• Sofia •
Sofia: Por favor, não faz nada comigo. - Comecei a chorar.
- Quem vai fazer não vai ser eu. - Ri. - Eu vou te soltar e você vai ficar bem quietinha, tá me ouvindo? - Assenti com a cabeça. Ele saiu de cima de mim e assim que tive chance corri, o mais rápido que consegui. Em poucos minutos eu adentrava a minha casa, mas vejo que isso foi a pior decisão que tomei. Assim que me encostei na porta vi que o Gabriel me esperava com uma corda e uma cinta nas mãos. Tudo de novo não.
Sofia: Eu não fiz nada. - Falei antes mesmo dele dizer qualquer coisa. O pavor e o medo tomavam conta do meu corpo.
Gabriel: Fez. - Se aproximou. - Eu mandei você ficar quietinha, e o que foi que você fez? Foi correndo pedir ajuda a um policial.
Sofia: Como sabe disso? - Comecei a chorar. - Eu juro que não falei nada. Eu só perguntei as horas.
Gabriel: Cala a boca! - Berrou. Fechei meus olhos e senti meu corpo todo tremer. Quando voltei a abri-los vi que o homem que me perseguia minutos atrás estava dentro da minha casa. Eu deveria ter imaginado que ele era um dos comparsas do meu padrasto. - Eu sei de cada passo seu, o Geremias me manteve informado enquanto eu estava trancado em casa graças a sua língua comprida. - Assim que a frase terminou ele desferiu uma cintada na minha coxa esquerda. Gritei de dor e me agachei um pouco, segurando o local que agora brotava sangue.
Sofia: Eu juro que não contei pra ninguém! - Falei entre soluços.
Gabriel: Eu odeio quando você chora. - Falou entre dentes. - Geremias, fica lá fora e não deixa ninguém entrar na casa. - O homem apenas assentiu e saiu pelos fundos. - Agora vou acertar minhas contas com você! - Olhou pra mim enquanto estalava a cinta.
Sofia: Eu não fiz nada. - Solucei.
Bárbara: Jura que não irmãzinha? - Apareceu na sala. - Você andou fora da linha, agora tem que pagar as consequências. - Riu. - Foi tão fácil enganar você, pessoas carentes são assim, qualquer agrado pensam que é de verdade.
Sofia: Eu te odeio Bárbara! - Gritei. - Você mentiu pra mim, me enganou. Você esteve do lado desse monstro o tempo todo. - Comecei a chorar. - Pensei que você estava mudando, mas me enganei. As najas nunca mudam, só sabem dar bote.
Bárbara: Cala a boca! - Berrou um pouco antes de desferir um tapa em meu rosto. O tapa foi com tanta força que acabei no chão, com o rosto colado ao piso.
Gabriel: Eu fiquei quase dois meses trancado nessa casa por sua culpa, agora você vai ficar o mesmo tempo que eu, só que em um hospital. - Desferiu a cinta no meu braço.
Sofia: Por que você me odeia tanto? - Sussurrei entre um soluço e outro. - O que foi que eu te fiz?
Gabriel: Você é igualzinha ela. - Me puxou do chão pela manga da blusa que eu vestia. - Só que você não vai escapar. Eu não vou te deixar fugir que nem ela, nem que pra isso eu precise te amarrar. Você vai ficar comigo pra sempre! - Segurou meus braços e me sacudiu inúmeras vezes. - Pra sempre! - Colou o rosto no meu. Fechei meus olhos e pedi chorando que Deus me ajudasse. - Nós vamos embora daqui, nunca mais você verá seus amigos, só assim vou conseguir te manter presa a mim.
Sofia: Me deixa aqui. - Implorei.
Gabriel: Não. - Me jogou no chão.
Sofia: Então me mata de uma vez. - Meu choro intensificou. - Eu não vou aguentar ficar presa! - Fiquei de pé mesmo sentindo dor. - Eu odeio isso tudo! Odeio a minha vida, odeio a mim mesma e odeio ainda mais você. - Mal terminei a frase e outra cintada atingiu minha perna, me levando ao chão novamente.
Depois dessa outras vieram, fora os socos e chutes que ganhei. Chegou uma hora eu já não conseguia mais gritar, nem me mexer, nem respirar e muito menos abrir os olhos. Todos os meus sentimentos estavam fracos. Sentia o sangue escorrer pelo meu corpo é a única que eu conseguia fazer era gemer e chorar.
Bárbara: Deu pai, ela já ganhou o que merece. - Com dificuldade abri os olhos.
Sofia: Por isso você nunca encostou nela. Ela é tua filha. - Sussurrei.
Gabriel: É minha filha sim. - Me deu um chute na barriga. Reuni o resto de força que me restava e gritei por socorro mais uma vez e foi nessa hora que o Lucas entrou porta adentro e empurrou o Gabriel pra longe de mim.
Eu sabia que quando eu mais precisasse ele estaria ali me salvando.
• Lucas •
Quando ouvi os primeiros gritos meus pais me impediram de ir até a casa da frente ou chamar a polícia, mas quando o último pedido de socorro foi solicitado, bati de frente com meu pai e ordenei que ele chamasse a polícia. Atravessei a rua correndo, arrebentei a porta com apenas um chute e vi uma cena que fez meu coração sangrar. Mesmo abalado com o que meus olhos viam, não pude dar atenção a Sofia porque a única coisa que consegui fazer foi esmurrar o desgraçado do Gabriel.
Lucas: Bate em mim seu infeliz. - Chutei seu estômago pela terceira.
Paulo: Você vai matar ele. - Me puxou pra longe do desgraçado.
Lucas: É isso que eu deveria fazer. - Passei a mão pela testa e enxuguei o suor que brotava ali. Dei alguns passos e me ajoelhei ao lado da Sofia, que mal abria os olhos. Minha mãe estava do seu lado, segurando a sua mão. Era quase impossível ver a Sofia, a única coisa que se via era sangue, pra todo lado. - Vai ficar tudo bem tá? - Minha voz falhou e uma vontade de chorar me atingiu com força total. - Eu disse que ia te proteger e falhei. - As lágrimas já escorriam pelo meu rosto, abaixei a cabeça e aproximei do seu corpo. - Me desculpa!
Sofia: Você me protegeu sim. - Sussurrou. Levantei minha cabeça e encontrei seus olhos baixos. - Meu Defensor.
Paulo: Os polícias estão chegando. - Não me movi, apenas fiquei ali perto da minha menina.
Uma movimentação fora do normal surgiu dentro da casa, aos poucos os vizinhos chegavam pra saber o que aconteceu e foi nesse momento que o Gabriel conseguiu escapar. Alguns polícias correram atrás dele, mas o desgraçado conseguiu fugir.
Uns minutos depois os Bombeiros também chegaram, a mãe ligou assim que viu o estado da Sofia, meu desespero foi tanto que só pensei em prender o Gabriel e me desculpar com a Sô e acabei esquecendo desse grande detalhe.
Acompanhei ela na ambulância, segurei sua mão durante todo o trajeto e rezei muito pra que ela ficasse bem. Assim que chegamos ao hospital levaram-na para uma sala e eu fiquei ali sozinho, perdido, pedindo que Deus protegesse a minha menina.
Liguei para o Vinicius e contei o que havia acontecido, por estar doente não pôde vim pra cá mas disse que ficaria rezando. Uns minutos depois meus pais chegaram.
Karina: Você precisa fazer um curativo na mão.
Lucas: Não precisa.
Karina: Claro que precisa, isso tá que é só sangue. - A mãe me levou a contragosto até o posto de enfermagem do hospital e lá fizeram um curativo.
Paulo: Você bateu tanto no Gabriel que por um momento cheguei a pensar que você ia quebrar a mão.
Lucas: Bati pouco perto do que ele merece. - Me sentei em uma das cadeiras da sala de espera. - A senhora trabalha aqui mãe, vê se consegue alguma notícia da Sofia.
Karina: Vou ver o que posso fazer. - Beijou meus cabelos e saiu da salinha.
Lucas: Eu não deveria ter deixado ele escapar. - Apoiei o rosto nas mãos.
Paulo: Não foi culpa sua. - Sentou do meu lado e colocou uma mão no meu ombro. - Ele aproveitou a distribuição de todos e fugiu, ninguém podia imaginar que ele ainda teria forças pra correr depois da surra que você deu nele.
Lucas: Será que ela vai ficar bem, pai? - Meus olhos voltaram a marejar.
Paulo: Claro que vai, a Sofia é forte.
Lucas: Eu devia ter protegido ela.
Paulo: Mas você protegeu, você deu o seu melhor. - Me abraçou. Não consegui mais segurar as lágrimas e chorei no colo do pai. - Enquanto ninguém ouvia nada ou desconfiava de nada você foi o único que ficou do lado dela, que investigou e se interessou em saber o que realmente acontecia naquela casa. - Segurou meu rosto entre suas mãos. - Filho, você foi o único que conseguiu arrancar sorrisos daquela menina, você fez ela viver de verdade. Você foi e sempre será o defensor dela. - A cena da Sofia toda ensanguentada não sai da minha mente, eu faria de tudo pra estar no lugar dela e sofrer o que ela sofre. Deus sabe o quanto isso é verdade.
Karina: Filho. - Desencostei do pai e olhei pra ela. - Os médicos sedaram ela, ela tava agitada e com
muita dor, ainda estão fazendo alguns exames pra ver se tá tudo bem e tem alguns policiais acompanhando tudo, recolhendo material, batendo fotos.
Lucas: A senhora viu ela?
Karina: Não. Ela vai ficar bem e daqui a pouco vai para o quarto.
Lucas: A senhora não tá mentindo pra mim, não né?
Karina: Não. - Passou a mão no meu rosto.
Lucas: Já conseguiram pegar o Gabriel?
Karina: Não.
Paulo: Ele não deve estar longe. Fica calmo que logo logo a polícia encontra ele.
Lucas: Que Deus te ouça.
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Defensor
RomantikTodo mundo tem um vizinho enxerido, que adora cuidar da vida dos outros. Isso incomoda e muito, principalmente quando se trata do seu ex amigo de infância, no qual você é obrigada a ver todos os dias. Tudo isso me incomodava e muito, até eu descobri...
