Alex e Jorge falam sobre o Caso CAIO

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Eu observava o pequeno Pedro, pensando no quanto o tempo estava passando rápido! Foi outro dia que ele nasceu, pequeno e mirrado, tão frágil que eu tinha a impressão de que ele poderia quebrar a qualquer momento, e ali estava ele agora, redondo e vermelhinho, totalmente alheio ao mundo a sua volta. Ele era feliz, porque ele ainda não tinha noção do que era ser um homem, mas provavelmente ele saberia como agir perante a vida quando se tornasse um, porque ele tinha um pai para orientá-lo. Apanhei meu sobrinho no colo e acarinhei seus cabelos que não eram mais ralinhos como antes. Ele tinha aquele suave cheiro de infância, que me                       

Ele tinha aquele suave cheiro de infância que me transportava ao passado e me fazia pensar no nascimento da Duda, a minha princesinha dos cabelos vermelhos, que um dia teria que conhecer a sua verdadeira história. Senti uma súbita vontade de chorar e sucumbi as lágrimas, que corriam soltas sem esforço. Ninei Pedrinho em meu ombro e senti seu corpo ficando mais pesado e relaxado nos meus braços. O que indicava que ele dormiu, aninhei o menino ao berço,acarinhei seus cabelos e o cobri com uma mantinha, sequei as lágrimas e fui para o banheiro lavar o rosto. Não queria que ninguém me visse chorar.

- E aí esse jantar sai,ou eu vou ter que ficar aqui segurando vela pra vocês,com o estômago grudado na coluna? - Aline estava abraçada a Jorge no sofá e sorriu pra mim.

- Eu já estou indo pra cozinha fritar batatas pra vocês.

- Opa! E aquela farofinha de calabresa,rola?- apelei

- Já mandei preparar! - ela revirou os olhos e levantou com um sorriso indo pra cozinha. Será que algum dia eu seria feliz como a minha irmã?

-Já falou com ela? - perguntei, ocupando o lugar onde antes Aline tava sentada,um pouco mais distante do Jorge. - Ou essa missão difícil é mesmo minha?

- Essa missão com certeza é sua. - Jorge sorriu. - Aproveita que tá de bom humor!

- Não acho que vá dar trabalho convencê-la! Temos a motivação certa pra estimular a Aline.

- Isso É verdade.

Aline veio da cozinha, usando um avental da Shena

- O que é isso?- apontei pra o seu avental rindo.

- Fica melhor no Jorge! Falavam de mim?

- Como assim melhor no Jorge?

Jorge caiu na risada.

- Cala a Boca, Aline!!. - ele ria. - Bem que você amou o dia que usei.

- Por favor, me poupem dos detalhes!

- Melhor mesmo! - Aline gargalhou.

- Andei estudando o processo de adoção da Nicky, Aline!

- E?

- Podemos ter problemas.

- Por que?

- Duas palavras, Caso Caio.

- Oh merda!

- Põe merda nisso... - Disse Jorge contendo o riso. - pode se quebrar a cara do cara, mas nunca o carro.

- Por que não? -Aline olhou para Jorge curiosa,e depois para mim com um olhar fuzilante que dizia "Você e a sua boca grande!"

- Você quebrou a minha cabeça e eu não te processei... Mas se mexesse no meu carro... - Jorge torce a boca. Com certeza... E mesmo gostando de você, iriamos nos enfrentar no tribunal... - Jorge se levantou. - O cara tava de boa com o pezinho torcido... Provavelmente iria te chamar de louca, maluca, mandar você procurar um.psiquiatra... mas a Aline tinha que ir lá e riscar o carro do traidor Filho da...

-Tem um erro na sua teoria, Jorge... - Ela disse erguendo o nariz e eu já sabia que esse gesto significava que ele tinha acendido o pavio e qualquer palavra errada e ela explodiria.

- O Caio me chamou mesmo de maluca e outros elogios que prefiro nem comentar,mas ele não me processou. Aliás, ele queria voltar três dias depois do "incidente"

- Haaaaaaaaaaa... A e você fez o quê? - Jorge cruzou os braços a encarando.

- Eu não fiz nada! Estava presa!- ela riu- Mas,ele tentou me chantagear.

- A... Fiquei com dó!. - Jorge foi sarcástico., Aquele sorriso sínico no rosto, provocativo.

- Bom! O Caio procurou a Aline na delegacia e disse que tiraria a queixa se ela voltasse com ele- continuei ,rindo do embaraço da minha irmã -Ele era maluco! Mas o fato é que ela não podia retirar queixa nenhuma,já que o processo foi iniciado pela mãe dele.

- Há! Além de se achar o gostosão e te trair, a mamãe tomou as cores do filho...- Jorge tapou a boca com as não se fazendo de surpreso. - Ainda bem que se casou comigo...

- Oxi Dona Aline... Quer que eu traga o cinzeiro? - Maria estava de pé próximo a mesa.

- Maria... Tá demitida! - Jorge apontou para ela.

- Oxi... desde quando tu manda na casa?                       

Aline gargalhou e abraçou Jorge.

- Não estão curiosos pra saber como ela se livrou da enrascada?

A esta altura até as meninas estavam a nossa volta.

- Muito curioso! - Jorge beijo Aline. Me contem enquanto comemos.

- O Seu Valter sempre gostou muito da Aline! Ele dizia que ela era a filha que ele não teve e arcou com o advogado. A megera da esposa dele achava que a Aline era filha do Seu Valter!

- Absurdo! Eu sou a cara do meu pai.

Rimos do tom quase infantil da minha irmã

- Eu sempre achei você mais parecida com a mamãe! - ela mostrou a língua e eu retruquei. - Olha os maus hábitos na frente das meninas.

- Isso é feio tia Aline... - Disse Nicole enfiando uma colherada de purê de batata na boca.

- Isso mesmo! - Disse Jorge concordando.

- Desculpa,não faço mais!- eu sabia que ela faria na primeira oportunidade, mas ela com certeza não queria dar um mal exemplo, então achou melhor desculpar-se

Rimos com seu sorriso tímido.


O Inquilino 3 (FINALIZADO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora