Capítulo Trinta e quatro.

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 Só gostaria de compartilhar que todo sofrimento que já passamos na vida, ou algum obstáculo é para nós fortalecemos, e crescemos como adultos.

"A dor que sinto não se apagará com o tempo."

Sofia Montserrat.

A verdade era sinônimo de libertação para todos os males. Na época do orfanato havia escutado a mesma frase centenas de vezes, contudo, não existia um real motivo para me preocupar em confessar os anos de humilhações e maus-tratos que sofria, pois ninguém acreditaria na minha palavra.

Felipa, faleceu e levou consigo uma parte importante minha. Agora que ela descansou em paz, não existia nenhum motivo para guardar o segredo que durante meses ocultei da Marina, e do próprio senhor Pietro. Depois de anos de sofrimento, e dores emocionais, me libertaria através da verdade, e possivelmente as lembranças ruins ainda restariam, porém, seria como menos frequência do que estava acostumada a ser.

"Justa Aguilar, a mulher que me causou tanta dor, teria que arcar com as suas próprias maldades. A lei do retorno funcionaria." 

Após a senhora Sambunner, ter assinados os documentos faltantes da minha guarda definitiva, o senhor Pietro me trouxe de volta para a mansão, e me ofereceu palavras de conforto e apoio incondicional para procurar o cemitério a onde o corpo da Felipa foi enterrado. Estava deitada na cama dele, o abraçando. Minha cabeça encontrava-se apoiada sobre o seu peitoral, enquanto meus dedos seguravam a sua camisa social amarrotada. Não havíamos conversado o suficiente sobre tudo o que ocorreu no orfanato, e tão pouco a maneira que desconfiaram da nossa aproximação.

Ele tratou de me levar até o seu quarto e de alguma maneira tentou me confortar com palavras carinhosas. Eu sabia sobre as dores que o senhor Pietro, carregava consigo, e também existia o conhecimento que talvez ele pudesse sabe o mesmo sobre mim.   

"Duas almas unidas pelo sofrimento."

Não precisa me conta nada.—Ele quebrou o silencio, com a sua voz calma.Se não quiser eu entenderei.Completou a frase.

havia pensado se valeria apena arriscar tudo que lutei para esconder durante meses, más essa situação estava insustentável. Felipa encontrava-se morta, e a culpada além, da gestora que contribuiu para a tragédia que ocorreu, também era eu que não a ajudei revelando a verdade quando existiu a oportunidade.

Eu...Quero conta tudo.Falei, fungando um pouco.

Fique calma, e comece me contando as lembranças boas que você teve no orfanato com a Felipa.Ele passou suas mãos envolta da minha cintura.

Gostaria de ter alguma lembrança boa do orfanato, más não tenho.Inclinei meu rosto para olha-lo.Felipa foi a única que me deu amor e cuidou de mim no tempo em que estive lá. 

Eu entendo o seu sofrimento por perde alguém que amava tanto. Alguns anos atrás passei pela mesma dor. Quando a busquei no orfanato pela primeira vez, eu sabia que você não era feliz naquele lugar, como tantas e outras crianças.Declarou triste.Uma pequena menininha se aproximou de mim e confessou no meu ouvido que você era a responsável por manter a limpeza do orfanato e também profanou um apelido que abomino. Justa Aguilar me garantiu que era mentira, más sempre existiu a questão da duvida. 

Tudo que a interna disse a você era verdade.Me apressei em dizer.Todos no orfanato me apelidaram de...Gata borralheira, por que assim como ela, eu limpava, passava, e ajudava a Felipa a cozinhar e manter os dormitórios impecáveis. Eu nunca fui feliz naquele lugar. Uma vez cheguei a me questionar se possivelmente não fui sequestrada, e se meus pais não estavam a minha procura, porém, a gestora Aguilar me confirmou que me abandonaram como um saco de lixo, e anos depois Felipa, me contou alguns detalhes sobre quando me deixaram no portão do orfanato.Mostrei um sorriso triste.       

(Proibida Pra Mim)Onde histórias criam vida. Descubra agora