Capítulo 50

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RUMIA GREEN

Pisco meus cílios tentando me orientar, suor cobre minha espinha, meus pés arrepiados, quando tento me mover, não consigo, me debato uma vez mas nada acontece, estou no escuro, sinto meus braços, pulsos, pernas e tornozelos fortemente amarrados, uma corda passa pelo meu tronco também, eu sinto isso, uma corda apertando minhas coxas, estou deitada, quando a compreensão me atinge, arregalo os olhos assustada, minha respiração acelerada e não consigo gritar, minha boca está igualmente bloqueada.

Faço sons tentando gritar mas tudo sai abafado, respiro alto pelo nariz, pânico surgindo, onde estou? A última coisa que me lembro é de fugir de Marcus, ele me achou? Rio, ele está me castigando por fugir dele, certo? Meu cérebro pisca brincando comigo quando braços finos me agarram, "achei você irmãzinha" a voz melodiosa soa lá dentro, balanço a cabeça fechando os olhos com força, respirando com força, me debatendo. Não consigo entender, quero gritar, levantar, correr, ir embora, mas estou presa, presa em um lugar escuro, pingos de água batem no chão, corvos cantam ao fundo, cobras provavelmente se arrastam pelo chão, há muitos barulhos da natureza.

— Está acordada mana? — meus olhos se abrem e viro o máximo que meu pescoço deixa, procurando, mas não acho, a voz é feminina, assombrosa, um pouco parecida com a minha, bile sobe pela minha garganta e eu respiro fundo.

De jeito nenhum.

— Você faz? — fecho os olhos com força quando uma luz branca é posta sobre meu rosto, respirando fundo eu abro os olhos devagar, quero fecha-los novamente mas não consigo porque... eu praticamente estou me vendo, longos cabelos loiros e brilhantes, olhos cristalinos, lábios cor de rosa sorrindo maliciosamente, maçãs do  rosto salientes e pintadas com blush de pêssego, meu reflexo em uma versão mais bonita, uma versão diabólica inocente, uma versão para qual eu jamais conseguirei alcançar por mais que eu tente. Cora, minha irmã gêmea, está bem na minha frente.

Se a dor das cordas não estivessse arranhando minha pele, eu juraria que isto é um sonho, minha respiração acelera demais, meu coração bate forte no peito, ela está viva? Desde quando? Onde esteve? Como ela está viva?

— Vejo que me reconhece, — ela se afasta, a luz ainda está em meu rosto, iluminando a sala, porão ou seja lá o lugar sujo em que estamos, suas botas brilham batendo no chão de madeira enquanto ela rodeia onde quer que eu esteja deitada, eu não estou na cama, minhas costas estão frias sobre o metal que deito. — afinal de contas, — Cora se volta para mim, me dando a visão do seu rosto impossivelmente igual ao meu. — eu sou você, você é eu.— ela sorri docemente.

Ainda estou chocada, muitas emoções misturam-se e eu honestamente não sei como reagir, não sei o que está acontecendo, ainda há uma possibilidade de eu estar dormindo no sofá de Marcus certo?

Errado! Algo vibra, fazendo meu corpo tremer e queimar quase se levantando do lugar em que estou deitada, meu choro é imediato, a dor é insuportável, meus gritos são abafados, Cora paira. Seus olhos furiosos, ela arranca a fita da minha boca e eu respiro só para ter ela cortando meu ar novamente quando suas mãos apertam minha garganta, engasgo.

— Você robou dez anos da minha vida Rumia. — ela diz, tão brava quanto aparenta. — Você me deixou para apodrecer, você esperava ser eu? Você conseguiu? Não certo? Aqui está uma coisa Rumia, você pode tentar mas nunca será eu, nunca! — tento respirar mas ela não me permite, ela me tem exatamente onde me quer.

Quando provavelmente meu rosto fica azul, é onde ela me deixa para respirar, puxo o ar mais rápido que consigo achando que ela vai cortar em breve, tusso, olhando pra ela de olhos arregalados, Cora se aproxima novamente.

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