Capítulo 10

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RUMIA GREEN

Eu respiro fundo apreciando o bairro vivo e movimentado: CalRise é um dos bairros elites de Suntowen, eu não sabia que poderia correr tanto assim, eu estou correndo desde o meio dia, parando apenas para comer uma barrinha e beber muita água, eu não ouvi nada desde que sai do centro de Suntowen, então acredito genuínamente que Marcus Berlingam desistiu de tudo e se foi.

Quando acalmar os ânimos talvez eu volte, ou não.
Mais para frente eu vejo várias bancas em fileiras e respiro aliviada, várias pessoas em volta— É uma feira. Eu corro até lá e entro sendo recebida pelo cheiro de diversas especiarias.

— Boa noite.— eu sorrio para um garoto parado por trás de uma banca de tacos.— Prove esses deliciosos tacos, são só oito dólares.

— Vou querer um, obrigada.— eu entrego o dinheiro para ele que sorri, é fofo, sua pele escura brilha sob as luzes amarelas da banca, ele também é forte, braços grandes e tatuados.

— Aqui.— seu sorriso é lindo.— Posso oferecer a você um drink? É um suco de cana, ali na banca da minha irmã.— aponta e eu viro olhando na direção, a garota tem seus traços e parece ser mais velha.

— Pode ser.— ele fala com alguém nas sombras e então mais um garotinho o subistitui atendendo o pessoal que estava atrás de mim, ele compra o suco para mim e então caminho com ele enquanto conversamos.

— Você não parece ser daqui.— ele diz enquanto paramos em um riacho, por cima da para ver o telão enorme que exibe publicidades recentes.

— Sou do centro.— digo dando uma mordida no delicioso taco.— Está muito bom.

— Legal.— ele se vira para mim.— Fazemos feira todas sextas-feiras, depois explodimos fogos de artifícios.— conta.

— É legal.— eu como mais e tomo o suco, agradecendo por este garoto conversar comigo pois assim eu posso esquecer que estou sendo seguida e que são meia noite e qualquer coisa, eu espero realmente que Berlingam não tenha feito nada.

— Você é muito linda.— ele comenta e eu sinto minhas bochechas corarem um pouco, faz tempos que não ouço elogios sinceros.

— Muito obrigada.— digo e olho para ele que parece meio tímido.

— Não, não, não agradeça.— diz e quando ele está prestes a falar mais alguma coisa tudo fica escuro nos fazendo ficar em alerta, minuto depois as luzes voltam, mas o telão não exibe mais anúncios.

"Notícias de última hora, aconteceu há poucos minutos um acidente grave no centro de Suntowen, a vítima, Patrick Foster, foi levado imediatamente para o hospital mais próximo"

O garoto que me vendeu tacos está falando mas eu não escuto mais nada, minha visão fica turva e eu me lembro, eu me lembro das palavras dele, eu lembro das ameaças, eu me lembro dele.

"meia noite"— eu o subestimei, eu fugi e achei que Patrick estaria fora de perigo sendo que ele me avisou, deixou isso muito claro, eu olho para o telão onde mostra o local de acidente e vejo, é realmente o carro de Patrick, é realmente a mãe de Patrick gritando para deixarem ver seu filho enquanto os paramédicos o levam, é realmente o pai de Patrick tentando acalmar sua esposa, as lágrimas caem e então eu vejo, em algum canto da tela eu o vejo, ele está sorrindo e tem o dedo enluvado sobre os lábios, então eu sei, que me fodi.

— Está tudo bem?— o garoto pergunta, meu peito afunda e eu o olho.— Você está bem? Você conhece o cara do acidente?— ele parece levemente preocupado.

— Pre-preciso ir.— eu entrego os tacos e suco para ele, então eu faço o que sei fazer de melhor, eu corro.

— Ei, espera!— ele vem atrás de mim mais eu sou mais rápida.
Tão rápida que em segundos eu estou na paragem de ônibus ou o ônibus está perto demais.

O motorista está gritando as cidades que ele passará e eu entro, mais dois passageiros entram e então arrancamos, eu sinto meu corpo tremer, medo, frio, arrependimento.

Eu deveria ter o escutado, mas fui egoista e só pensei em mim, eu fui uma péssima amiga mais uma vez. Em alguns minutos— ou horas eu realmente não sei, chegamos em suntowen e eu corro para o hospital que os pais de Patrick trabalham quando estão cá, eu entro desesperada e corro para a recepção.

— Boa noite, boa noite, Patrick Foster foi trago para cá, preciso saber dele!— exijo a recepcionista que me olha com um pouco de pena e eu percebo que estou com lágrimas nos olhos e devo estar uma merda.

— Humm..— ela olha o computador.— Ele chegou aqui meia hora, seu caso é grave, ele perdeu muito sangue, ele está na UTI.— diz e despedaço, literalmente, eu recuo me negando a acreditar que ele seria capaz de ir tão longe.

— Não.— limpo nervosamente às lágrimas que insistem em cair, eu achei que haviam acabado.— Por favor me diga que não.— peço, talvez seja um pesadelo.— eu abraço meus braços, eu não tenho mais meu moletom, ele deve ter caído em algures enquanto eu corria, o ar frio arrepia minha pele enquanto eu ainda estou em negação.

— Infelizmente não posso lhe dizer o contrário.— ela fala dócil.

— Posso ver ele? Por favor, isso tudo é culpa minha eu pre—

— Ainda bem que você sabe!— a voz que sempre foi doce e elegante hoje está fria e irritada, eu olho para mãe de Patrick, ela está com as roupas de medica, provavelmente está atendendo seu próprio filho.

— Senho..— slap.Eu sinto meu rosto virar com a força de sua mão, seguro minha bochecha.

— Saia daqui.— ela aponta nervosamente.— Por sua culpa meu filho está no estado que está.—- ela diz.— Sempre soube que você não era uma boa influência eu não te quero mais perto do meu filho! Você quem meteu ele nesse mundo de viciados e agora causou o acidente dele!— ela diz nervosa.

— Por favor não é isso, eu só.—

— Saia!— ela grita.— Você é uma maldição e eu quero você longe do meu filho e se ele não sobreviver Cora Green.— ela me empura com seu dedo forte em meu ombro.— Vou atrás de você e vou processar você!— ela me empurra forte.— Seguranças!— e então eu estou saindo do hospital sendo arrastada e envergonhada, chorando e sem a oportunidade de ver meu melhor amigo nem que seja por um cheirinho.

Fora do hospital, sou jogada no chão pelo enorme segurança e tremo, abraçando meu corpo eu deixo as pessoas passarem e me olharem com pena enquanto ganho forças, eu não sei o que fazer, eu não quero nem morta ir até Berlingam porque isso é tudo que ele quis e eu não vou até ele, eu não!

Mas acho que não será preciso nem? Porque ele é minha sombra, ele me persegue, por isso estou me sentindo no ar, quando Berlingam me eleva em seus braços fortes eu sinto o cheiro de seu perfume misturado com o couro de seu sobretudo, para piorar a grande cena dramática acontece algo raro em suntowen, começa a chuviscar e eu tremo em seus braços e soco seu ombro enquanto choro e deito minha cabeça em seu peito.

E eu me odeio por isso.

CONTINUA...

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