Capítulo 06

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RUMIA GREEN

Meu coração pula do peito e eu tenho vontade de sair correndo, mas meus pés estão cravados no chão macio, eu engulo em seco observado Melanie me obervado, ela, ao contrário de mim, está linda, os cabelos escuros deslizando pelos seus ombros e braços finos, ela veste um cropped de alças e um short folgado preto, ela está descalça me fazendo ver suas unhas do pé bonito pintados de rosa, me sinto tão inferior, Melanie não fala nada, apenas fica parada no batente da porta me observado.

— Oi.— digo depois de uns bons minutos em silêncio, ela continua calada.— Eu...— olho para meus próprios pés, tênis nike surrado, engulo em seco.— Eu...— não sei como trazer isso atona..— Melanie.— eu suplico olhando seus lindos olhos, Melanie tem uma expressão confusa no rosto, sempre achei ela linda de todas as formas.— Me desculpa.— digo por fim envergonhada.— Eu só estava passando? eu não deveria ter vindo.— digo e dou meia volta esperando que ela me chame, esperando que ela fique curiosa sobre o porquê eu ter vindo aqui mas ela não fala nada, Melanie não me chama, ela apenas fecha a porta com muita força fazendo o som me assustar e eu dar um pulinho, eu comprimo os lábios e jogo a cabeça para trás impedindo as lágrimas e sabendo que ela tem razão de ainda estar brava comigo.

Eu fui uma filha da puta.
Eu sou uma filha da puta.

Então eu pego o elevador, descendo e ligando para a última pessoa que me resta. Patrick. Ele atende no segundo toque.

Oi cupcake.— diz, a sombra de um sorriso na sua voz e algum barulho de música nos fundos.

— Heey.— tento soar animada, mas ele está provavelmente em uma festa e nem deve perceber que estou triste e com medo.— Posso passar a noite na sua casa?— sou direta, porque estou cansada e com medo.

Quê?— ele grita do outro lado, provavelmente não ouviu por causa da música.— Não estou te ouvindo direito.— ele grita mais uma vez e grita com algumas pessoas antes do barulho ficar abafado e ele rir um pouco.— Desculpa Cupcake, o que estava dizendo?— já consigo o ouvir bem.

eu afasto o celular do ouvido fungando.— Queria perguntar se posso dormir na sua casa hoje, também.— falo baixo com medo dele não aceitar, mas Patrick é uma boa pessoa, então ele aceita.

Claro Cora!— ele concorda como se fosse um absurdo.— Meu Deus, você sabe que Micasa es tu Casa, você pode dormir lá hoje, amanhã, depois eu não tenho problema nenhum, mas hoje eu não estou ai, estou em uma festa do caralho, sinto muito ta bom? Chegarei tarde, você sabe onde ficam as chaves e já tem seu quarto.— alguém o chama, são duas vozes femininas gritando em coro.— Preciso ir cupcake, falamos amanhã!— ele diz antes de desligar e eu solto um suspiro de alívio.

Mais uma lágrima escorre sobre a minha bochecha, mas eu limpo e então pego um uber para casa dele, eu poderia poupar dinheiro e pegar um ônibus mas eu não estou em condições de ficar apertada, não sinto ninguém me seguir e me sinto um pouco aliviada, mas isso não demora muito porque quando chego a mansão do Patrick, os habituais guardas foram trocados, eu começo a me sentir ofegante, talvez eu esteja paranóica ou algo assim, mas eles me parecem muito sérios só para controlar um portão.

— Boa noite.— falo, eles são gigantes e olham para baixo.— Am..— troco o peso das pernas.— Sou amiga do Rick.— uso o apelido dele para verem o nível de intimidade.— Venho aqui sempre, vocês podem liberar minha passagem?— eles se olham e então deixam eu passar, achei que seria difícil mas a facilidade também me deixou um pouco apreensiva, eu balanço a cabeça ignorando qualquer sentimento suspeito e então entro, eu pego as chaves por baixo do chão falso e abro a porta entrando na sala gelada da casa de Patrick.

Seus pais são médicos cirurgiões privados então eles estão sempre viajando para tratar pessoas, Patrick praticamente mora sozinho nessa mansão e o cheiro que habita aqui não é dele, quer dizer toda casa tem um cheiro específico de alguma coisa e não é isso que estou sentindo, eu sei o cheiro da casa de Rick, mas talvez eu também esteja paranóica, estive olhando por cima do ombro, ninguém me seguiu, eu não sei qual era daquele cara, mas eu definitivamente sei que ele é um homem importante que convenceu Senhor Pablo a me expulsar, aquele homem nunca falou tão gentilmente comigo como ele esteve falando hoje enquanto me expulsava e isso era algo suspeito.

Eu engulo em seco sentindo ainda mais o cheiro masculino forte e bom, eu me pergunto se Patrick trocou de perfume, ele sempre comentava comigo que viu uma linha nova, talvez seja isso, eu estou alucinando, "meu quarto" fica no segundo andar, era uma área para spar mas acabaram não fazendo e o pai de Rick transformou em mais um quarto de hóspedes, eu abro a porta, a escuridão me atinge e o medo me sobe, então eu ligo o interruptor me virando para jogar minhas malas no chão quando o vejo. Sentado na cadeira com uma perna por cima da outra e o braços de cada lado da cadeira, me esperando.

Eu gritei, alto, eu nem sabia que estava gritando até notar seu sorriso presunçoso me fazendo ver a covinha em sua bochecha.

— Você demorou!— ele diz sua voz rouca me atingindo, seu rosto bem visível sob a luz amarelada do quarto, eu balanço a cabeça várias vezes, incrédula, estou dando passos para trás, querendo sair mas a porta é brutalmente fechada, ele não parece estar com pressa.

Eu bato na porta gritando por socorro e puxo a maçaneta várias vezes o controlando, mas ele apenas está sentado como se fosse um Deus! Merda! Merda! Merda! Eu sabia que algo estava errado mas ainda assim me subestimei, eu engulo em seco, me recusando a chorar, eu já estou mostrando meu medo para ele. Eu paro de gritar e puxar a porta porque não adianta, então eu olho pelo quarto tentando procurar uma saída e ele ri ao perceber.

— Você está presa.— ele informa e eu fecho os olhos com força tentando acreditar que isto é um pesadelo e eu estou dormindo no meu quartinho da casa do Senhor Pablo ou tirei uma soneca no balcão esperando alguém vir comprar alguma pílula.

Mas então eu abro os olhos e ele continua ali.

— Ainda estou aqui.— ele zomba, puxando seus cabelos para trás uniformizando, ele cruza as mãos sobre seus joelhos e joga a cabeça para o lado me olhando sarcasticamente, então ele se levanta, Deus, ele é alto.— Sinceramente estive fazendo uma aposta comigo mesmo sobre que horas você entraria por essa porta.— ele diz vasculhando o quarto, abrindo as gavetas e vendo tudo.

Eu tenho tantas perguntas, tantas e a principal dela é Porquê?.

— Você demorou muito Rumia.— ele se vira para mim.— E isso me deixou muito irritado, porque eu quero acabar com isso de uma vez, mas você.— ele da um passo na minha direção e eu dou um para trás, bato na porta e ele ri em um passo ele já me prendeu.— Eu odeio esperar.— ele diz e cola seu corpo no meu, seu perfume invadindo forte minhas narinas e eu me odeio por querer inalar mais do que ele está me dando.— Só espero...— seu dedo enluvado está em meu queixo me forçando a olhar seu rosto sombrio.— quem eu quero foder.

Ali, exatamente neste momento, eu congelo.

CONTINUA....

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