Casamento de Renata e Adriano

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Alexandre

Eu estava uma pilha de nervos. Tinha bebido demais na festinha que o Jorge armou pra minha despedida de solteiro, o que se resumiu a eu,ele e uns colegas enchendo a cara numa boate.
Por conta disso, minha cabeça pesava uma tonelada,e atrelado a esse mal-estar,ainda tinha aquele formigamento no meu estômago, quando Jorge adentrou o quarto, eu tentava inutilmente fazer um nó decente na gravata borboleta. 

- Cadê a Leninha, Cara?!

- Aff... Que merda você está fazendo? - Ele veio ajeitar a minha gravata. - Sua irmã está com a Renata no SPA... Esqueceu?

Jorge desfez o nó da gravata.

- Eu não acerto fazer essa porcaria, a sua irmã devia ter planejado um casamento havaiano.

Jorge me encarou por uns segundo, passou a gravata pela gola da minha camisa e passou a fazer o nó.

- Está chovendo no Guarujá... Até seria interessante fazer um casamento deste. - Jorge terminou a minha gravata e tomou distancia para ver se estava perfeita.

- Como você consegue, Cara?

- Anos usando isso! - Ele se sentou na cama. - Eu e a Aline compramos um presente para vocês... Espero que gostem e curtam bastante.

- Presente é? Espero que não seja uma daquelas cintas com prótese peniana acoplada. Vindo de você, não duvido de nada!

- Aí você me deixou triste! Aquilo é tão gostoso. - Jorge me encarou sério e por um segundo achei que estava falando a verdade quando começou a rir.

- Eu não sei porque ainda te levo a sério!

- Nem eu me levo a sério. - Jorge se levantou tirando um envelope do bolso de dentro do paletó. - Viagem para Fernando de Noronha, sete dias.

- Caralho! - emendei contente e o abracei. - Sua irmã vai amar aquelas praias, sol e calor!

- Eu sei... acho que chega de States por enquanto... Uma boa praia brasileira é a pedida. - Jorge me abraçou mais uma vez. - Faz a minha irmã feliz! Conto com você e... - Jorge me olhou emocionado. - Bem vindo a família Quintino.

- Tenho de admitir... Eu gosto de você, cunhadão!

Jorge gargalhou concordando comigo.

- Eu também gosto de você... Acho que não ganhei um cunhado. Eu ganhei um irmão, pau pra toda obra. - Jorge se afastou secando os olhos. - Cara! Chega de viadagem!

- Ninguém precisa saber disso! E pra completar o momento smurf, obrigado por fazer a Aline tão feliz! Ela levava uma vida muito vazia antes de você e seus filhos!

- E Ela me faz muito feliz. Nunca pensei que iria me apaixonar por uma mulher com dois pés esquerdos, que quase me matou! - Jorge riu. - Eu me lembro do primeiro dia que nos conhecemos... Você largou aquela maluca no estacionamento da delegacia... como você pode ir embora deixando sua irmã com um cara estranho... só ia dar merda mesmo... - Jorge riu.

- Você conhece a minha irmã o suficiente pra saber que quando ela nos enlouquece, é pra valer! Cara, naquela mesma semana, eu livrei a Aline de ir presa numa briga de bar, a sua Leninha era barraqueira.

- Eu tenho que andar de cabeça baixa, qualquer dia vai me pedir pra usar burca. - Gargalhamos alto. - Que ela não nos ouça!

- Vamos admitir que é uma tampinha barraqueira e noiada, mas não vivemos sem ela!

- Não mesmo! - Jorge voltou a se sentar. - Você acha que a Aline vai me matar se eu sujerir pra gente adotar mais uma criança?

- A Leninha é louca por crianças, eu acho que ela vai amar a idéia!

- É... - Sorriu animado, olhou para o relógio. - Está pronto?

- Eu estou uma pilha da nervos! - confessei.

- Eu sei... Já vivi isso. - Jorge se levantou indo até a porta, a abriu e me olhou. - Eu sou a sua carona para a igreja, então se tem que fazer xixi, faça agora!

- Cinco minutos! - respondi e Jorge gargalhou, segui pro banheiro e aproveitei pra lavar o rosto. - Hora da verdade, Alexandre Viana! - sorri para mim mesmo e deixei a casa. - E aí, cunhado! Você se casaria comigo?

Jorge me olhou e desmunhecou.

- Te dou casa, comida e roupa lavada! - E mandou um beijo para mim, rimos.

- Vamos lá,garotão! - fiz uma voz afeminada.

- Ui! arrasou, mona! - batemos as palmas das mãos.

 Adentramos o carro e seguimos em direção a igreja, Jorge puxava assunto, falando de coisas aleatórias pra me distrair, mas eu só conseguia pensar em Renata usando um vestido estilo princesa,com um véu longo arrastando no chão e os cabelos presos num arranjo bonito, imaginei Duda usando um vestido parecido ao da minha noiva.

Era engraçado que eu podia até fazer uma projeção da nossa vida juntos.

Com dois meninos correndo pela casa,além da Duda, meus cabelos embranquecendo a medida que as crianças cresciam,o corpo magro de Renata ganhando curvas sinuosas.

Eu estava perdido em meus pensamentos quando percebi que o carro ia perdendo velocidade.

- Já chegamos? - indaguei, me sentindo ainda mais nervoso.

- Chegamos. - ele disse baixo. - Tem bastante gente!

- Espero que a Renata não demore muito.

- Vou mandar uma mensagem pra Aline... - Jorge estacionou o carro, apanhou o celular, e em vez de mandar mensagem, ligou para ela colocando no viva voz. - Seu irmão está quase enfartando aqui dentro do carro... - ele disse olhando para mim assim que Aline atendeu.

- Vai se foder, Jorge! - Olha a boca, Alexandre! - Aline o repreendeu.

- Até agora você estava querendo se casar comigo! - Jorge falou chocado. - Seu irmão é um mal criado! Assim ele me magoa!

- Estão vindo para a igreja? - Jorge desceu do carro.

- Estamos acabando os arranjos no cabelo da Renata. - Isso não é uma desculpa porque elq desistiu de se casar comigo, né?

- NÃO. - berrou Renata. Deu para escutar as risadas da mulherada.

- Estou esperando ansioso, meu amor! - Espera mais um pouco. - Aline retrucou, se divertindo.

- Estou louco pra te ver... Vem logo. - Jorge falou para Aline. - Já estou pensando na vendinha do vestido.

- Dá pra os dois pararem?! - Você está precisando de sexo, Alexandre! - Aline gargalhou antes de desligar.

- É chegada a hora, certo?

 A resposta de Jorge foi um sorriso e ambos deixamos o carro seguindo para dentro da igreja, que estava cheia de convidados.
Tomei o meu lugar no altar,onde meus sogros estavam felizes,lamentei por meus pais não estarem ali conosco,mas eu sabia que em meu coração eles ainda estavam vivos e que se pudessem nos ver,estariam felizes e orgulhosos por mim e por Aline. Minha irmã e eu tínhamos batido muito cabeça, mas agora finalmente tínhamos encontrado a tão almejada felicidade!

O Inquilino 3 (FINALIZADO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora