O tempo, que antes parecia arrastar-se, saltou. Sete dias.
O vento suave cantava magicamente na colina, carregando consigo o aroma doce da mana purificada e o silêncio sagrado de um refúgio esquecido pelo mundo. Ali, no topo onde o tempo parecia ter desacelerado sua marcha implacável, sete dias haviam se passado como se fossem um único e eterno suspirar.
O pós-casamento de Lucas e Athanasia não foi marcado por banquetes barulhentos ou exigências cortesãs, mas pela entrega absoluta de duas almas que haviam lutado contra o céu e o inferno para finalmente pertencerem uma à outra.
Todos os dias, sob o manto do alvorecer ou à luz prateada do luar, eles se amavam com uma intensidade feroz e renovada, descobrindo cada centímetro da pele do outro como se fosse sempre a primeira vez.
Contudo, na sétima manhã, o silêncio da colina foi quebrado por um murmúrio sufocado.
Athanasia despertou sentindo um peso incômodo no baixo ventre, uma dor aguda e pulsante que fez suas sobrancelhas se contraírem. Ao mover-se devagar sobre o dossel de seda branca, o roçar do tecido revelou algo estranho. Ela puxou o lençol com as mãos trêmulas e seu coração errou uma batida. Entre a brancura impecável do linho, havia uma mancha vívida de sangue. Não era o sangue da perda de sua virgindade — afinal, aquele ninho de amor testemunhou a união visceral de seus corpos inúmeras vezes ao longo daquela semana. Era um sangue escuro, denso. Sangue menstrual.
Suas cólicas confirmavam o inevitável: seu ciclo havia chegado.
Um soluço doloroso escapou dos lábios de Athanasia. Ela cobriu o rosto com as mãos, e lágrimas quentes começaram a rolar sem controle por suas bochechas. A dor física das cólicas não era nada comparada à devastação emocional que se instalou em seu peito. Ela queria tanto... desejava com todas as forças de seu ser sair daquela colina carregando o fruto do amor deles. Queria que a primeira vez que se amassem como marido e mulher tivesse gerado a vida que tanto sonhavam para o futuro do novo império. Saber que seu ventre permanecia vazio a mergulhou em uma tristeza avassaladora.
O som do choro baixinho fez Lucas despertar instantaneamente. Os olhos vermelhos como rubis, antes enevoados pelo sono, focaram-se na figura encolhida ao seu lado. Ao ver o sangue nos lençóis e notar as mãos de Athanasia pressionando o próprio ventre, o mago sentiu o mundo girar.
"Athanasia..." A voz dele saiu rouca, carregada de um alarme imediato. Ele se aproximou, envolvendo-a nos braços e puxando-a contra o seu peito nu, cobrindo-a com o próprio corpo para aquecê-la. "O que houve, meu amor? Onde dói?"
"Lucas..." Ela soluçou, escondendo o rosto no pescoço dele, apertando-o com os dedos trêmulos. "Chegou... meu período chegou. Eu não consegui... nós não conseguimos. Eu queria tanto sair daqui grávida de você..."
As palavras dela caíram sobre ele como lâminas afiadas. Por dentro, um conflito interno devastador o rasgava ao meio. Ver o choro convulsivo de sua esposa, sentir a dor sincera e a frustração no peito dela fazia seu próprio coração sangrar. Ele queria confortá-la, queria prometer o universo inteiro, queria desesperadamente tirar aquela dor do rosto dela.
Lucas odiava vê-la chorar; ver Athanasia sofrer era o único tormento capaz de desestabilizar o mago mais poderoso do mundo.
Porém, sob a camada de sofrimento por ver o choro dela, um alívio sombrio e avassalador tomou conta dos pensamentos de Lucas. Ele respirou fundo, fechando os olhos com força para que ela não visse o tremor em seu olhar.
Ela está salva.
Aquele sangue significava que Athanasia não estava gerando um bebê. Significava que a maldição de mana que ceifou a vida de Diana não iria consumir o corpo de sua amada. Athanasia estava viva, intacta e segura.
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Find You
Fanfiction"De olhos fechados, o que consegue ver, Athy? (...) Se for a escuridão, saiba que essa é a minha vida sem você. E a beleza que vê agora... (...) É como está começando a ser minha vida ao seu lado." "Está vendo as estrelas, Lucas? (...)Quando olhar o...
