MARCUS BERLINGAM
Rumia estava com a respiração calma enquanto dormia na minha cama, eu a subestimei, ela é forte e determinada, ela conseguiu escapar mais uma vez.
Eu delineio os traços delicados de seu rosto, eu adorei tomar ela e adorei a forma como ela me mordeu, aquilo só me deu mais prazer se ela acha que pode me machucar mordendo meu pau, eu mostrarei a ele que sou a porra de um caçador sadomasoquista. Eu desenho seu ombro fino passando pela clavícula, ela se remexe, depois que ela apagou em meus braços, minha empregada deu um banho quente a ela e vestiu a camisola que ela não queria, ela está coberta até a cintura, está frio lá fora, mas aqui dentro tem aquecedor, ela ficará bem.
Rumia se remexe murmurando algo, eu fico em alerta vendo seu corpo estremecer.
— desculpa mamãe.— sua voz soa infantil.— Pesadelo, ela está tento pesadelos ou lembranças em forma de sonhos, meu coração aperta, eu queria poder fazer alguma coisa.— não mamãe.— sua vozinha soa mais uma vez.
— Rumia.— chamo calmamente mas ela não se mexe.
— Não, não.. por favor pare.— ela se emarranha nas cobertas e grita e se debate, eu me levanto para ir pegar um pouco de água e um calmante para ela, quando volto ela já está sentada na cama encolhida chorando.
Eu paro observado ela limpando agressivamente suas lágrimas antes de olhar para o lado onde eu deveria estar, ela solta um suspiro e se abraça, eu desejo que seja eu a consolondo mas a ideia soa ridícula, Rumia faz respirações profundas e puxa seus cabelos do rosto, ela provavelmente já aprendeu a se consolar.
Quanto tempo ela ficou sozinha com esses pesadelos a assombrado? Respirando fundo eu entro no quarto.
Ela me encara e por um momento vejo a suplíca em seus olhos cristalinos mas isso logo passa, ela vira o rosto apertando seus joelhos. Engolindo em seco eu deixo a água e a pílula no criado e me sento na cama olhando atentamente pra ela.
— Por quê acordou?— finjo não saber, ela respira fundo antes de me encarar.
— Estava planejando minha próxima fuga.— fala furiosa.
— Cuidado Rumia.— aponto.— O que aconteceu há pouco tempo foi uma pequena demonstração do que acontece quando alguém me desafia.
— Você poder foder minha boca, meu cu minha boceta e todas as partes do meu corpo mas eu não vou desistir Berlingam.— ela aponta o dedo para sí.— Lutei toda a minha vida por mim e não será hoje que vou parar por causa das suas ameaças, eventualmente você vai se cansar.— ela diz firme e eu fico orgulhoso dela.
Forte pra cacete.
— Você poderia facilitar seu trabalho.— ela me olha confusa, eu me reencosto mais na cama.— Rumia te ofereci um trabalho, você só precisa fazê-lo até quitar sua dívida.— ela franze as sobrancelhas.— Você não acredita em mim?— Rumia ri com escárnio.
— Você é um mafioso Berlingam, como é susposto eu acreditar?— ela cruza os braços e isso faz com que seus pequenos peitos sejam empurrados para cima, eu aperto o lençol antes de voltar para seu rosto.
— Escute, você é uma pedra no meu sapato e tudo que quero é que você pague sua dúvida.— em um impulso eu toco seu joelho, ela não se afasta.— Eu posso ser o chefe mas existe outras pessoas na hierarquia e elas não estão nada felizes com os resultados do prejuízo que você causou, o Cartel mexicano está a um ponto de parar de vender para mim, para isso Rumia, eu preciso castigar a pessoa que me danifiou.— eu respiro estudando seu rosto.— E para isso você tem que cooperar, se você não pagar, eles vão te fazer pagar e Rumia... não será gentil como eu.— ela ri, o som preenchendo o quarto silencioso.
— Sim Berlingam, eu vi o quão gentil você pode ser.— ela fala.
— Se você não fugisse em todas as oportunidades.— dou de ombros.— Talvez já nem estaríamos nos vendo essa hora.
— Você matou meu melhor amigo!— lembra.
— Não.— eu aponto.— Você matou seu melhor amigo, você sabia quais eram os termos e condições Rumia e mesmo assim você ignorou.— ela me assassina com os olhos.— Além do mais aquele cara nem era tão bom assim.— ela ri.
— Ele era meu melhor amigo, ele foi a pessoa mais importante da minha vida quando todos me viraram as costas.— é minha vez de rir.
— Ele era um completo babaca Rumia!— falo quase irritado, ela chia desacreditando.— Oh, você não acredita em mim?— eu puxo meu celular e procurando nos meus documentos eu acho a conversa que gravei para ocasiões futuras, eu encontro e dou play.
— Mas e então, eu ouvi que uma tal de Cora paga um bom boquete.— é minha voz, Rumia me olha com nojo.
— Sim cara, eu também ouço muito, mas a Cora está em uma situação difícil agora, estou pensando em comer ela no futuro.— Patrick fala e da uma risadinha no final.
— Afinal ela não era sua irmãzinha? Sua melhor amiga?— pergunto fingindo confusão.
— Que porra melhor amiga, eu só estou garantindo meu boquete gratuito, ela é só uma vagabunda que deu para metade da cidade em troca de cocaína, acha que quero uma irmã assim? Eu estou apenas esperando o momento certo para atacar aque—
— É suficiente!— a voz fraca de Rumia corta e eu paro, ainda tinha mais coisa, eu vejo Rumia estremecer e uma lágrima cai de sua bochecha ela puxa seus joelhos para o peito e esconde o rosto nele.
Minha mão para no ar quando eu percebo que estava prestes a tocar suas costas, Rumia treme de choro e eu apenas sento lá esperando. Mas esperando o quê? Eu afasto seus cabelos que voltam a escorregar.
— Rumia.— falo calmo.
— Eu confiei nele.— ela se levanta me surpreendendo.— Eu confiei nele Berlingam!— seus olhos são bonitos mesmo ela chorando, suas bochechas molhadas fazem minha mão coçar e eu alcanço seu rosto.—Eu achei que ele valia, eu achei que ele era meu melhor amigo, eu..— ela engole e eu enxugo sua lágrima.
— Ele era um idiota, mas não se preocupe com isso, eu já me livrei dele.— digo estranhamente irritado por ver ela sofrer assim.
— Porquê?— ela sussura me olhando como se eu tivesse todas as respostas do mundo.— Porquê que isso só acontece comigo? Será que no dia que eu matei Cora assinei minha sentença também?— ela pergunta desesperada.
Você não matou Cora.— as palavras coçam na minha língua, é de cortar o coração ver ela assim.
— Eu não fiz de propósito, eu juro!— mais lágrimas caem e eu limpo, cada uma dela.— Eu não queria, ela me irritou e eu já estava no meu limite, eu juro!— ela diz parecendo uma criança com medo de ser punida.— Eu não quis matar ninguém, eu juro mas isso não acaba nunca, porquê?— seus olhos estavam cansados e ela estava muito triste e desperada.
Eu não aguentei e puxei Rumia para mim, eu a envolvi em meus braços apertando seu corpo contra o meu sentindo ela apertar o meu de volta.
Rumia soluçou agarrando se a mim com muita força e pedindo desculpas, meu coração bateu forte no peito e eu senti como se devesse proteger ela de todo mal do mundo.
Porra Cora, o que você fez com sua irmã?
CONTINUA...
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WHERE IS RUMIA?
General FictionViciado era um eufemismo para o que eu senti quando meus olhos bateram naqueles cristais azuiz. Cora era um sonho, uma fraude, uma mentira distorcida que ela contou para si e levou os outros a afundarem no barco de mentiras. Mas ela era acima de tud...
