Bad hiding place

975 56 19
                                        







Parte 1/3

Soltei um suspiro ao ver as coisas do funeral chegando. Clarisse era tão jovem, cheia de vida e alegria. Um dia viva, no outro... não mais.

Um aperto se instalou no meu peito. Esse sentimento me acompanha desde cedo. Respirei fundo, soltando o ar devagar pelos pulmões.

- Está pronta para irmos? - Michael perguntou, surgindo de repente na minha frente.

Os homens entraram carregando o caixão de Clarisse. Eu e Michael nos afastamos um pouco para deixá-los passar.

- Não. - A palavra escapou sem que eu percebesse. Pisquei, desnorteada, por alguns segundos e encarei Michael. - Tem certeza de que está tudo protegido?

Ele franziu o cenho, erguendo uma sobrancelha, mas logo sua expressão se desfez, dando lugar a um sorriso zombeteiro.

- Não confia no seu esposo? - Ele se encostou na parede, me encarando com brilho nos olhos.

Revirei os olhos.

- Eu confio. Só que... - fiz uma pausa, pensando se deveria contar sobre o pressentimento que vinha me atormentando.

Ele provavelmente riria da minha cara e diria que estou me preocupando à toa. Encarei-o por alguns segundos, antes de suspirar.

- Esquece. - Respondi, encarando a porta aberta. Franzi o cenho e pisquei algumas vezes. Não era ilusão. - Oh, céus!

Me afastei de Michael, caminhando até a porta com os braços abertos.

- Não acredito que você está aqui. - Falei sorrindo, abraçando minha amiga.

- Também não esperava vir. - Ela respondeu, retribuindo o abraço.

Celeste era uma amiga que fiz durante os anos em que estive longe do Hn. Morávamos no mesmo prédio, no mesmo andar. Nossos filhos tornaram-se amigos e, com o tempo, nós também.

Senti os olhos de Michael sobre nós. Parece que ele ainda não superou o que sente por ela. Soltei uma risada discreta, me afastando e procurando seu filho.

- Cadê o seu filho? - Perguntei, estranhando a ausência dele.

Observei atentamente seu semblante. Ela estava abatida, com olheiras fundas e olhos inchados.

Eles se encheram de lágrimas antes de ela me abraçar novamente. Demorei a entender, mas logo retribuí o abraço.

Aconteceu.

Ela não entrou em detalhes, apenas disse que o filho nasceu com uma doença muito rara, sem tratamento. Ele poderia morrer a qualquer momento - qualquer dia, qualquer minuto... qualquer segundo.

Ela sempre ficava desesperada nos passeios escolares, mas o deixava ir. Sempre esperava o pior, mas... não havia acontecido. Até agora.

- Eu sinto muito. - Murmurei, com os olhos ardendo.

Ficamos abraçadas por alguns segundos, até ela se recompor. Forçou um sorriso, e eu o imitei, apertando levemente sua mão.

- Ele está internado. - Celeste ergueu o rosto, provavelmente tentando segurar o choro. - Ele quer muito ver seus filhos.

Assenti com a cabeça.

- Ele vai ver. - Confirmei. - Onde ele está internado? Podemos ir agora.

Barulhos atrás de mim me lembraram da presença de Michael. Celeste desviou os olhos dos meus e olhou para minhas costas.

IMAGINES : ND E SN ( Não Revisado )Histórias para pegar e não largar. Descubra agora