Capítulo Oito.

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" Seu sorriso havia transformando-se no meu castelo particular. Toda vez que olhava para a tonalidade azul dos seus olhos sentia a estática."

Sofia Montserrat.

Eu me acolhia como se fosse um pobre gatinho assustado sobre o assento de couro do carro. Nunca havia entrado em um antes, e tão pouco estar sozinha com um homem. O ar gélido entorpeceu meu rosto enquanto um pequeno arrepio percorreu levemente cada centímetro da minha espinha. Segurei com rigidez a minha caixinha de música como se fosse me proteger de algum mal.

—Está com frio? —Ele havia perguntado com a voz rouca.

Não conseguia encara-lo de imediato, pois, estava com medo, ou possivelmente fosse à vergonha de estar sozinha com um homem pela primeira vez. O silêncio que foi estabelecido entre nós dois era reconfortante, por que não havíamos conversado desde o momento que entrei no carro dele. Entretanto, olhei para o vidro fumê do passageiro e notei a chuva tamborilando igual ao som de um concerto. Era extremamente cruel ouvir somente aquele barulho, misturado com as nossas respirações alteradas.

—O gato comeu sua língua, Sofia? —Falou novamente, só que dessa vez aumentou o tom da sua voz.

—Estou com um pouco de frio, senhor. —Falei baixinho, Virando meu rosto encarando seus olhos azuis de tirarem o fôlego.

—Um segundo!. —Ele apertou o botão do painel do carro, fazendo que o ar gélido começasse a desaparecer aos poucos. —Desliguei o ar condicionado para que não sinta mais frio!. —Explicou.

—Obrigada, pela sua gentileza, senhor. —Agradeci baixinho.

Constatei uma de suas mãos indo até o banco detrás do carro e pegando um casaco preto.

—Coloque-o assim não sentirá tanto frio. —Ele estendeu o casaco em seguida, mantendo sua concentração na estrada.

O peguei com relutância, e meus dedos intencionalmente roçaram-nos dele fazendo que borboletas voassem sobre a minha barriga devido ao seu toque suave. Coloquei o casaco entre meus ombros e abracei meu corpo.

—Eu não tenho palavras para expressa meus agradecimentos pela sua generosidade em me emprestar o seu casaco, senhor Pietro. —Corei.

Nossos olhares se cruzaram repetidamente por frações de segundos.

—Primeiramente não me chame de senhor. —Fez uma pausa prolongada. —Eu não sou tão velho o quanto imagina, sem formalidades, somente Pietro. —Respondeu concentrado no trânsito. —Segundo, não lhe dei o meu casaco por generosidade, e sim por que se você vier a ficar doente, eu perderia o meu tempo a levando no medico, e cuidando do seu bem-estar, e sou um homem muito ocupado para perder meu tempo com algo tão irrelevante!.

As palavras dele me atingiram cruelmente. Algo me precavia que o senhor Pietro Montserrat, era um homem impiedoso, e sem bom senso algum. A maneira que ele havia tratado Felipa me mostrou a minha nova realidade, todavia, estava decidida a ganhar o seu afeto aos poucos, mesmo que eu fosse alvo das suas indelicadezas. Além disso, já era acostumado com humilhações frequentes.

—Desculpe. —Mordi meu lábio inferior de nervosismo. —Eu... Nunca fiquei doente antes, e tenho uma saúde boa, que até as freiras do orfanato sempre elogiaram. —Respondi amavelmente.

—Não me importo em saber sobre o seu prontuário medico!.—Rosnou. —Para mim o importante é que você não fique doente, e nem com frescuras, não admito esse tipo de comportamento estúpido!

—Comportamento estúpido?—Indaguei confusa.

—Tudo que conjugo tolo, é estúpido, sacrifício!.—Rebateu de imediato.

(Proibida Pra Mim)Onde histórias criam vida. Descubra agora