Capítulo 52

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RUMIA GREEN

Abro os olhos bruscamente puxando o ar porque sinto ele sendo cortado de mim, meus olhos registam uma Cora furiosa apertando meu pescoço, tento afastar mas estou presa.

— O que você deu para ele? — ela vocifera apertando mais minha garganta. — Hã? O que você fez com ele? Que veneno você deu para ele saber distinguir nós duas? — a compreensão me preenche.

Ela se passou por mim para Marcus?

— Diga! Diga o que você fez! — seu aperto fica cada vez mais forte, meu rosto dói e não consigo respirar, ela me solta. — O que você tem de tão reconhecível que só de olhar pra mim ele soube? — ela está me perguntando mas não espera uma resposta, meu coração idiota bate uma vez acelerando com o pensamento. Marcus me conhece. Eu. Rumia.

Apenas com um olhar. Eu não deveria ficar feliz sobre isso.
Cora volta para mim, suas mãos na minha garganta mais uma vez cortando meu ar.

— O que você disse para ele Rumia, o que você deu para ele? — sorrio de canto, o máximo que consigo.

Olhe só... — sussuro fraca. — parece que quem não consegue ser eu é você Cora, estive muito bem me passando por você durante dez anos, você não conseguiu nem cinco minutos ser eu. — palavras erradas, eu escolhi.

Um tapa, uma queimação forte, um puxão nos tornozelos e pulsos. Muita dor. Meu corpo levanta tremendo e calor cobre minhas costas, pernas, braços, grito mas Cora aperta minha garganta me fazendo engasgar.

— Eu te odeio, eu te odeio, eu te odeio. — berra batendo minha cabeça contra o metal.

Rio, já não há nada que eu possa fazer.

— Me odeie o quanto quiser Cora, — respiro. — não tenho mais nada a oferecer pra você. — ela não fica feliz com minhas palavras e está batendo minha cabeça novamente, dor e muita dor que suporto.

— Frederico! — ela chama irritada e o homem volta, ele está com um arrame, quente, Cora coloca sobre minhas coxas, a dor arde, grito, choro, tento me debater mas não adianta, então respiro fundo e olho para a luz acima da minha cabeça. Arregalo os olhos me perdendo na luz, ficando cega.

A luz foca além do que preciso, não penso em nada, não sinto nada, não ouço nada, apenas... fico lá, olhando para a luz apagando todas coisas ao meu redor até que   tudo termine, até que eu parede de respirar.

— Rumia! — alguém bate minhas bochechas. — Rumia! — um tapa forte, meus olhos se viram, eu me vejo. Cora. — O que está fazendo? Você acha que não vai sentir nada? — ela da risada, chama Frederico e ele entrega uma seringa, ela pica meu braço, meus olhos se arregalam meu coração bate mais forte e meu corpo fica energético, sinto dores, muitas, meus olhos pesam se fechando. Frederico! Eu ouço Cora chamar, então ela tem uma fita cola nas mãos e cola meus cílios nas sobrancelhas, mantendo meus olhos abertos, lágrimas rolam, mais queimação, dores e muitas dores, meus olhos ardem querendo se fechar.

[...]

Você não acha que ela já deveria ter acordado? — ouço de algum lugar, meu corpo dolorido, boca seca e olhos pesadamente fechados.

Acredito que não senhorita.

Mas que droga.

WHERE IS RUMIA?Onde histórias criam vida. Descubra agora