Capítulo 9

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• Sofia •
Terminamos os curativos e com a ajuda dela me vesti, e voltei para o quarto. - Você vai deitar?
Sofia: Vou. - Gemi quando me deitei. - Me dá remédios?
Bárbara: Tá doendo muito? - Assenti com a cabeça. - Eu já volto. - Menos de dois minutos ele voltou com dois comprimidos nas mãos e um copo com água. - Eu trouxe um pra dor e um anti inflamatório.
Sofia: Obrigada. - Tomei os dois remédios e procurei uma posição mais confortável e que doesse menos. - Cadê o Gabriel?
Bárbara: Saiu ontem a noite e até agora ainda não voltou.
Sofia: Tomara que não volte nunca mais.
Gabriel: Pra sua infelicidade filha, eu já cheguei. - Olhei para a porta e lá estava ele, com seu habitual sorriso cínico. Só de ouvir sua voz meu corpo tremeu e as mãos suaram.  - Sentiu saudade?
Sofia: Não.
Gabriel: Que pena. - Arqueou uma sobrancelha. - Sabe quem estava aí na porta perguntando por você?
Sofia: Quem?
Gabriel: O Lucas. - Sorriu largo, o que me fez tremer ainda mais. - Fica calminha que ainda não fiz nada com ele, mas, se ele continuar metendo o nariz onde não é chamado vou ser obrigado a dar uma lição.
Sofia: Não faz nada contra ele, por favor. - Pedi.
Gabriel: Vou pensar. - Riu. - Vou sair de novo, não esqueça que tenho olhos por toda a parte. - Ele virou as costas e saiu, e foi aí que soltei a respiração que nem notei que havia prendido.
Bárbara: Se acalma ele já foi. - Passou a mão pelo meu braço. - Você está se envolvendo com o Lucas?
Sofia: Não.
Bárbara: Então porque essa preocupação dele contigo?
Sofia: Não sei. - Fechei os olhos. Fiquei em silêncio por um tempo, até ouvir meu celular tocar em algum cômodo da casa.
Bárbara: Vou procurar, já volto. - Uns minutos depois ela voltou com meu celular na mão e ele já não tocava mais. - Estava lá no quartinho, você sabe.
Sofia: Sei. - Peguei o celular das mãos dela e vi que quem me ligava era o Vini.
Bárbara: Vou assistir um pouco de televisão, se precisar chama.
Sofia: Obrigada. - Assim que ela saiu, apertei no contato do Vini e no terceiro toque ele atendeu.
Vinicius: Até que enfim! - Respirou aliviado. - Eu quase morri de preocupação, onde você se meteu?
Sofia: Eu tô em casa Vini, não se preocupa.
Vinicius: Como não me preocupar se faz dois dias que você está sumida. O que aconteceu? Você está bem?
Sofia: Estou. - Menti. - Eu estou com virose por isso não fui pra faculdade ontem e nem pra lanchonete.
Vinicius: Por que você não avisou ninguém? Você quase matou eu o Lucas de preocupação.
Sofia: Desculpa Vini, eu fiquei tão mal que só consegui pegar o celular hoje. - Olhei pra porta. - Então é verdade que o Lucas está preocupado?
Vinicius: É sim. Ontem ele foi lá no Seu Nícolas atrás de ti.
Sofia: Eu soube.
Vinicius: Quase fomos na sua casa ontem.
Sofia: Mas não vieram né? - Me preocupei.
Vinicius: Não. Mas se você não tivesse dado notícias hoje, provavelmente agora eu e o Lucas estaríamos aí.
Sofia: O Lucas esteve aqui quase agora. Vini, não deixa mais o Lucas vim aqui.
Vinicius: Por que não?
Sofia: Não faz perguntas, só faz o que eu te pedi. Por favor.
Vinicius: Tá. - Suspirou. - Eu tô com saudade! Quando você volta pra assistir as aulas?
Sofia: Eu também estou. - Sorri. - Provavelmente só semana que vem, quando eu me sentir melhor.
Vinicius: Eu queria te ver.
Sofia: Não dá, o meu padrasto não gosta muito de visitas e eu não tô bem. Se você vir aqui vai acabar ficando doente também e eu não quero isso.
Vinicius: Não sei o porquê, mas eu tenho a leve impressão que você está mentindo pra mim.
Sofia: Quando eu menti pra você? - Na verdade várias, mas ele não sabe.
Vinicius: Nunca.
Sofia: Então?
Vinicius: Desculpa. - Resmungou. - Eu preciso desligar agora, se cuida Soso. Eu te amo.
Sofia: Pode deixar, eu também amo você.
Vinicius: Melhora logo gatinha.
Sofia: Vou tentar. - Encerrei a ligação e fiquei pensando no Vinícius e no Lucas. Eles estão sendo maravilhosos comigo. Agora eu sei que existem anjos na terra.
Cinco dias se passaram desde o acontecido, ainda sinto muitas dores no corpo mas já consigo me virar sozinha. Já consigo andar, comer e tomar banho sozinha, vez ou outra a Bárbara me ajuda mas já não dependo tanto assim dela.
As marcas das cintadas ainda não sumiram e pra piorar estão infeccionando e a maioria ainda não fechou. As feridas estão abertas, algumas delas ainda corre bastante sangue, o que faz com que eu tenha que ficar de curativos durante todos os dias. Mas ultimamente até o esparadrapo machuca, mas é impossível não usá-lo.
Nesses dias quem cuidou da casa foi a Bárbara, confesso que estou muito surpresa com isso. O Gabriel e o Danilo me deram paz e como fiquei bastante tempo no meu quarto não tive que olhar ou cruzar com nenhum dos dois.
Hoje finalmente voltei a minha rotina. Estava cansada de ficar em casa, e ter que olhar sempre paras as mesmas paredes.
Logo cedinho quando cheguei na lanchonete fui recepcionada com vários abraços, tanto do seu Nícolas, quanto dos meus colegas de trabalho. Alguns clientes também diziam sentir minha falta, e recebi vários abraços e demonstração de carinho deles. Senti muita saudade de cada um. Aqui conheci pessoas incríveis e de ótimo coração, por mais que eu tente manter distância deles é impossível não se apegar e não criar laços.
Por hoje ser segunda-feira a movimento foi pouco, não reclamo, assim consegui descansar um pouco e ter tempo de trocar os curativos. Mesmo passando muita dificuldade consegui trocá-los, durante os dias que fiquei em casa treinei bastante e agora já faço sozinha.
Quando o meu expediente acabou, troquei de roupa, peguei minhas coisas e fui me despedir do pessoal. Assim que sai da cozinha dá lanchonete e dei alguns passos vi o Lucas sentado em uma das mesas vazias. Assim que ele me viu abriu um sorriso largo e caminhou até mim.
Lucas: Oi. - Se esticou e beijou minha bochecha, fiquei sem saber o que fazer, ninguém nunca fez isso, com exceção do Vini.
Sofia: Oi. O quê você está fazendo aqui? - Olhei em seus olhos castanhos.
Lucas: Vim te vê. - Alarguei ainda mais o meu sorriso. - Na verdade eu vim te buscar. Quer dizer, se você… Droga! - Passou uma das mãos nos cabelos. - Eu estava passando por aqui e pensei em te levar pra faculdade, eu sei que você não vai querer mas...
Sofia: Eu quero.
Lucas: Eu entendo se você não aceitar.
Sofia: Eu disse que quero.
Lucas: Sério? - Olhou nos meus olhos. - Você quer mesmo?
Sofia: Quero. - Ri.
Lucas: Que ótimo. - Seus olhos brilharam. - Vamos então. - Saímos da lanchonete e seguimos para o outro lado da rua, mais precisamente onde a moto do Lucas estava estacionada. - Usa o meu capacete.
Sofia: Mas e você?
Lucas: Tô acostumado a não usar.
Sofia: E se a polícia nos parar.
Lucas: Eles nunca estão na rua uma hora dessas. - O Lucas desfez o coque do meu cabelo e colocou o capacete em mim.
Sofia: Eu sei colocar.
Lucas: Eu sei disso, mas se eu deixasse por você, estaríamos discutindo sobre rondas polícias até agora. Eu te conheço muito bem mocinha. - Ele subiu na moto e segundos depois fiz o mesmo. Apoiei minhas mãos nas minhas pernas e segurei firme o tecido da calça que eu vestia. - Pode se segurar em mim, eu não mordo não.
Sofia: É melhor não. - O Lucas pegou as minhas e me obrigou a abraçá-lo.
Lucas: Chega mais perto. - Assim fiz e colei meu corpo no dele. Apertei um pouco mais sua cintura e encostei minha cabeça em suas costas larga. O Lucas ligou a moto e seguimos o caminho da faculdade. O vento no rosto da sensação de liberdade e ter o Lucas assim tão perto fez com que eu me sentisse protegida. Como as minhas mãos estavam em sua barriga foi impossível não sentir os famosos "gominhos" que ele tem. Fechei os olhos e Inalei seu perfume forte mas ao mesmo tempo gostoso. - Tô gostando do seu abraço. - Abri os olhos e vi que ele me olhava pelo espelho retrovisor. O Lucas soltou uma das mãos do guidão da moto e levou até as minhas, que estavam em sua barriga. - Queria ter você por perto mais vezes. - Sorri largo.
Sofia: Quero te ter por perto também. - Falei baixo na intenção que ele não me ouvisse mas falhei, pois assim que terminei de falar um sorriso gigante brotou em seus lábios.

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