RUMIA GREEN
Eu observo a porta fechada me negando a acreditar nos meus próprios pensamentos, eu até rio deles, eu só estou em uma fase sensível e estou criando cenário, não tem como gostar de Berlingam, ele não é um homem bom e deve estar me torturando psicologicamente. Suspirando eu decido me arrumar para ir tomar o café até porque estou morrendo de fome.
Talvez com esse treino, se eu treinar com Berlingam quem sabe com sorte eu não o soque até a morte, assim eu me livro dele de uma vez.
Eu sou rápida no banho porque meu estômago ronca como nunca, então ao sair visto apenas um short esportivo e um top de ginástica, eu coloco o tênis e me olho no espelho, ainda não gosto cem por cento da minha imagem, não me reconheço como Rumia, por mais que eu tenha ido a festa daquela menina como Rumia, não me sinto Rumia suficiente.
Será um longo processo.
Abro a porta do quarto e arregalo os olhos levemente surpresa ao ver um homem alto parado ali, é, Marcus não ia me deixar sozinha mesmo.
— Bom dia.— digo olhando para ele, ele parece jovem, mais velho do que eu e provavelmente mais novo do que Marcus.
— Bom dia senhorita Hazelbenx.— ele da espaço.— Vou acompanhá-la para a sala de refeições para o seu café.
— Ah... não precisa de chamar de senhorita Hazelbenx.— olho para ele.— R..— paro, não sei que nome devo usar, eu sei que Turken me conhece como Rumia, mas e os outros?
— Senhor Berlingam deu ordens para me referir a senhorita como e apenas senhorita Hazelbenx.— conta, eu assinto.
— Tudo bem, como você se chama?
— Ben.— reviro meus olhos e passo por ele sentindo o mesmo descer atrás de mim.
Quando chegamos a sala de refeições meu estômago da uma cambalhota e minha boca saliva com tanta comida, Céus! Faz tanto tempo que não como algo bom, eu corro para a mesa e me sento atacando quase tudo de uma vez, então percebo que Ben está ai, soi uma esfomeada sim, mas ele não precisa me ver assim, engulo em secone como direito.
— Você já tomou seu café Ben? Você pode se sentar se quiser.— eu digo apontando uma das dez cadeiras vazias, ele balança a cabeça em negação. — Bem, você já tomou café?
— Já.
— E então? — tento puxar assunto.— Onde o Berlingam foi?— ele franze as sobrancelhas.
— Trabalhar.— é minha vez de franzir as sobrancelhas.
— Eu sei nem, mas tipo, o que ele foi fazer?— dou uma trinca do bolo.—
— Não divulgamos assuntos relacionados a posição do chefe.— fala firme.
— Qual é? Sou praticamente amiga do Marquinhos.— ele franze o nariz.
— Até onde eu saiba a senhorita é um negócio da máfia e vou pedir que não se repi— ele se cala com o estilhaço na sua testa e eu percebo que é o copo que eu segurava, eu joguei bem direto na testa dele e o copo quebrou, eu também estou em pé, empurro a cadeira e dou a volta até ele.
— Estava tentando ser amigável com você Ben, mas pelos vistos você não quer então eu vou respeitar isso mas antes vou pedir uma coisa, nunca mais fale comigo desse jeito, eu não sou um negócio da máfia, filho da puta do caralho.— empurro ele e saio dali às pressas, eu corro para o 'meu quarto' e bato a porta me trancando lá dentro.
Respirando fundo eu deslizo sobre a porta e me sento com as pernas puxadas para mim, talvez eu fiquei tão irritada porque Ben está certo.
Sou apenas um negócio da máfia, de jeito nenhum tenho um valor significativa a não ser aquele em que devo pagar, eu deveria fugir e pedir ajuda para um agiota, depois ficaria a espera dele me matar, é preferível ser morta por um agiota do que que por Berlingam.
Berlingam tortura primeiro, ele quer ver você sofrer e implorar para morrer, um agiota não deve ter tempo para isso, ele deve só cobrar e ir embora, mas um mafioso? Eu estou vivendo isso, eu não duvido que Marcus esteja me torturando me iludindo sobre minha liberdade mas no momento em que eu pagar sua dívida ele pega minha vida e se alimenta dela, ele é um vampiro que se alimenta do sangue dos outros e eu terminei com ele.
Ele está demorando, eu quero arrancar aquela porcaria de coração dele, quero que ele prove do próprio veneno. Pulo assustada quando o vidro da janela se estilhaça.
Quê?— Franzo as sobrancelhas para uma caixa preta com um grande laço rosa foi lançada, suspirando eu engatinho até perto de onde a caixa caiu e abro. Tem uma fita cassete, eu encaro confusa e me levanto espreitando pela janela mas não vejo nada além das árvores e piscina.
Me sento na cama e ligo o único botão da fira, sussuros e passos começam, reviro meus olhos esperando que isso não seja mais um jogo daquele idiota do Berlingam, eu vou cortar as bolas dele.
"Rummy, espera"
Eu congelo quando ouço a voz de Cora e arregalo os olhos.
"Rummy, não vai embora, me espera por favor". Sua voz é infantil e chorosa enquanto ela chama por mim.
"Rummy por favor, não me mate, desculpe" sacudo a cabeça freneticamente quando o áudio fica repetindo essas coisas e jogo para longe apavorada.
— Não.— sussuro me afastando.
A fita continua chamando meu nome e a voz fica distante e sombria, mesmo que ela tenha estilhaçado continua gritando por ajuda e chamando meu nome como uma maldição. Corro até a porta mas tropeço no caminho quando vejo a porra de um vulto, o que vem a ser isso? Eu engulo engatinhando até a porta e giro a maceta mas ela não abre.
Porcaria, eu juro que vou matar Berlingam!
— Abre a porta Marcus!— bato com minha palma girando a maçaneta freneticamente.— Ben! Abre essa porta caralho, abre a porra da porta por favor.— engulo apavorada quando a voz começa a ficar mais alta e robótica, eu ouço passos, eu ouço sussurros, suspiros, choros.— Socorro, socorro abram essa porta.
Meu peito sobe e desce freneticamente enquanto eu olho apavorada para meus arredores, eu olho para a porta do closet me perguntando se tem alguma coisa lá que posso usar para me defender mas esse pensamento vai além quando vejo sangue escorrendo no chão.
— Não, por favor abram essa porta!— grito sem forças porque tudo mistura-se e eu não consigo mais respirar, minha visão fica turva e minha mão desliza da maçaneta enquanto eu me coloco em posição fetal esperando que os pesadelos me consumam.
Ou,
que Marcus me engula.
CONTINUA...
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WHERE IS RUMIA?
General FictionViciado era um eufemismo para o que eu senti quando meus olhos bateram naqueles cristais azuiz. Cora era um sonho, uma fraude, uma mentira distorcida que ela contou para si e levou os outros a afundarem no barco de mentiras. Mas ela era acima de tud...
