MARCUS BERLINGAM
São exatamente três dias que venho torturando Rumia e me surpreendo por ela ainda não ter enlouquecido, Cora quis porque quis acompanhar tudo e eu não pude negar, afinal estamos ajudando um ao outro, ela fez a maior parte do trabalho mas graças a Deus ela viajou para França e eu pude deixar Rumia descansar, eu pretendia ir ao porão mais tarde para ver como ela está.
Toda vez que a assustávamos eu me perguntava qual era sua reação, medo? Não me parece, medo é o que ela está sentindo nesse exato momento enquanto me encara, ela é realmente fugitiva e eu nem quero saber como ela saiu de lá, mas não posso deixar de sentir um pouco de orgulho dela.
Eu guardo cautelosamente minha xícara na mesinha de centro e me viro para ela.
— Supondo que subiu para conversarmos?— falo casualmente e massageio meus dedos sobre o couro das luvas.
Rumia ri com escárnio.
— Melhor você me deixar ir ou eu mato você agora mesmo Berlingam.— ela diz, um brilho em seus olhos lindos e dessa vez não é de medo, ela observa o ambiente procurando lugares em que possa fugir.
— Você pode tentar.— cruzo meus braços.— No entanto seria uma perda de tempo.— digo e ajusto meus cabelos.— Largue a arma Rumia. — não digo isso por medo, mas por causa do tremor de suas mãos, ela segura com força apontando para mim.
— Não vou ficar aqui Berlingam, não vou deixar você me torturar e me fazer de seu brinquedinho.— ela diz com raiva e eu assinto.
— Tudo bem, os dias de tortura acabaram, você pode começar a trabalhar para mim.— eu sorrio para ela que me olha incrédula.
— Berlingam, me liberte ou eu mato você.— ela fala, parece firme e eu assinto, eu dou um passo em sua direção e ela da um passo para trás.
— Vá em frente.— eu digo dando outro passo e ela outro para trás.— Escute para você atirar em alguém você não pode fugir dessa pessoa.— eu falo calmo vendo seus olhos amedrontados mas também ansiosos.
— Não chegue perto ou eu não pouparei sua vida.— ela diz seus dedos ficando brancos de tanto apertar a arma.
Rumia é linda demais, mesmo suada com os cabelos grudados em sua testa e alguns fios em sua boca rosa, ela usa minhas roupas, provavelmente não percebeu, eu tinha uns quinze anos quando entrava naquelas roupas mas ainda é um pouco largo para ela, eu pedi Greta que a trocasse assim que pegamos ela toda molhada e tremendo de frio por causa de ter pego chuva enquanto fugia. Sua respiração acelerada faz seu peito subir e descer rápido, o piercing no seu mamilo marcado e empurrando seu peito na minha direção como se pedisse ajuda, Rumia certamente está pedindo.
— Me mate então.— dou de ombros.
— Berlingam...— ela avisa e eu inclino a cabeça para o lado. — Eu vou atirar.
— Besteira.— reviro os olhos.
— Não estou blefando, vou matar você.— diz firme
— Deixa disso Rumia, largue essa arma e vamos combinar suas tarefas.— eu me aproximo dela e quando eu menos espero ela atira em mim.
Ela. Atira. Em. Mim. Porra! Ela atirou!
Eu arregalo os olhos com o estrondo da bala, ela atingiu meu ombro fazendo eu cambalear para trás o sangue escorrendo do meu braço, Rumia parece assustada e recua. Eu tiro minha arma do coldre.
— Se você fugir eu também atiro em você.— eu digo apontado e ela ri fraco.
— Foda-se.— ela diz e se vira para correr mas eu acerto seu tornozelo fazendo ela gritar e cair no chão.
Turken e mais alguns dos meus homens apareceem.
— Filho da puta.— Rumia grita e tenta se levantar mas cai no mesmo instante, eu quero ir até ela e checar seu tornozelo.— Eu vou matar você Berlingam!— quando ela aponta a arma para mim mais uma vez um dos meus homens agarra seu braço e o tiro cai em qualquer canto, Rumia grita frustrada.
— Tragam a porra de um médico, rápido!— eu digo vendo mais sangue escorrer do meu ombro.— Levem ela para a sala de exames.— aponto e aceito a ajuda de Turken para me levar também.
Rumia grita chora se debate arranha meus homens mas eles a carregam, sangue escorre de seu tornozelo e então o que ela fez bate minha mente, não entendo essa porra de orgulho que insiste em mim, ela passaria por tudo para se proteger, para se salvar, para ser livre.
— O médico está a caminho.— Turken diz e eu assinto, ele ajuda a parar o sangramento antes de Matteo entrar pela porta com um estrondo.
— Senhor Berlingam!— ele abre sua maleta vindo em minha direção mas eu aponto para Rumia.
— Cuide dela primeiro.— eu digo e ele franze o nariz.
— Mas senhor, seu braço e..— ele se cala com meu olhar e então vai até onde Rumia se encontra, ela não protesta, Rumia limpa furiosamente as lágrimas e morde o lábio com força provavelmente escondendo o grito quando Matteo começa seu trabalho.
Assim que termina com ela ele trata de mim, todos seguranças sairam e só ficou Turken, ele está ao lado de Rumia garantindo que ela não fuja enquanto eu estou sendo enfaixado, com toda essa ligadura na porra do meu ombro e peito será difícil tomar banho e eu terei que ser limpo— palavras de Matteo, eu olho para Rumia para que ela saiba que quem fará isso é ela.
Ela apenas revira os olhos e cruza os braços provavelmente me xingando com todos os xingamentos do dicionário, mas essa não é a preocupação inicial, eu acho que estou louco porque quando Rumia atirou em mim, além de estar orgulhoso dela por saber ou tentar sobreviver.
Eu... bem.. meio que fiquei com tesão.
Foda-se que mulher foda. E é por isso que ela não está fugindo de mim, nunca, para isso ela terá que me matar e sinceramente? Estou bem com isso.
Eu arrisco mais um olhar para ela que está me encarando, eu sorrio fazendo ela virar a cabeça com força e revirar os olhos mas eu noto o pequeno rubor em suas orelhinhas.
Minha adorável fugitiva.
CONTINUA...
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WHERE IS RUMIA?
General FictionViciado era um eufemismo para o que eu senti quando meus olhos bateram naqueles cristais azuiz. Cora era um sonho, uma fraude, uma mentira distorcida que ela contou para si e levou os outros a afundarem no barco de mentiras. Mas ela era acima de tud...
