MARCUS BERLINGAM
Sigo Rumia devagar, ela desce as escadas pesadamente sua respiração preenchendo o local, seu choro soa alto no silêncio e eco das escadas. Quando chegamos ao último andar agarro seu braço mas ela escorrega de mim e corre para longe, vou atrás dela em direção a praia, está vazia, deserta, Rumia segura a região do peito como se quisesse arrancar, soluça e então grita, muito, ela se encolhe e cobre os ouvidos enquanto seu grito soa alto fazendo as ondas voarem batendo contra as rochas com força, seu cabelo voa para todos os lados e quando vejo que ela está se machucando me aproximo devagar, seguro seus braços e ela me olha.
Triste. Triste, triste, triste, vazia. Sem vida.
— Meu amor.. — ela choraminga e me abraça forte, sorrio levemente e passo meus braços por sua cintura, ela funga e se afasta, limpo suas lágrimas procurando em seu rosto qualquer coisa que não seja tristeza.
— Você sabe o que eu acabei de descobrir? — sua voz está pesada e rouca, toco seu queixo erguendo seu rosto para mim.
— Me conte — sussurro. Ela se senta sobre seus tornozelos e ri sem humor.
— Que matei meu irmão.
— Irmão?
— Éramos trigêmeos — comprimo os lábios sem saber muito o que dizer. — Então meus pais fizeram o inferno da minha vida porque seu filho precioso não nasceu, por minha causa, toda disgraça da minha vida começou enquanto eu estava na barriga da minha mãe — ela puxa seus cabelos atordoada — Droga Marcus, eu não entendo como é por quê você me ama,não pode ser real... não pode, ninguém nunca o fez você não... — ela volta a chorar, abraço ela aninhando a mesma em meu colo..
— Shhh — afago suas costas — está tudo bem. — ela treme em meus braços e deixo que ela chore tudo que precisa.
São três horas da madrugada quando Russiel me liga perguntando sobre nós, carrego uma Rumia adormecida e vou até nosso hotel, Turken me espera na porta e abre quando chego, subo até ao nosso andar e deito ela na cama tirando a areia do seu corpo e deixo ela dormir confortável, subo até ao andar de Russiel o encontrando inquieto.
— Você como sempre com ideias perfeitas — digo assim que entro, ele me entrega um copo de bebida, aceito porque vou perder a cabeça em breve.
— Eu conversei com Cora antes, eu sabia que a minha esposa estava disposta a conversar com a irmã — suspiro, pode ser.
— Eu entendo Russiel, mas Rumia viveu dez anos acreditando que a irmã está morta, ela viveu dez anos sofrendo e pegado outra identidade, eu tive minha cota no sofrimento dela quando a mantive cativa por quatro meses, então a irmã que ela acreditava estar morta volta, a tortura e ela descobre que está grávida de mim que estava com a irmã todo esse tempo? — Russiel assobia.
— Esqueci desse detalhe.
— É demais para Rumia, não vamos esquecer que ela só tem vinte e um anos. — ele franze o nariz.
— Estou casado com uma mulher de vinte e um anos? — ele levanta as sobrancelhas. — Meu Deus. — rimos. — São tipo, nove anos de diferença. — sussurra atordoado.
— Para vocês, eu tenho vinte e seis, então são seis.— dou de ombros.
— Certo — ele suspira. — Então como faremos? — minha vez de suspirar, termino minha bebida.
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WHERE IS RUMIA?
Ficción GeneralViciado era um eufemismo para o que eu senti quando meus olhos bateram naqueles cristais azuiz. Cora era um sonho, uma fraude, uma mentira distorcida que ela contou para si e levou os outros a afundarem no barco de mentiras. Mas ela era acima de tud...
