Capítulo Doze.

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"Eu estava mentindo para mim mesma, não acreditava que ficaria sem o seu amor".

Sofia Montserrat.

Bocejei me sentando na cama confortável. Ergui meus braços para cima enquanto me espreguiçava. Essas poucas horas de sono já valeram para minha vida inteira já que não tinha oportunidades de dormir sem me preocupar com as tarefas diárias do orfanato. Olhei para o despertador em cima do criado-mudo, e me assustei ao notar que já havia passado do café da manhã.

Tinha perdido o horário, ou pior havia desrespeitado uma das regras do senhor Pietro, e provavelmente arcaria com a minha irresponsabilidade sendo castigada rigorosamente. Contudo, eu já estava acostumada. Levantei-me da cama pensando em algumas lembranças da época do orfanato.

"Quando eu tinha exatos dez anos de idade, fiquei empolgada para o natal, pois, era a única data em que ganhava presentes, ao invés dos maus-tratos da gestora Aguilar. Os benfeitores do orfanato compravam inúmeros brinquedos e traziam um banquete com comida farta. Uma dessas épocas havia ganhado uma boneca de porcelana, com cabelos encaracolados pretos, e com vestido roxo. Amava aquela boneca, pois, nunca tive a chance de ganhar algo tão maravilhoso, coloquei seu nome de "Bella". Eu lembro que passei o dia inteira brincando com ela em meus braços, até que as pessoas responsáveis pelo meu presente foram embora. Meu coração me alertava que nunca mais veria aquela boneca. Infelizmente estava correta, pois, a gestora Aguilar foi até o dormitório e pediu que a entregasse, e como havia negado fui castigada severamente. Ela me bateu com o seu cinto preto, e me ofendeu de todas as maneiras possíveis. Enquanto chorava, ouvia inúmeros órfãos rindo de mim. Aquele dia descobrir o significado da palavra Bullying, e Fiquei de castigo pela primeira vez no sótão velho, e escuro do orfanato. Naquele dia meu coração descobriu o significado da crueldade nas pessoas".

—Querida? —Marina indagou, chamado a minha atenção.

Eu estava entretida com á terrível lembrança, que não havia notado sua presença.

—Marina. —Sussurrei. —Não conseguir acordar no horário do café da manhã...Desculpas, provavelmente o senhor Pietro ficou furioso —Me sentia envergonhada por ter desrespeitado uma das regras.

—Não se preocupe com essa besteira de regras do patrão, querida. —Ela disse, sorrindo. —O patrão sempre foi um homem rígido, só que por deus ele está passando dos limites ultimamente!.

—Eu o entendo, acredito que deva ser um sacrifício para ele, conviver com alguém que odeia tanto em sua mansão. — Me apressei em dizer.

—Está enganada, o patrão não te odeia. —Ela se aproximou. —Se ele te odiasse a teria deixado no orfanato, e também não me pediria para vim acorda-la tão tarde para tomar café da manhã. Ainda pouco ele ficou preocupado com o seu bem-estar, no fundo o patrão não é cruel e não odeio você.

—Isso é verdade? —Perguntei esperançosa.

Desde o momento que cheguei à mansão Montserrat, o senhor Pietro, não havia demonstrado amabilidade alguma, pelo contrario, me tratava como se eu fosse à culpada pelo sofrimento que ele carregava dentro de si. As únicas vezes que houve gentileza da parte dele foi quando estávamos no seu carro, e amavelmente ele estendeu o seu casaco para me proteger do frio, ou na noite passada que esteve aqui no quarto, e possivelmente fez alguma declaração ou algo do gênero em Francês, para que eu não pudesse decifrar suas palavras.

—Sim querida, o patrão pode até ser rígido, mas ele é um homem bom e cavalheiro, basta conhecê-lo melhor que verá como estou sendo franca.

(Proibida Pra Mim)Onde histórias criam vida. Descubra agora