Camila, recém-chegada a New Richland, aceita trabalhar como assistente pessoal da renomada bailarina Lauren Jauregui, única sobrevivente de um trágico acidente familiar. Determinada a juntar dinheiro para deixar a cidade onde foi obrigada a morar, C...
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Quando acordo, com o corpo todo dolorido, a primeira coisa que penso é que tudo que aconteceu durante a madrugada foi um delírio. Sei que tive febre alta, que Lauren cuidou de mim e me colocou na cama, quando eu já estava me sentindo melhor, mas o que saiu da sua boca e o que ela fez –coisas das quais eu me lembro perfeitamente bem– são tão irreais e inacreditáveis que não consigo aceitar no momento em que abro os olhos.
Mas então, quando desperto o suficiente para entender que estou nos braços de Lauren, aconchegada em uma conchinha invertida menor, as lembranças se tornam mais críveis.
Meu rosto está contra seu peito, seu cabelo caindo pela minha bochecha, e eu tento aspirar o cheiro do shampoo dela, mas meu nariz está congestionado. Minha garganta volta a doer quando me lembro disso, e sou obrigada a me afastar dela da forma mais lenta e cuidadosa possível para conseguir me levantar, tão sorrateira quase não fiz barulho nenhum. Ainda assim, Lauren resmunga um pouco, mas vira o corpo para o outro lado, ainda adormecida.
Eu suspiro aliviada, e confiro minha temperatura antes de qualquer coisa. Estava esquentando novamente, então vou em busca da cartela de remédio que me lembro de termos deixado na sala. Tomo um, e logo me enfio debaixo da água, evitando molhar o cabelo e acabar pegando mais friagem –que irônico, eu ficar gripada em Los Angeles.
Me banho e me troco com as palavras de Lauren se passando pela minha cabeça. Ela dizendo que se importava comigo mais do que pensava, ou me descrevendo na sua visão. Sorrisos bobos surgem toda vez que sua voz aparece no fundo da minha mente, e não luto para escondê-los. Acho que o maior motivo para que eu pense que tudo foi um delírio é porque Lauren dizer aquelas coisas estando totalmente sóbria me parecer irreal demais.
Quando termino de me vestir, com uma blusa larga e um short comum, volto para a cama com meu telefone em mãos, mas me mantenho afastada dela o suficiente para não a acordar. São nove da manhã agora, e o compromisso que tínhamos é apenas as duas da tarde, então tenho tenho para me sentir um pouco menos pior. Meu corpo está mole, e sinto cansaço de fazer míseros movimentos. Além da garganta, que está doendo como nunca, e o nariz escorrendo.
Escoro a cabeça na cabeceira acolchoada da cama, esticando minhas pernas, e checo minhas notificações. Havia mensagens de Gracie, perguntando se eu estava melhor, o que me faz acreditar que Lauren pediu socorro a ela, de madrugada. De Dinah, comentando algo sobre a nova garota que ela está saindo, uma tal de Normani. E de Harry, comentando sobre ontem. Respondo as duas mulheres primeiro, e abro a conversa com ele em seguida. A primeira mensagem dele foi às oito e vinte da noite, quando eu já estava dormindo, e as demais, uma da manhã.
H: Oi. H: Você ficou com raiva pelo o que aconteceu? Não foi minha intenção, eu só estava muito nervoso, não aguentava mais ver a Laur sendo uma idiota e agir como se nada tivesse acontecendo. H: Está tudo bem entre a gente?
Quero começar a digitar freneticamente, dizendo que ele não tinha o direito de me expor daquela maneira. Tanto em relação aos meus sentimentos, quanto a revelação no meio de outras pessoas, em ambiente de trabalho, mas não estou com paciência para iniciar uma discussão agora, e não quero fazer isso por mensagem também.