BAD HIDING PLACE

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Capítulo final

Duas despedida

O caixão estava fechado. Optamos por deixar assim. Ela não iria querer ser lembrada daquele jeito. Nunca tivemos uma conversa sobre como gostaria de ser enterrada, já que era mais provável que eu morresse primeiro. 

Estou realizando essa maldita tradição com um gosto amargo na boca. Não gosto da ideia de ele entrar na minha casa e eu não poder fazer nada. 

Ele está por trás do que aconteceu com a Clarisse. Se duvidar, foi ele pessoalmente quem a fez sofrer em agonia até seu último suspiro de vida. 

— Meus pêsames, senhor D'Angelo. — Um forte sotaque russo chamou minha atenção. 

Meus lábios se curvaram num sorriso ladino ao ver meu amigo de anos à minha frente. Ele usava um terno preto, igual aos outros, como forma de demonstrar respeito pelo luto da nossa máfia. 

— Sem formalidades, Nikolai. — Lembrei-o, recebendo um sorriso de canto. — Fazia séculos que você não saía da sua toca. — Argumentei, já percebendo que havia algo errado. 

— Tenho alguns assuntos para resolver aqui. — Ele pegou duas taças quando o garçom passou ao seu lado, estendendo uma para mim. — Um desses assuntos tem conexão com a sua família. 

Ergui a sobrancelha, intrigado com sua fala. Nikolai é o mafioso da Rússia. Nunca sai de lá, a menos que haja uma guerra acontecendo. 

Ele tomou um gole demorado da bebida, deixando o suspense no ar, uma tentativa óbvia de me instigar. 

— Não. — Dei minha resposta antes mesmo de ele terminar. Já sabia o que queria. Não era difícil decifrar suas intenções ao vir até aqui, ainda mais com os boatos circulando sobre minha esposa ter ressuscitado com três filhos. 

É bem normal que em velórios surjam rumores, mas é mais difícil alguém perceber que, ali mesmo, está acontecendo uma negociação de aliança entre máfias. 

— Não precisa ser a garota. Pode ser o menino. — Explicou. — Que tal o garoto que se chama Lorenzo? Tenho uma filha um pouco mais nova que ele e… 

— Não pretendo fazer alianças neste momento, Nikolai. — Fui direto, percebendo uma movimentação estranha na entrada. 

— Hn, você está em guerra com seu irmão. Uma aliança agora cairia bem. — Argumentou, tentando me persuadir. — Seu filho, cedo ou tarde, vai precisar se casar. Minha filha também. 

Era um fato que eu não podia negar. Infelizmente, na máfia, ninguém tem o direito de casar apenas por amor. Às vezes, no meio do casamento, acabam encontrando o amor verdadeiro… ou vivendo um inferno. 

— Não quero casar minha filha com qualquer um. — Nikolai suspirou. — Sei que você é confiável, e seu filho deve ter herdado isso de você. 

— Você não deveria ter tanta fé no meu filho. — Declarei. — Ele pode ter puxado a mim, mas isso não significa que sua filha estará segura com ele. 

Terminei minha bebida e aproveitei a passagem do garçom para deixar a taça na bandeja. 

— Mas a sua filha estaria segura com o meu filho. — Afirmou, seus olhos brilhando com determinação. Ele veio decidido a me fazer aceitar essa aliança. 

Uma sensação de estar sendo observado me invadiu. Meus olhos analisaram a sala, passando por vários grupos de pessoas conhecidas e desconhecidas, até se fixarem no canto mais vazio do ambiente. 

Lá estava ele, segurando uma taça e me encarando. Fez um sinal de cumprimento de longe. 

— Com licença. — Peço, sem tirar os olhos dele. Ele era como um fantasma: se você pisca, ele desaparece. 

IMAGINES : ND E SN ( Não Revisado )Histórias para pegar e não largar. Descubra agora