Capítulo 12

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RUMIA GREEN

Em outra vida eu poderia dizer " até que Marcus Berlingam não é tão ruim assim" mas ele é, ele é muito mais ruin do que parece, fingir não ter medo dele está realmente me ajudando a manter a calma, quer dizer, eu sei que há muita coisa em jogo, por isso eu decidi ir na sua e outra coisa que decidi também foi:

Ser insensível.

Eu amo Patrick, de verdade o amo, mas eu também me amo, eu acho, eu não tenho mais nada mas não posso permitir que Berlingam me tire esse nada que tenho, eu quero me segurar no nada, então eu deixo as coisas ficarem um pouco leves.

— Senhor, o voo é para as seis da manhã.— avisa seu segurança, Marcus olha o relógio de pulso e franze o rosto.

— Ainda são 4:00, que merda.— resmunga, estamos sentados na praça de alimentação onde ele teve a coragem de comer a minha frente.— Olha os problemas que você está me causando.— ele diz me fuzilando.

— Vá se foder e pare de me culpar.— eu digo e mordo minha língua, Marcus apenas sorri de canto, sua covinha aparecendo, seu cabelo está bem bagunçado, parece até um ser humano normal, ele também tirou o enorme sobretudo, tem uma camisa de gola alta preta assim como as calças e sapatos, eu ainda estou com as roupas esportivas, não é inverno mas está um pouco frio aqui, não sei por ser madrugada ou por estarmos em uma tensão que o clima decidiu mudar e acompanhar o ar frio e sombrio de Marcus.

Olho meus arredores, Marcus está ao telefone, Turken está parado próximo de nós e eu procuro uma saída, claro que quero inventar uma história de ir ao banheiro e correr na primeira oportunidade, veja bem, não estou desistindo, eu também pensei em procurar os pais de Patrick e contar tudo, talvez se eu procurar ajuda as coisas melhorem, não posso não tentar, eu vou falar com Melanie também, vou tentar, pelo menos.

— Humm.. Berlingam.— ela levanta o olhar para mim assim como uma das sobrancelhas.— Preciso ir ao banheiro.— digo ele me olha desconfiado.

— Você pode aguentar até o voo.— diz e volta a atenção para o celular.

— Não, não posso.— digo e ele cemicerra os olhos para mim.— Escuta, estou muito apertada, preciso ir,— ir embora, mas claro que não digo isso.— Eu juro.— forço uma voz manhosa.

— Vamos.— arregalo os olhos.— O quê? A você não confio ninguém.— diz e fala algo com Turken.

— Hum, bom saber que você é meu guarda costa pessoal, me sinto emocionada.— digo enquanto ele segue ao meu lado.

— Tente outra Rumia.— ele fala com a voz rouca e eu me permito o observar um pouco quando ele estica o pescoço e bagunça seus cabelos, então eu me lembro do vestiário da farmácia e algo aquece dentro de mim.

Não, não, você não está indo para lá. — No banheiro ele se nega a ficar de fora.

— Você não pode entrar.— vai estragar meus planos.— É o banheiro feminino!— digo o óbvio.

— Eu sei, mas não confio em você.— diz e me empurra.— Entre ou estamos voltando.— fala seco.

— Não vou fazer xixi com você aqui dentro, além do mais vai deixar outras mulheres desconfortáveis!— informo.

WHERE IS RUMIA?Onde histórias criam vida. Descubra agora