Aline tem medo de voar

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Aline me encarou enquanto esperava a chamada para o embarque,suspirou longamente e acrescentou de modo quase infantil.

- Nós temos que ir mesmo?

- Temos. - A puxei para mim, beijei seus cabelos. - Estou com saudades da minha irmã, quero passar o natal com toda a minha família reunida... Não se esqueça que seu irmão e a Duda estão lá também.

- É, eu sei. - Ela passou a encarar os próprios dedos e sorriu forçado.

- Qual é o problema? - Perguntei baixinho para Nick não escutar, de entre todas, ela era a mais animada.

- Nenhum! - ela deu de ombros.

- Detesto quando você faz isso comigo. - Bufei.

- Isso, o quê?

- De colocar duvidas... eu não sei qual é o problema, você estava animada, agora não está mais. - A encarei. - Não quer ver minha bunda gelada? - Sorri malicioso. - Vamos... Anime-se... a Tissy ta nos esperando, dentro de quinze dias na casa dela... vamos pega uma praia californiana!

- Eu tenho medo de avião! - Ela soltou de uma vez,como se estivesse se sentindo muito envergonhada.

Gargalhei.

- Eu também! - a beijei seus cabelos.

- E o que você faz pra contornar o medo.

- Eu tomo um ansiitico... Quer?

- Não! Eu vou ficar grogue e alguém tem que vigiar os seus filhos.

- Eu não durmo. É só pra relaxar, já você, acho que capotar.

- Pois é,eu não costumo tomar ansiolíticos,então provavelmente eu vou capotar. Amor,você podia me dar uma cinzeirada!- Aline riu.

- Eu acho que tenho algo legal aqui na minha mochila. - Abri a mochila, Nicole já ficou interessada, ela sabia que eu tinha um arsenal de guloseimas, - Aqui, achei. - Tirei um livro de dentro e olhe entreguei. - O Inocente de Stephen p. Kiernan, está surradinho, comprei num sebo.

- Achei que era chocolate! - Aline fingiu decepção. Ela adorava livros. - Do que fala essa obra?

- Vou ler a Sinopse para você, porque ainda não li o livro... - Peguei o livro na mão. - A cientista Kate Philo e sua equipe, em um projeto revolucionário de criogenia, fazem uma descoberta impressionante no Ártico: o corpo de um homem enterrado no gelo. O ambicioso chefe do projeto ordena que o homem seja levado para o laboratório, em Boston, e reanimado — o que é feito com sucesso. À medida que o homem começa a recuperar a memória, a equipe descobre que ele foi — ou melhor, é — Jeremiah Rice, um juiz, e a última coisa de que ele se lembra é a queda no oceano Ártico em 1906.

Unidos por circunstâncias além de seu controle, Kate e Jeremiah se tornam próximos. Mas o tempo está passando, e Jeremiah percebe que sua vida está mais uma vez em risco. Muito em breve Kate deverá decidir até onde está disposta a ir para proteger o homem que aprendeu a amar.

- Uau! Isso parece realmente muito interessante. Vou começar a ler assim que chegarmos no avião.

- Eu também gostei... - Sorri.

Nem deu tempo para conversar, começaram a chamar o nosso voo, me levantei depois de fechar a mochila. - Boa para o portão de embarque. - Peguei Pedro no colo que já estava bêbado de sono.

Aline deu a mão para Nick.

- Eu vou ficar do seu lado, segurando a sua mão, mãe. - Nick disse para Aline, só pude sorrir, ela era doce demais.

- Me sinto bem mais segura assim, minha menina!

- Eu também! - Ela se agarrou na cintura de Aline.

- Não solte de sua mãe. - Pedi colocando as duas na minha frente na fila.

Depois de vinte minutos estávamos dentro do avião, Aline colocou Nick no acentro enquanto prendia a cadeirinha do Pedro no acento.

- Pode colocar Pedrinho no acento, vou por as mochilas no compartimento. - Dei espaço para ela passar.

- Tá bom! - Aline sorriu e acomodou nosso filho. - Quer ajuda com o cinto,minha princesa? - Ela voltou-se pra Nicole.

- Quero... - Disse ela soltando o cinto bufando.

Aline sorriu e ajustou o cinto de Nicole.

- Pronto, minha princesa! - Ela beijou os cabelos da pequena.

- Olha... Eu vou ficar na janela. - Ela apontou para a janela.

- Sim, minha gatinha!

Você vai poder ver as nuvens quando levantarmos vôo.

- Mas tá muito escuro...

- É assim mesmo... mas vai dormir e quando acordar, vai estar amanhecendo.

- Ansiosa pra ver a neve branquinha?

- Hárã. - Ela soltou voltando a olhar para a janelinha.

Nos sentamos, apertei meu cinto e Aline fez o mesmo, coloquei o livro em seu colo, peguei em sua mão.

A aeromoça fechou a porta, logo começou a explicar o procedimento sobre mascaras e tudo aquilo, Nick não parava quieta na acento, queri ver a mulher falar, Aline pediu para ela ficar calma e manter o cinto de segurança fechado.

Dez minutos depois, o avião estava pegando velocidade e subiu tranquilamente, Aline apertou tanto a minha mão que chegou a doer.

- Jorge, se o avião cair, saiba que eu te amo muito, tá! - Ela sussurrou, seus olhos estavam esbugalhados e ela parecia estar sufocando.

- Se o avião cair, pode ter certeza que eu te salvo antes. - Apertei seus dedos como ela apertava os meus.

Aline fechou os olhos e só relaxou quando o avião ganhou altura.

- Eu sou boba, né?

- Muito!... - Gargalhei. - Terá muita vida pela frente. - A puxei para um beijo.

- Mas, não retiro o que eu disse. Eu te amo muito! - Ela sussurrou entre meus lábios.

- Eu também te amo. - Disse baixinho.

O Inquilino 3 (FINALIZADO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora