Camila, recém-chegada a New Richland, aceita trabalhar como assistente pessoal da renomada bailarina Lauren Jauregui, única sobrevivente de um trágico acidente familiar. Determinada a juntar dinheiro para deixar a cidade onde foi obrigada a morar, C...
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A princípio, penso que meus ouvidos me pregaram uma peça. Que Lauren na verdade não aceitou, mas eu precisava tanto ouvir sua aceitação, que quando ela disse: "não posso fazer isso", eu escutei o contrário.
— Sério? – Busco seus olhos, sua verdade, e embora Lauren não esteja sorrindo com os dentes, ou demonstrando estar tão feliz que poderia pular, ela assente com a cabeça.
— Não quero que você vá – ela acaricia minha bochecha com o polegar. – Não quero que isso acabe.
Meu peito inteiro é submetido a uma onda de calor que se espalha por todo meu corpo, e não consigo ter outra reação senão envolver meus braços nela e a abraçar com força. Lauren retribui, contornando minha cintura, me prendendo a ela, e eu posso, finalemente, respirar aliviada. Permanecemos naquele abraço por um tempo, até que eu sinta a necessidade de mais, então, afasto apenas meu rosto, e selo nossos lábios. Levo uma mão para sua bochecha, Lauren prontamente pede passagem com a língua, e eu cedo. O beijo toma um ritmo lento, mas intenso, e quando termina, é por meio de selinhos e sorrisos, que ela acaba soltando também.
— Então quer dizer que agora eu tenho a liberdade de criar cenas de ciúmes abertamente? – Pergunto, ainda colada em seus lábios, e Lauren ri.
— Você já fazia isso.
— Mas agora terei razão – deixo mais um selinho em seus lábios, e me afasto, porque sinto vontade de espirrar. – E eu queria te avisar que sou bem ciumenta.
Minha garganta dói quando finalmente espirro, já perto do banheiro.
— Eu já sei disso – Lauren recua alguns passos para trás, para conseguir apoiar os quadris na cômoda de madeira branca, e cruza os braços, me vistoriando de cima a baixo. – Agora sério, você pode colocar uma blusa? Talvez tenha sido seus peitos que me fizeram aceitar.
Ela está com um sorriso de canto quando termina de dizer, e isso me faz sorrir também, indo de encontro com a minha mala.
— Então deu certo – finjo uma comemoração, e seu sorriso se alarga, enquanto os olhos acompanham meus movimentos ao me abaixar para pegar a única blusa de alça fina que pretendia usar. Mas meu corpo está sofrendo com calafrios, e tenho certeza que vou sentir frio caso ficar tão descoberta assim.
— Como vamos funcionar? – Lauren pergunta, de repente, enquanto estou separando um moletom. – Eu quero dizer, nós. Eu não estava exagerando quando disse que realmente não sei como isso funciona.
Eu ganho tempo para pensar no que dizer enquanto me enfio em uma calça de tecido mole, mas grosso, assim como a blusa. Sei que usar muitas roupas pode parecer um afastamento de qualquer convite sexual que possa vir a surgir durante a noite, mas estou com frio, e não vou ficar me arrepiando e tremendo nas mãos dela. Lauren desfaz os braços quando me aproximo, e deixa que eu me encaixe nela.