Capítulo 14

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RUMIA GREEN

Preciso de um abraço,
Vodka
Xanax
Morfina
Cocaína

Eu realmente não sei, preciso de alguma coisa que me faça esquecer ou que me mate, eu estou morta na verdade, mas Deus me odeia, por isso ele não me leva, ele me deixa pagar aqui antes de me levar para eu ir pagar onde realmente devo, não sei onde doerá mais.

Eu olho de soslaio para Berlingam, ele está concentrado na estrada, eu vejo ele me olhando de soslaio também e vejo seus dedos ficarem brancos quando ele aperta o volante, seus olhos se escondendo debaixo dos cílios longos e das sombras grossas, eu me encolho ainda mais puxando seu sobretudo mais para mim, está gelado aqui, gelado e silencioso.

Eu quero lutar, eu não tenho nada a perder, mas estou de luto, agora não tenho forças. Estou chorando silenciosamente como uma criança, eu pensei que isso havia acabado, as lágrimas.

Mas aqui estão elas, caindo como uma cachoeira, eu me pergunto o que fiz para merecer isso, dai eu lembro o que fiz e quase sorrio amargo, dai eu me pergunto o que Patrick fez para merecer isso, dai eu quase rio novamente.

Ele me conheceu. Eu o matei.— eu olho para Berlingam me lembrar das palavras dele, eu mato todos que cruzam meu caminho, eu sou a verdadeira assassina, a vilã sou eu, sempre será eu, nunca serei a mocinha inocente em que as pessoas passam pano quando eram, eu pago pelos meus erros, pago eles da forma mais cruel e brutal. Sozinha.

Sem apoio sem nada e nem ninguém, estou sozinha— lembro mais uma vez, eu estou sozinha, não posso ir com Berlingam e talvez se eu escapar mais uma vez ele se canse de mim e me mate, isso, quero que ele faça isso, quero que ele acabe com a minha vida como eu faço com a das pessoas que cruzam meu caminho, não quero o matar como ele disse, quero que ele me mate.

" Minha assassina" — lembro de suas palavras enquanto eu estava aninhada em seu peito sugando seu cheiro e chorando. Não quero isso, quero que ele seja meu.
Quero que ele seja meu assassino. Assim será mais legal.

Eu chorei muito, meus olhos estão doendo demais, eu não quero mais chorar, mas não consigo parar, isto me lembra uma certa época que me levou a outra certa época e me trouxe a essa época, eu mordo meu lábio trêmulo e fecho os olhos, eu me arrependo porque vejo uma imagem minha mais nova— não, igual a mim, é minha irmã mais nova, então eu vejo meus pais também, somos todos loiros na família, eu adoro isto, meus pais parecem modelos de revista e atores de televisão, assim como minha irmã, eu não, eu não sei— ninguém nunca me disse nada disso.

" Papai posso pegar essa boneca"— eu pergunto, é uma boneca barbie com cabelos loiros e olhos azuis como eu. " Ela é como eu, olha"— coloco a boneca ao meu lado.

" Você ja tem muitas bonecas Rummy." Meu pai diz e pega a boneca colocando de volta na estante, eu mordo o lábio escondendo a vontade de chorar.

" Pai posso pegar?" Cora pergunta mostrando uma casa enorme da barbie.

" Claro meu amor." Meu pai diz e beija sua testa, eu engulo em seco e devolvo a tiara rosa que peguei, Cora tem uma casa daquelas e ela está pegando mais uma, porquê eu não posso?

Estou indo perguntar papai quando tropeço e caio em frente a um monde de brinquendos fazendo eles cairem e quebrarem alguns, eu olho para cima e vejo papai me lançando um olhar mortal.

WHERE IS RUMIA?Onde histórias criam vida. Descubra agora