Capítulo 05

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RUMIA GREEN

Sinto este homem sobre minhas costas e culpo meu corpo por reagir, mas também estou morrendo de medo, terror, ele esteve ai o tempo todo? eu estava me vestindo merda! Será que ele é quem queria me pegar ontem a noite? Será que ele é um sadico sexual? Eu ja vivi de tudo nesta vida, mas não acho que estou pronta para viver um episódio de estupro, não em um vestiário da farmácia, Deus! Em lugar nenhum.

Minha respiração está fora do limite assim como as batidas do meu coração, ele em contrapartida parece o ser humano mais calmo do mundo, porém sinto sua ereção em mim e a consciência disso faz meus seios arrepiarem sob o metal do piercing e levantarem, olho para ele, seu rosto não muito visível na escuridão, mas a pele dele é clara, pálida, sombria, o cabelo preto está todo para trás deixando apenas dois fios escaparem para suas grossas sobrancelhas, ele também me olha e então seu olhar desce sobre mim, para meu corpo, meus seios, ele sorri, um sorriso cruel e posso ver a pequena cova em sua bochecha direita.

Seu dedo enluvado ainda sobre os meus lábios.

— Então o medo te excita...— ele aperta meu peito com o braço, os elevando e eu mordo meu lábios, sua voz é rouca e seu cheiro é delicioso, tenho vontade de inspirar e me matar, este homem pode me matar e eu quero sentir seu cheiro melhor? Que porra.— Pequena fugitiva?— agora ele desceu o dedo pelo meu pescoço, contornando ele até o bico do meu seio, minha respiração foge dos meus pulmões, meus olhos estão cheios, cheios de alguma coisa que não quero mencionar e meus lábios estão abertos, a garganta seca e as bochecas quentes e vermelhas de vergonha por mim mesmo, ele percebe.

Ele percebe tudo e ele ri disso.

— Você é muito mais interessante do que eu pensava.— é um sussuro bem direto no meu ouvido e isso enfraquece minhas pernas me fazendo quase escorregar de seus braços, ele ri, o som zombando da minha cara.— Sei seu segredo, Rumia!

Então o balde de água fria é jogado nessa hora, eu me desvencilho dele, ele deixa e o olho, os olhos arregalados porque:

1- Este homem é dos mais bonitos que eu já vi na vida, sobrancelhas grossas e fundas, cílios compridos quase batendo as próprias sombras, maxilar definido, pele limpa, claríssima, sua postura é reta e ele é muito alto, vestido de preto da cabeça aos pés. Ele é, estranhamente familiar
e
2 - Ele sabe meu segredo, ele sabe meu verdadeiro nome. Eu engulo e olho pelos lados procurando uma saída.

— Você não vai fugir de mim.— sua voz rouca me atinge mais uma vez e eu engulo dando um passo em sua direção eu soco seu pau duro e ele grita, não fico para nada, eu corro com tudo.

Eu corro porta a fora ouvindo Suzan me xingar eu não ligo, eu corro muito, eu não quero meu passado me assombrando mais uma vez, estou fora dele há muito tempo, uma década e este homem me chamou de Rumia, eu não ouvia esse nome há tanto tempo que me esqueci que era meu nome, quem é ele? o que ele quer de mim? Fico com ânsia de vômito e paro, eu já corri demais, vejo que estou quase no bairro da casa em que aluguei.

Não é nada chique como eu cresci, é um subúrbio onde tem milhares de drogados na rua, eu não olhei para trás e não vi ninguém me seguindo, eu encosto na parede sem fôlego e apoio as mãos no joelho puxando o ar, tremendo, quase chorando de medo, ontem fui perseguida, hoje— sei lá o que foi aquilo, mas isto não está seguro para mim, mas eu não tenho absolutamente nada, nada e nem ninguém para me acolher, eu fodi com tudo na minha vida, me meti em situações despereziveis e me submeti a muita merda, a única pessoa que confiou em mim e me aceitou como eu sou, eu traí. Então só me restou algugar um quartinho barato na casa de um velho barrigudo alcoólatra e rezar para ele não fazer coisas obscenas comigo, eu suspiro vigiando meus arredores antes de chegar na porta da pequena casa quase caindo aos pedaços.

Antes mesmo de subir os degraus eu avisto senhor Pablo, o dono da casa em que aluguei o quarto, parado na entrada com duas bolsas grandes, aquilo me parece ser roupa e aquela bolsa enorme de couro, me parece ser minha, eu o olho sem entender.

— Senhor Pa...blo.— minha voz falha, percebo que ainda não recuperei cem por cento da minha respiração.

— Ainda bem que chegou menina.— ele diz e então desce vindo ao meu encontro. — Você não pode mais morar aqui.— dou dois passos para trás incrédula.

— C-como assim?— ainda estou sem fôlego olhando desesperadamente para o Sr. Pablo.— Eu, eu paguei o aluguel deste mês, eu não fiz nada de errado.— lembro e ele assente.

— Eu sei menina.— diz e então estende o envelope branco na minha direção.— Mas eu não posso lhe ter aqui.— conta.— Me desculpa, aqui está o valor do aluguel que você já havia pago.— eu seguro o envelope ainda sem entender muito bem porquê que estou sendo expulsa.

— Por favor senhor Pablo.— agora sinto minha vista turva devido às lágrimas presas na garganta.— Só essa noite, eu não tenho para onde ir, por favor.— minha voz está embargada mas eu luto para soar firme.— Só hoje, até eu decidir ou procurar um outro lugar para morar.

— Não será possível, não quero estar envolvido em seus assuntos fodidos.— franzo a testa confusa.

— Desculpe senhor Pablo.— eu inspiro, tentando me acalmar.— Do que o senhor está falando? Que assuntos?— meu coração não me obedece porque ele bate forte no peito acelerando minha respiração e eu lembro dele, do homem alto de pele pálida e olhos sombrios que me espiava hoje no vestiário, será que ele tem alguma coisa haver? Ele me chamou de Rumia, o que ele quer comigo, afinal? O que ele sabe?

— Olha querida.— ele diz dando um passo a minha frente e toca meu ombro.— Vou pedir que se retire.— diz e então eu assinto, pegando as duas bolsas pesadas eu saio dali, andando a passos rápidos e olhando por cima do ombro procurando por alguém, ver se estou sendo seguida.

Meu aluguel é de apenas trinta dólares por mês e eu ralo para conseguir esse dinheiro, eu não posso nem alugar nenhum motel pelo menos para hoje a noite, estou com medo demais dele me achar, então eu engulo as lágrimas e o orgulho e vou para casa de Melanie, sei que é tarde da noite e que ela pode nem me aceitar mas eu preciso, pelo menos tentar. Eu pensei em pedir Patrick também, mas eu dormi em casa dele ontem, talvez antes de ontem também, tenho medo dele se irritar comigo e além do mais algo me diz que estarei mais segura com Melanie, porque Zion estará lá.

Eu já estou em sua porta depois de ter pegado um train vazio e mais um autocarro até sua casa, a cobertura de Zion fica em um bairro bem nobre e é no último andar. Observo meu reflexo no espelho, olhos vermelhos de lágrimas seguradas e covas enormes que estão ficando pretas, meu cabelo está todo desagrenhado, a blusa preta fina que eu visto está colada no corpo devido ao suor, meus olhos pálidos sem vida, eu sinto muito por mim e limpo com força as lágrimas que ameaçam cair, eu não tenho tempo para chorar, o elevador chega e eu entro no corredor de casa de Melanie e Zion e me atrevo a tocar a campainha, fico uns cinco minutos e quando estou prestes a tocar mais uma vez, à porta é aberta.

E então, eu fico sem fala!

CONTINUA....

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