizer com isso.
- Porque, Helena, eu te olhava da mesma forma. E eu não queria ser só seu amigo - responde ele.
- Não... não, você está delirando - digo rindo dele - você só está falando isso porque ficou com ciúmes.
- Não. Eu estou falando sério. Você não consegue ver? - o Kaulitz me olha como se eu fosse uma criança burra.
- Você está enganado. Ele é só é legal comigo, nada de mais.
- Então você gosta dele? Mesmo você dizendo que não queria se misturar com a nova família do seu pai? Mesmo ele ter dito coisas horríveis para Bill? - Tom está perto e sinto o calor de seu corpo no meu. Está em chamas.
- Mas ele se desculpou... - tento dizer.
- Se alguém falasse coisas horríveis de seu irmão e pedisse desculpa, você agiria como se nada tivesse acontecido? - fico em silêncio. Não, eu não agiria como se nada tivesse acontecido - viu. Você sabe. Então por que não escuta o que eu digo?
- Porque não faz sentido Tom - olho para o mesmo que balança a cabeça em desaprovação - ele é meu irmão.
- NÃO HELENA, ELE NÃO É SEU IRMÃO - o Kaulitz grita me fazendo recuar.
- Ok. Pense o que quiser. Não quero discutir com você - tento manter a calma - eu vou voltar para o deck.
- É claro - ri de deboche Tom.
- O que? - pergunto me virando para ele.
- Você é muito boa, em fugir dos seus problemas - diz ele me olhando com raiva - Assim como você abandonou sua mãe, assim como nunca mais falou sobre aquele dia com as fãs.
Então, como uma avalanche, minha calma se esvai.
- Escuta aqui Tom - me aproximo dele com fogo nos olhos - Você está reclamando o dia inteiro. E eu tive que aguentar. Se você sabia que John ia ir junto POR QUE VEIO? Você está com inveja é isso? Só porque John é mais legal que você?
- Ok - o Kaulitz olha para os lados, mordendo os lábios de raiva - mas quando precisar de ajuda, vá pedir pro seu irmãozinho. E quando descobrir, não venha encher meu saco se desculpando.
Tom se vira e anda até o deck. Ele não olha para trás. Assim que o perco de vista, a culpa me atinge. Que cacete. Eu nunca penso quando estou com raiva, apenas digo o que sinto. John não é mais legal que Tom. Eu só disse para o magoar. Eu não sei porque ele acha que John quer algo a mais. Somos uma família. Precisamos viver em harmonia. Só porque um cara é legal comigo quer dizer que quer me pegar? Eu não entendo, de verdade.
Volto para o deck e vejo Tom sentado na carroceria da camionete. Ele me pega o olhando e desvia o olhar. Sinto vontade de pedir desculpas pelo que eu disse. Mas meu orgulho não me deixa. Bill vê a minha cara e chega perto de mim.
- O que aconteceu com vocês dois? - pergunta ele.
- A gente brigou. Por causa de John - digo.
- Posso saber o por quê? - pede Bill.
- Tom diz que John quer algo a mais. Que não me vê como uma irmã ou amiga - olho para Bill que assente em compreensão.
- Eu... meio que concordo com Tom.
- O que? - pergunto ofendida.
- Todos os meninos concordam na verdade. Pode ser só uma provocação para Tom, ou ele gosta mesmo de você - reponde Bill calmamente.
- Não. Me recuso a acreditar nisso - saio de perto de Bill e vou até meu Pai - a gente pode ir embora? Não estou me sentindo bem.
Nos dirigimos até o carro. Percebo o olhar de John em mim. Estou começando a acreditar nos meninos.
- Como John é com vocês? - pergunto para Milie e Josie após papai ligar o carro.
- Ele é bem querido, gentil e atencioso as vezes. Dever de irmão mais velho - responde Milie.
- Mas quando ele está com meninos, fala coisas estranhas - faz uma careta Josie.
- Ah... obrigada - respondo.
Passo a maior parte da viajem pensando no que Tom disse. Já está acontecendo muita desgraça na minha vida. John gostar de mim é uma das piores. Preciso falar com ele. Preciso saber a verdade.
Chegamos ao hotel e tento falar com Tom, mas ele se tranca no quarto. Bill me assegura que logo vai passar. Vou ao meus aposentos e toco guitarra. Paro assim que minha cabeça começa a latejar. Deito na cama e simplesmente apago.
Acordo e já é outro dia. Levanto correndo para ver que hora é, 6:30. Me arrumo para estudar. Vou até a cozinha fazer um café, até escutar barulhos estranhos vindo do quarto de Tom. Me aproximo e os barulhos aumentam. Gemidos. De prazer. Abro a porta e vejo o Kaulitz com outra garota. Olho para ele que ri da minha cara. Recuo do quarto, soluçando, ofegando, sentindo meu coração partido. E então acordo em um pulo. Minha respiração sai do controle e não consigo respirar. Tento me acalmar e lágrimas começam a sair de meus olhos. Fico ali chorando até meus olhos fecharem novamente. Até sonhar com aquela cena inúmeras vezes.
- Helena? - Uma voz me tira do mundo dos pesadelos - você está bem? Te ouvi gritando.
Gui me olha preocupado. Abraço ele e começo a chorar.
- Será que Tom nunca mais vai querer falar comigo? - digo entre lágrimas - você acha mesmo que John tem interesse em mim?
- Não acho que Tom nunca mais queria falar com você, só deixe ele se acalmar - Gui exita ao responder minha outra pergunta - E sim, acho que John te olha muito estranho para ser seu irmão.
- Eu não sei o que faço - soluço.
- Fala com ele. Com John. Fala pra ele parar de fazer isso. Ou pra ele explicar o que sente por você - ele suspira - desculpa. Eu realmente não queria que nos envolvessemos com a família do nosso pai. Mas eu senti saudade dele. De estar com ele.
- Eu sei. Eu também senti - fico em seus braços até ele sair de lá. Estudar foi horrível. Minha cabeça estava em outro lugar. Em John e em Tom. Pego meu celular e mando mensagem para Tom.
*Tom. O que você acha de sairmos hoje a tarde? Para um piquenique? Vamos conversar de forma civilizada*
*....*
Espero ansiosamente por uma resposta. Começo a roer minha unhas até chegarem na carne.
*Ok*
Dou um grito silencioso e quase caio da cadeira. Quero dizer a Tom que acho que ele está certo, e vou tirar as conclusões com John. Mesmo ele me dizendo para não me desculpar.
Espero que tudo dê certo.
>:)
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Meu Imperfeito Amor - Tom Kaulitz
RomansaHelena Guimarães - originalmente brasileira; amante de guitarra e uma pessoa completamente anti-social - se vê obrigada a mudar-se para Alemanha e a morar com seu irmão por conta de problemas familiares no Brasil. Encontra-se trabalhando em um merca...
