Ubi!

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Athanasia ainda abraçava Lucius, enterrando o rosto nos cabelinhos pretos e macios, inalando o cheirinho de bebê que sentia tanta falta. Mas seus instintos, agora afiados como o de uma leoa, não a permitiu baixar a guarda por muito tempo. Seus olhos azuis safira, ainda marejados da saudade, desviaram-se do bebê que tinha como um filho e varreram o quarto, focando na figura rígida de Claude.

O Imperador de Obelia enrijeceu sob aquele escrutínio.

Claude percebeu, no mesmo instante, que a filha estava absorvendo cada microexpressão sua. E não demorou mais que dois segundos para que o olhar de Athanasia descesse para as mãos dele. As bandagens espessas, exalando o cheiro forte de poções curativas de alto nível, gritaram para ela que algo terrível havia acontecido.

"Papai..." A voz de Athanasia vacilou, o pavor substituindo a alegria. Ela se inclinou, os olhos arregalados. "Suas mãos... o que aconteceu com as suas mãos?!"

Antes que Claude pudesse formular uma mentira ou uma desculpa para poupá-la, um som partiu o coração de todos no quarto.

Lucius, sentindo a angústia na voz de Athanasia e olhando para as mãos enfaixadas de Claude, pareceu compreender, de alguma forma instintiva e espiritual, que ele era o epicentro daquela dor. O pequeno lábio inferior do bebê tremeu. Seus olhinhos esmeraldas se encheram de lágrimas grossas e, de repente, ele desatou a chorar. Não era um choro de manha, mas um lamento culposo e dolorido, que fez o dragãozinho sibilar baixinho em solidariedade.

"Vovô..." Lucius choramingou entre soluços, as mãozinhas gordinhas se esticando na direção de Claude, enquanto sua vozinha infantil tentava desesperadamente formar frases. "Dodói... Lus... dodói. Vovô mau... vovô bom... Lus dodói vovô bom..."

O choro sentido do bebê atingiu os adultos como um soco.

Athanasia cobriu a boca, chocada e emocionada, mas foi Lucas quem se moveu primeiro.

Lucas, cuja aura antes esmagaria montanhas, aproximou-se com uma suavidade irreconhecível. Ele pegou Lucius dos braços de Athanasia e o ajeitou contra o próprio peito. O bebê enterrou o rostinho na curva do pescoço do homem que conhecia como pai, chorando suas culpas de colo.

"Psiu... está tudo bem, pirralho, o papai está aqui." Lucas murmurou, embalando o filho adotivo com uma ternura que desafiava sua fama de monstro. Ele limpou as lágrimas de Lucius com o polegar, tentando decifrar o dialeto embolado. "Alguém tentou machucar você? E você sem querer machucou o vovô que você ama pra se defender, é isso?"

Lucius fungou e concordou com a cabecinha, apontando para as ataduras de Claude.

Lucas estreitou os olhos carmesins e apontou para o sogro. "Foi ele? Esse vovô emburrado aí tentou te machucar?"

Lucius arregalou os olhos e balançou a cabeça negativamente, de forma frenética, abraçando o pescoço de Lucas. "Não! Vovô bom! Vovô Cal bom!"

Nesse exato instante, Hades adentrou o recinto. O Imperador de Sycansia sorriu ao ver o neto acordado, mas seu sorriso vacilou ao ouvir o choro angustiado da criança. Sua imponente figura, trajando terno e capa escuros, carregava a autoridade de um deus da escuridão, mas seus olhos mostravam apenas preocupação paternal.

Lucas olhou para o pai e, em seguida, apontou o dedo para ele. "Foi aquele ali, Lus? Esse vovô grandão que cheira a enxofre é o vovô mau?"

Hades ergueu uma sobrancelha, ofendido, mas Lucius voltou a negar energicamente, os cabelinhos negros balançando. "Na-Não! Vovô Ha bom!"

O clima, que poderia ter sido cômico, de repente afundou em uma escuridão gélida.

Claude fechou os olhos, os punhos enfaixados tremendo ao lado do corpo. Ele sabia que a verdade iria invocar a fúria implacável de Lucas, mas esconder aquilo de Athanasia era um crime que ele não cometeria.

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