Eu observava a cidade sendo deixada pra trás, enquanto Aline dirigia, eu percebia pelo modo como ela me olhava e suspirava as vezes, que ela estava com a língua coçando pra me dizer algo.
- Vamos lá olhos de vidro, desembucha! - Eu disse.
- Do que você está falando?
- De você o tempo todo me encarando por sobre o ombro e suspirando como se tivesse com algum problema respiratório.
Ela sorriu fraco e acrescentou.
- Você tem razão! Eu tenho que falar! A Doutora Cássia me procurou.
- Aquilo não me levou a nada, Aline! -resmunguei. - Olha, eu estou triste e isso é natural... Eu perdi a mãe da minha filha, estou tentando me adaptar a vida com a Duda, a Tissy casou com o surfista... É muita coisa pra eu administrar.
- E é por isso que eu acho que você está deprimido e que um acompanhamento psicológico iria te ajudar.
-Eu não quero acompanhamento psicológico, Aline! Eu posso estar na merda, mas uma hora vai passar e eu vou recomeçar.
- Por que você não sai com alguém? Tem aquela garota lá do seu antigo escritório, a Vânia...- a encarei intrigado- Ela sempre teve uma quedinha por você e é bonita. Vocês...
- Nem começa, Leninha! Você disse claramente que a Tissy e eu não demos certo porque eu e ela éramos muito certinhos e burocráticos. A Vânia consegue ser ainda mais burocrática que nós dois, e pra ser bem honesto com você... Eu acho a Vânia muito chata.
Nós dois gargalhamos
- Ao menos eu consegui te fazer sorrir -ela buscou a minha mão e fez uma carícia suave, depois voltou a por a mão na marcha.
- Eu ainda vou achar aquela mulher, Aline! A que você disse que quando surgir na minha vida vai virar o meu mundo de cabeça pra baixo e eu vou saber que é ela.
- Então, você está esperando essa garota.
- Sim, eu estou! - Concordei.
Nos calamos e o silêncio voltou a reinar, até que Aline estacionou na entrada de um supermercado, Jorge estacionou logo atrás e nós descemos.
- Temos que comprar carne ,comida e bebida pro fim de semana, além de sorvete pras crianças! - Aline afirmou assim que Jorge se juntou a nós- Vamos todos, ou alguém fica aqui com o Pedro e as meninas?
Olhei de Aline para Jorge e esperei que ele decidisse
- Vai com seu irmão, eu fico aqui por causa dos cachorros... - Jorge apontou pro Junior com mais de meio metro de língua pra fora. - Deu problema no ar condicionado cá pick-up... - ele torceu a boca. - vai que fico com as crianças.
- A gente não demora! -Aline deu um beijo apaixonado em Jorge e seguimos para dentro do mercado, apanhei um carrinho e fui seguindo minha irmã que ia colocando coisas no carrinho, entre carnes, temperos, arroz, material de limpeza, biscoitos, salgadinhos.
- Aline, nós só vamos passar o fim de semana!
-Eu sei...-ela disse birrenta.
- Olha só quem apareceu por aqui! -Aline voltou-se na direção da voz as nossas costas .
- Jean! - Ela cumprimentou-o com um abraço e eu fiquei surpreso por vê-lo usando a farda do mercado.
- Você trabalha aqui? - Perguntei curioso.
- Ah não, eu sou o dono! -ele novamente voltou-se pra Aline, parecia encantado e eu pensava o que Jorge acharia se visse aquele olhar direcionado a sua mulher- Lembra que eu te disse que ia investir em um negócio aqui no Guarujá, Aline!
- Claro! - Ela respondeu com um sorriso espontâneo, com certeza ela não percebeu que ele estava Fernando com ela. - Mas, eu não achei mesmo que você fosse ficar no Guarujá.
- E eu não achei que você iria embora daqui. Você simplesmente sumiu.
- Aconteceram muitas coisas. Eu tive um bebe.
- Um bebe? - Jean pareceu mexido. - Mas, eu achei que você não pudesse mais
- Pois é, eu também achei, mas Deus me concedeu o meu pequeno milagre.
- Poderia ser o nosso! - Ele sussurrou quase inaudível, mas ainda que a minha irmã não tenha notado eu ouvi.
- Aline, a gente precisa ir...
- Aline... - a voz de Jorge ecoou no mercado, todos o olhada. - Porra!... Você vai comprar o mercado, tem quarenta minutos que está aqui destro... Pedro está e esgoelando de fome...
- Deixa de ser exagerado, Jorge! - percebi meu cunhado vacilar em seus passos ao constatar com quem estávamos falando- Eu estava apanhando o que vamos precisar, a casa está vazia há um tempinho.
- Olá, Jorge!- Jean cumprimentou-o com os olhos vidrados no meu sobrinho em seu colo- Então, esse é o pequeno milagre de que falava, Aline?
- Aline... Vai pro carro e alimente o Pedro, a Nick e a Duda também querem você... Eu término aqui!
-Tá bom, Amor! - ela deu um abraço rápido em Jean e um beijo em Jorge- Viemos passar o fim de semana,Jean! Se quiser aparecer, será muito bem vindo. -Aline afirmou e tomou Pedro dos braços de Jorge, seguindo para fora
- Trabalhando... - Perguntou Jorge com as mãos na cintura encarando Jean, podia ver até uma leve torção na boca do meu cunhado.
- Pois é! Comprei o supermercado. - Jean pareceu tenso. - Vejo que vocês estão muito bem.
- Muito... Dois filhos... - Jorge Pegou no meu ombro. - Família unida pro que ser e vier, Tudo muito bem...
- Dois filhos?- eu ri de modo discreto, do modo como Jorge estava esfregando a felicidade dele na cara do outro, e eu sinceramente achava muito bem feito- A Baixinha sempre desejou ser mãe. Que bom ais você conseguiu dar a ela a família que ela sempre desejou.
- É! - Jorge colocou a mão no peito suspirando. - Eu dei mais que uma família, dou amor, e faço ela se sentir a mais importante da casa todos dias...
- Ela merece! - Jean sorriu amarelo. - Então, vocês tiveram gémeos?
- Bem que gostaríamos, mas não, Nicole tem 8?anos, adotamos, é a nossa princesinha, muito agarrada a mãe... Bom preciso ir! - Jorge estendeu a mão num cumprimento. - A gente se vê.
- Até mais! - Jean aceitou a mão que Jorge oferecia e se afastou.
Encarei meu cunhado e caí no riso.
- Vem cantar pra cima da minha mulher, há gavião, aqui tem quero-quero! - Jorge riu. Bora ir embora e anotar o nome deste mercado pra nunca mais vir aqui.
- Acho que a "Baixinha" vai querer rever o amigo dela.
- Nem a Pau... Só se eu morrer! - paramos no caixa. - Baixinha... Vontade de socar... - Jorge Resmungava.
- Relaxa Jorge, a Aline nem notou que o cara estava flertando com ela.
- Há!!!... Tá me falando isso pra me deixar menos zangado? - Jorge me olhou desconfiado, logo abriu um sorriso. - Desmontei o cara!... Fala sério?!...
- O cara sempre foi um banana. Nunca mereceu a minha irmã. Desistiu da Aline na primeira adversidade e agora vem posar de coitado pra ver se a comove. É um imbecil!
- Concordo!!!... - Jorge estava impaciente.
Assim que passamos no caixa fomos pro carro, colocamos tudo na caminhonete e fomos para casa.
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O Inquilino 3 (FINALIZADO)
RomanceRenata Quintino viaja para o Canadá para realizar seus sonhos, aprimorar seu inglês e ir para a universidade em Washington, deixando quem ela amava por não entender e aceitar o seus desejos. Os anos passam e Renata esará de volta, madura, feliz, mas...
