• Sofia •
O Danilo rodou a chave na fechadura e veio até mim com um pano nas mãos.
Danilo: Agora você não vai poder gritar. - Ele me forçou a abrir a boca e colocou o tecido entre meus lábios, logo em seguida amarrou o pano atrás da minha cabeça.
A partir desse momento eu já não me importava mais em chorar. As lágrimas rolavam sem parar e o medo corria pelas minhas veias. Minha vontade era ter forças pra correr dali e fugir pra bem longe, onde ninguém me achasse.
O Gabriel amarrou as minhas mãos, tentei fugir mas o Danilo me segurava forte e me dava alguns socos pra me fazer parar de debater. Ah, como eu odeio a minha vida!
O Gabriel prendeu as minhas mão em um local dá parede e me pôs de costas pra eles. Os soluços do choro ficavam cada vez mais intensos.
Danilo: Calma gatinha. - Passou uma das mãos na minha cintura. - Você já deveria ter se acostumado com isso. - Beijou minha orelha. Tentei gritar mas o pano impedia que o som saísse.
Em um único puxão o Gabriel rasgou minha blusa e me deu uma cintada. Gemi de dor e logo em seguida outras cintadas vieram.
Depois de um tempo eu já não sentia mais meu corpo, não conseguia me mexer e muito menos gemer de dor. E foi aí que tudo piorou. Além de apanhar desses monstros, fui abusada e violentada.
Quando eles terminaram o trabalho sujo, me soltaram e me deixaram deitada no chão, chorando.
Fechei os olhos e fiquei ali quietinha.
Bárbara: Aí meu Deus! - Ouvi sua voz, mas não consegui olhar em sua direção. Abri meus olhos e vi que ela se jogou ao meu lado chorando. - Eu vou te ajudar. - Tocou no meu braço e eu gemi. Com cuidado a Bárbara tirou o pano da minha boca e tocou nos meus cabelos. - Queria poder impedir isso. - Voltei a fechar os olhos. Tudo ficou em silêncio, alguns minutos depois senti as mãos da minha irmã passando por minhas costas. - Eu vou limpar isso aqui. Eu sei que arde, mas você vai ter que aguentar firme. - Abri os olhos e vi que ela chorava ainda mais que antes. Meu corpo todo ardia e doia.
Quando isso acontece eu sempre me sinto um lixo, mesmo sabendo que quem deveria se sentir assim seria eles.
Sofia: Quero água. - Sussurrei.
Bárbara: Aqui. - Ela parou de limpar as minhas feridas e me deu água. Bebi com calma. - Você consegue se sentar? - Neguei com a cabeça. - E andar? - Voltei a negar. - Você precisa de um banho. Vai doer, mas você precisa se limpar disso tudo.
Sofia: Eu não consigo sozinha. - Sussurrei.
Bárbara: Por isso eu vou te ajudar. - Com a ajuda da Bárbara me levantei do chão, e a cada passo que eu dava um gemido saia dos meus lábios. Sem contar o rastro de sangue que ficava por onde eu passava.
A Bárbara me deu banho, fez curativos onde a cinta passou, me ajudou a vestir e me deu remédios pra dor. Ela me levou para o quarto e me deitou de lado na cama.
Sofia: Por que você está me ajudando?
Bárbara: Porque eu não aguento mais te ver passar por isso. - Encostou a cabeça próximo de mim. - Eu me odeio, eu juro que eu não queria que isso acontecesse com você. Eu me odeio por ser a preferida do Gabriel. - Soluçou. - Eu também sou filha da Suzana, porque ele só se vinga em você? - Me olhou.
Sofia: Porque eu sou mais parecida com ela.
Bárbara: Eu odeio ela com todas as minhas forças. - Passou as mãos no rosto.
Sofia: Não é só você.
Bárbara: Tá doendo muito? - Me olhou nos olhos.
Sofia: Tá. - Suspirei. - Mas daqui a pouco passa.
Bárbara: A partir de agora eu vou te ajudar. - Fechei os olhos. Eu queria e muito acreditar nessas palavras, mas eu conheço a Bárbara e sei que amanhã ou depois essa bondade vai para o espaço. - Eu vou te deixar descansar, se precisar de alguma coisa me chama.
Sofia: Obrigada. - A Bárbara saiu do meu quarto e fechou a porta atrás de si. Tentei me virar na cama mas foi impossível. A única coisa que me restou a fazer foi tentar dormir e pedir que a dor e a ardência passasse logo.
• Lucas •
Quando acordei, a Sofia não estava mais ali, a única coisa que ficou dela foi seu cheiro gostoso em meu travesseiro. Inalei seu perfume por algum tempo e fui tomar banho e me arrumar. Saí às pressas de casa e nem tomei café.
Passei o dia todo pensando na Sofia, e lembrando das palavras dela. Sua imagem vinha sempre em minha cabeça e era impossível não sorrir ao lembrar seu jeitinho.
Na hora do almoço atravessei a cidade e fui almoçar na lanchonete do Seu Nícolas, só pra ver a ruivinha que trabalha lá.
Entrei na lanchonete e vasculhei com meus olhos por todos os cantos, mas não encontrei a Sofia.
Nícolas: Ela não veio hoje. - Falou atrás de mim, me fazendo dar um pulo de susto.
Lucas: Como saber que eu tô procurando a Sofia?
Nícolas: Todos os funcionários estão aqui e mesmo assim você continua procurando.
Lucas: O senhor sabe me dizer se ela está doente?
Nícolas: Não sei, a Sofia simplesmente não apareceu.
Lucas: Ela não ligou? - Ele negou. Tem alguma coisa errada.
Nícolas: Vai querer fazer o pedido?
Lucas: Vou. - Comi um salgado e voltei ao trabalho, mas nem um segundo deixei de pensar na Sofia.
Quando o expediente acabou segui direto pra faculdade. Andei pelos corredores, as quadras e o campus todo, mas nem sinal da Sofia, então fui a procura do Vinicius.
Lucas: Você falou com a Sofia hoje? - Perguntei assim que vi ele.
Vinicius: Não, porque?
Lucas: Ela não foi trabalhar e nem deu satisfação para o Seu Nícolas.
Vinicius: A Sofia não é de faltar no serviço. Será que aconteceu alguma coisa com ela?
Lucas: Espero que não. - Passei as mãos nos cabelos. - Ontem ela não estava nada bem. Encontrei ela chorando, acabei levando ela pra minha casa.
Vinicius: Pra ela dormir fora de casa a coisa foi feia.
Lucas: Sem contar as coisas que ela me disse. - Contei tudo pra ele. Desde que eu a encontrei, até nossa conversa na minha casa. - O Gabriel bate nela, eu só preciso de provas.
Vinicius: A Sofia não vai querer denunciar, então nós dois precisamos fazer isso.
Lucas: Pelo que eu entendi, ele ainda faz ameaças a ela também. Se estamos certo, ele vai ameaçar nós dois também e vai ser aí que vamos colocá-lo atrás das grades.
Vinicius: O Danilo está no meio disso tudo. Vai ser mais fácil pegar provas dele do que do Gabriel.
Lucas: Hoje tem aula com aquele verme, vou ficar de olho nele.
Vinicius: Depois daqui eu vou bater lá na Sofia.
Lucas: Eu vou contigo. - Demos um toque com as mãos. - Se souber de alguma notícia dela me avisa.
Vinicius: Pode deixar. - Sai de perto do Vinicius e fui a procura dos meus amigos.
Lucas: E aí? - Cumprimentei o pessoal e sentei do lado do Nathan. - Falavam sobre o quê?
Samuel: Sobre a festa que vai rolar na casa da Bruna. 'Cê' vai né?
Lucas: Não, eu tenho compromisso hoje a noite.
Nathan: O compromisso é com quem garanhão?
Lucas: Não é esse tipo de compromisso. - Passei a mão no cabelo.
Samuel: Mas tem mulher no meio?
Lucas: Tem.
Nathan: Divide o assunto com a gente.
Lucas: Melhor não. Vou indo pra sala. - Me levantei de onde eu estava e segui para os corredores. Quando fui entrar na sala vi que o Vinícius estava escorado na porta. - Alguma notícia?
Vinicius: Nenhuma, já liguei pra ela um milhão de vezes e ninguém atende. Será que mataram ela?
Lucas: Acho que não. Eles não seriam tão burro a esse ponto. - Olhei para o corredor. - Se eles fossem matar alguém, seria um de nós dois, não ela.
Vinicius: Faz sentido. - Olhou para o celular. - Meu coração tá apertado.
Lucas: Deve ser só preocupação. - Bati em seu ombro. - Fica tranquilo.
Vinicius: Vou tentar. - Comprimiu um lábio no outro. - Obrigado por se preocupar com a Soso. Você deve gostar muito dela.
Lucas: Gosto. Nós éramos melhores amigos quando crianças.
Vinicius: Eu não sabia.
Lucas: Pode perguntar a ela.
Vinicius: Se eram melhores amigos porque se afastaram?
Lucas: Porque a Sofia se afastou. Nunca entendi isso muito bem, eu era uma criança na época mas hoje consigo ver que foi coisa do Gabriel.
Vinicius: Tudo que é ruim aquele homem tá envolvido. - Concordei com a cabeça.
Lucas: Vou dar uma volta.
Vinícius: Não consegue sossegar?
Lucas: Não. Quando eu tô nervoso tudo piora. Já volto. - Sai dali e fui beber um pouco de água. Na volta encontrei o Nathan, o Samuel e a Milena cochichando. - Estão fofocando sobre o quê?
Samuel: Sobre você!
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O Defensor
RomanceTodo mundo tem um vizinho enxerido, que adora cuidar da vida dos outros. Isso incomoda e muito, principalmente quando se trata do seu ex amigo de infância, no qual você é obrigada a ver todos os dias. Tudo isso me incomodava e muito, até eu descobri...
