Capít • Sofia •
Eduardo: Já conseguimos pegar o Gabriel, ele já está atrás das grades e não vai poder fazer nada contra você. - Tentou me tranqüilizar mas foi em vão. Na minha cabeça já vinha cenas do que poderia acontecer comigo.
Sofia: Ele tem vigias aqui fora. - O delegado e o policial se entre olharam, enquanto o escrivão ia digitando tudo no pequeno notebook. Ele é tão rápido que nem vi quando ele se sentou e começou a digitar a conversa. Douglas: Você sabe quantos?
Sofia: Não sei a quantidade exata, só sei que são vários. Eu só sei o nome de dois, um é o Danilo, irmão do Gabriel e o outro é o Geremias. Ele me perseguiu ontem a noite e me ameaçou.
Douglas: O Danilo te agredia também? - Assenti com a cabeça.
Sofia: O Danilo é meu professor na faculdade, então tudo o que eu faço ele sabe, eu sofro ameaças tanto em casa, quanto fora.
Lucas: Eu já presenciei uma cena dessas, o Danilo puxou os cabelos dela e disse coisas horríveis. Eu quis fazer a denúncia mas ela não deixou.
Sofia: Eu só não queria que acontecesse com ele o mesmo que acontece comigo.
Douglas: Faz quanto tempo que essas agressões acontecem?
Sofia: Mais de dez anos. - Baixei os olhos. - Tudo começou quando eu tinha entre seis e sete anos, minha mãe se casou com ele e foi aí que o inferno começou.
Douglas: E cadê a tua mãe?
Sofia: Não tenho notícias dela faz anos. Ontem o Gabriel me confessou que fazia pra ela, o mesmo que faz comigo. Só que eu, ele não deixaria escapar, que eu seria dele pra sempre. - Minha voz embargou. - Ele queria sair da cidade pra me afastar do Lucas e do Vinicius, meu outro amigo. Ele sabia que os dois era uma ameaça, principalmente o Lucas que é mais curioso e sempre vigia a minha casa.
Lucas: Eu sempre ouvia choro, gemidos durante a madrugada, queria saber o que acontecia.
Eduardo: Sua curiosidade salvou a vida da garota. Já estávamos monitorando o Gabriel a um tempo, provavelmente ele sabia, por isso ficou quieto por um tempo.
Sofia: O Gabriel disse que eu botei tudo a perder porque contei a um policial, mas eu nunca fiz isso.
Lucas: Vocês já sabiam de tudo?
Eduardo: Algumas coisas sim, o Gabriel já é um conhecido nosso, mas ele andava se esquivando nos últimos tempos, desconfiamos e resolvemos investigar.
Douglas: E também recebemos uma denuncia anônima que uma moça sofria agressões do padrasto, com o endereço chegamos até sua casa.
Lucas: Juro que não fui eu. - Me olhou. Contei ao delegado como eram as agressões, contei tudo o que eu sofria na mão daquele monstro.
Lucas: Aquelas marcas em seus pulsos e os seus machucados nas costas... - Ele não conseguiu terminar.
Sofia: Foram feitos pelo Gabriel e o Danilo. - Funguei. Eu já não conseguia mais segurar as lágrimas, e também nem me importava mais em chorar na frente dos outros. Agora eu sou livre e posso demonstrar sentimentos como tristeza, alegria, medo. Agora posso fazer o que eu quiser. Agora posso ser eu mesma. Agora não precisa mais viver com medo, finalmente posso contar a verdade. - Nesse dia, como praticamente todos os outros que eu era agredida, eles me estupraram. - Fechei meus olhos e quando os abri vi que o Lucas chorava. - Eu sofro abuso dentro da minha própria casa.
Douglas: Isso também acontece desde cedo? - Assenti com a cabeça.
Sofia: Desde os meus seis anos de idade.
Lucas: Por isso você se isolou. - Soluçou entre o choro e me abraçou como pôde. - Eu sinto muito. Você não merecia isso.- Colou a cabeça na curva do meu pescoço.
Eduardo: Isso não vai acontecer nunca mais, os dois vão receber o castigo que merecem.
Douglas: Você é livre agora!
(...)
Sofia: Quando vou poder ir pra casa? - Perguntei ao meu médico, que é muito simpático e muito bonito por sinal.
Gean: Se tudo continuar bem, amanhã mesmo você recebe alta. - Sorriu. - O namorado não vem hoje?
Sofia: Ele não é meu namorado, é meu amigo. O Lucas tá trabalhando agora, só vai poder vim me ver na hora do almoço.
Gean: Entendi. Ele filho da Karina, não é?
Sofia: É. - Ele me examinou, olhou todos meus machucados, fez uma leve pressão nas minhas costelas e sorriu.
Gean: Você vai ficar bem logo logo. - Voltou a me cobrir com o lençol. - Vou te transferir para o outro quarto, você já está melhor e vai ser bom ficar na companhia de pessoas.
Sofia: Ai, que bom. Não aguentava mais ficar aqui sozinha.
Gean: As primeiras 24 horas era preciso te deixar mais isolada, digamos assim. Agora você já está melhor e precisa de companhias, aqui é solitário demais. - Brincou. - Daqui a pouco alguma enfermaria te leva para o outro quarto. Melhoras.
Sofia: Obrigada. - Sorri em agradecimento. Ele saiu e um tempo depois uma enfermeira me transferiu de quarto. As pessoas do outro quarto eram todas simpáticas, me trataram super bem e em pouco tempo fiz amizades.
Hoje já me sinto melhor e já consigo mexer os braços e as pernas sem muito esforço, o Dr Gean já me liberou pra dar alguns passos mas nada exagerado e sempre na companhia de alguém. Ainda preciso de ajuda pra me levantar da cama, pra sentar, ir ao banheiro e tomar banho, mas mesmo assim já me sinto outra pessoa.
Conversava com a moça dá maca ao lado da minha, quando ouvi meu nome ser pronunciado, assim que virei o rosto vi o Danilo. Me gelei por completo e não consegui pronunciar uma só se quer palavra.
Danilo: Oi sobrinha. - Sorriu cínico e se aproximou da minha cama, se esticou na altura dos meus ouvidos e sussurrou. - Hoje recebi a visita de alguns polícias, soube que você colocou meu irmão atrás das grades e está tentando fazer o mesmo comigo. Corajosa você.
Sofia: Vai embora! - Falei alto. Meus músculos estavam tensionados, o medo e o desespero tomavam conta do meu corpo. Cada palavra que saia da boca dele fazia com que eu me desesperasse cada vez mais.
Danilo: Só vim avisar que eu não sou tão burro quanto o Gabriel, ele deixou provas do que fazia, já eu não. Sua palavra não será o suficiente pra me levar preso. Você jamais vai conseguir provar que eu te batia ou te abusava. - Beijou minha bochecha. - Fiquei preocupado com você. - Falou alto, enquanto se afastava.
Sofia: Vai embora! - A vontade chorar me atingiu com força total. - Vai embora! - Falei mais alto, enquanto as lágrimas molhavam meu rosto.
Lucas: Não ouviu o que ela disse? - Quando vi o Lucas consegui me acalmar um pouco. Eu sei que quando ele está por perto nada de ruim me acontece, ele me protege e não deixa o mal me atingir. - Você é surdo por acaso? Some daqui Danilo! - Sua voz saiu rude.
Danilo: Eu já vou. - Levantou as mãos em forma de rendimento. - Todos aqui estão de prova que eu não fiz nada, só vim visitar minha sobrinha.
Lucas: Vai embora, Danilo!
Danilo: Tô indo. - Saiu do quarto a passos lentos. - Aproveite ao máximo esse conto de fadas, talvez ele não dure para sempre. - Assim que ele saiu por completo do quarto o Lucas correu até a minha cama e me tomou em seus braços.
Sofia: Eu tô com medo. - Abracei forte seu corpo. Minhas lágrimas molharam sua camiseta, mas ele não pareceu se importar.
Lucas: Não precisa ter, eu vou te proteger. - Beijou meus cabelos. - Tenta se acalmar, eu tô aqui com você e não vou sair mais. - Desfez o abraço e me fez olhar em seus olhos. - Eu não vou mais trabalhar hoje, vou ficar aqui do seu lado. - Enxugou minhas lágrimas com a ponta dos dedos.
Sofia: Mas...
Lucas: Mais nada. - Voltou a me abraçar. - Só deixa eu te proteger. - Fiz sinal positivo com a cabeça e afundei meu rosto em seu peito. Ele levou uma das mãos até os meus cabelos e começou a fazer cafuné, aos poucos fui me acalmando e o choro cessando. - Tá mais tranquila?
Sofia: Tô. Obrigada.
Lucas: Não é preciso agradecer. - Beijou minha testa. - Vou pegar um pouco de água pra você e já volto. - O Lucas tirou a mochila das costas e jogou na poltrona ao lado da minha cama, saiu do quarto e voltou minutos depois com um copo de água nas mãos. - Bebe tudo. - Assim eu fiz. - Tais mais calma mesmo?
Sofia: Tô. - Sorri de lado.
Lucas: Ele te machucou?
Sofia: Não, só disse algumas coisas que eu não quero mais lembrar.
Lucas: Vamos esquecer dele então. - Beijou minha testa. - Fiquei com saudade! - Suas palavras me arrancou um sorriso largo.
Sofia: Você me viu ontem o dia todo.
Lucas: Mas não te vi hoje. Já me acostumei em te ver todos os dias de manhã e à noite.
Sofia: Senti sua falta também. - Confessei um pouco acanhada.
Lucas: Princesinha. - Segurou meu maxilar com carinho.
- Vocês são casados? - A senhora da frente perguntou.
Sofia: Não, somos só amigos !g
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O Defensor
Roman d'amourTodo mundo tem um vizinho enxerido, que adora cuidar da vida dos outros. Isso incomoda e muito, principalmente quando se trata do seu ex amigo de infância, no qual você é obrigada a ver todos os dias. Tudo isso me incomodava e muito, até eu descobri...
