RUMIA GREEN
Eu abro os olhos devagar quando a luz do dia preenche o quarto, eu me acostumo com a claridade, minha cabeça dói e meu corpo também, ontem eu chorei muito, chorei mais do que me lembro e acho que acabei desmaiando nos braços de Berlingam, sempre ele, sempre em seus braços quando tenho crises, em outra vida, eu poderia dizer que ele é o melhor amigo que eu poderia pedir.
Eu olho para o lado dele, ele não está, eu dou um pequeno sorriso, Berlingam me consolou como ninguém nunca havia feito, eu não sei como ele pode ser tão cruel e amoroso ao mesmo tempo, eu me pergunto se é por causa de Zion, ele é irmão mais velho e deve ser por isso, ele deve ter protegido Zion a vida toda que a tarefa de consolar alguém seja natural para ele.
Eu deslizo para fora da cama, meu corpo estremece pelo frio de Iceberg quando eu percebo que estou vestida apenas de uma camisola branca fina, eu paro em frente a mesa de Berlingam, é organizada e limpa, meus olhos ficam presos nos porta-retratos em volta, eu seguro o primeiro, é uma foto dele mais novo com seu irmão, Marcus está sorrindo largamente enquanto Zion parece emburrado segurando um carro de brinquedo na mão, eu sorrio vendo a foto.
Eles parecem tão inocentes e felizes, na foto, eles parecem ter sete e onze anos. Na outra foto, eles estão mais velhos, Berlingam com seu estilo de vampiro com sede de sangue e Zion com suas jaquetas pretas e cara amarrada, Marcus tem o braço em volta dos ombros de seu irmão que cruzou os dele, a última foto me faz apertar o porta retrato, é uma foto de Melanie e Zion, eles estão sentados no sofá e Melanie sorri enquanto Zion a aperta em um abraço, meu coração aperta de dor e eu me pergunto se algum dia serei amada desse jeito, eu gostaria que uma foto minha estivesse ai também, mesmo que fosse apenas para ele escrever maldições.
Suspirando da imaginação maluca, eu deixo o porta retrato e me sento novamente na cama, minha garganta está seca e eu estou com fome, puxo meus cabelos apoiando meus cotovelos em meus joelhos, eu considero a ideia de Berlingam, trabalhar para ele, tudo bem mas e depois? O que aconceretia? Se eu pagasse sua dívida. Para onde eu iria? Para quem eu voltaria?
Eu me jogo na cama ignorando a vontade de chorar. Passei as últimas semanas fugindo das mãos de Berlingam, mas para onde eu estou fugindo? O quê que me espera lá fora? Como eu vou recomeçar sem um centavo? Eu vou vender minha boca novamente? Eu balanço a cabeça em negação, meu olhar voa para a carteira de Berlingam pousada no criado, eu mordo o lábio e olho para a porta, talvez se eu roubar um pouco do dinheiro dele e fugir.
Mas espera? Eu poderia pagar a dívida e roubar o dinheiro pessoal dele e ir embora, até aí, ele já teria me libertado, então não precisa fugir, com o coração acelerado eu pego na carteira dele e controlo a porta, eu não sei com que confiança ele me deixou aqui sozinha, talvez ontem eu me mostrei muito vulnerável para ele e o mesmo amoleceu um bocado, eu quase rio do meu pensamento.
Abrindo sua carteira, não tem mais nada do que cartões pretos e dourados, eu suspiro e vasculho nos pequenos zípers e vejo alguns cartões de identidade e outros de acesso para certos clubes entre outras coisas, eu desisto jogando a carteita de volta, ele não anda com notas nem moedas e duvido que ele deixe seu código espalhado por aí, eu me jogo de volta na cama.
Meu estômago ronca novamente e então me levanto, caminho lentamente até a porta e minha boca se abre quando giro a maçaneta. A porta está aberta e não tem ninguém a controlar, eu arrisco e espreito, um longo corredor me espera parecendo sombrio e frio, eu piso o tapete cinza de veludo e aprecio a sensação do meu pé no tecido, eu respiro fundo olhando para cima procurando por câmeras, eu sinto que estou nesta casa há meses mas não apreciei nada dela, reviro meus olhos. Como se eu tivesse tempo para fazer um tour pela casa assombrada de Berlingam.
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WHERE IS RUMIA?
General FictionViciado era um eufemismo para o que eu senti quando meus olhos bateram naqueles cristais azuiz. Cora era um sonho, uma fraude, uma mentira distorcida que ela contou para si e levou os outros a afundarem no barco de mentiras. Mas ela era acima de tud...
