"Imaginei sincero quando você não era assim, que tonta eu fui."
Sofia Montserrat
O Vento entorpeceu o meu rosto assim que comecei a andar. Raramente parava de caminhar para descansar em algum lugar. Para mim todas as ruas eram desconhecidas, e não existia a ideia da onde estava. Num ato desesperado houve coragem o suficiente para fugir, contudo, não pensei apropriadamente nas consequências dos meus atos. Existia desespero por não compreender a onde estava. Eu tinha fome, frio, medo, e nem seque possuía dinheiro ou algum lugar seguro para permanecer na madrugada.
Encontrava-me arruinada, pois, não havia decoração o caminho para voltar à mansão Montserrat. Sentei-me no meio fio da calçada, olhando para uma praça. Não havia ninguém no lugar, contudo, existiam alguns banquinhos e jornais no mesmo que poderiam adequar-se a uma cama improvisada. Existia do outro lado uma área reservada para as crianças pequenas, com escorregadores, balanços, e gangorras.
Levantei-me, e atravessei a rua indo até a praça. Assim que cheguei me sentei no banco abraçando meu próprio corpo para me proteger do frio da madrugada. Virei o meu rosto e ao lado avistei um jornal antigo aberto na penúltima pagina, tinha uma reportagem que me chamou atenção que falava sobre crianças desaparecidas. Quando fiz menção em pega-lo ouvia passos pesados aproximando-se.
Inclinei meu rosto e para o meu total desespero um homem cheirando á álcool estava vindo cambaleante sobre a minha direção.
—A mocinha precisa de ajudar?.—Perguntou com dificuldades devido a embriagues.
Olhava com pavor para o dono da voz pegajosa e grossa. O homem se aproximou o suficiente para sentar no banco a onde estava. Reparei que as roupas dele encontravam-se rasgadas, e o rosto estava sujo, os cabelos eram brancos revelando uma possível idade avançada. O cheiro de álcool misturado com o seu próprio odor se tornava insuportável para respirar.
—Não preciso de ajuda, estou bem. —Balbuciei trêmula. —Já estava indo embora. — Afirmei, me levantando para ir embora, contudo, ele foi ágil me agarrando pelo braço, e me fazendo permanecer no mesmo lugar.
—Calma mocinha. —Disse passando sua língua nos lábios. —Você é tão bonita para ficar numa praça sozinha.
—Eu não estou sozinha. —Afirmei, sentindo meus olhos marejados. —Meu namorado virá em questão de minutos. —Mentir.
—Não duvido que uma gracinha como você, tenha namorado más, não o vejo em lugar algum. —As mãos dele continuavam no meu braço apertando-a com rigidez. —Talvez ele nem venha busca-la essa hora da madrugada.
Tentei me afastar, entretanto, foi em vão. Ele se aproximou gradualmente do meu corpo, enquanto permanecia em pânico, olhando para os lados na esperança de encontrar alguém que pudesse me ajudar. A praça se encontrava vazia, e seguramente não havia ninguém por perto.
—Me deixe em paz, ou vou gritar!.—Assegurei, tentando esconder o medo no meu tom de voz.
—Grite a vontade mocinha. —Ele gargalhou. —Não tem ninguém essas horas para ajuda-la. —Garantiu próximo dos meus lábios.
Eu não conseguia conter o medo e a frustração. Pressentia que algo de ruim fosse acontecer comigo. Ser estuprada não estava nos meus planos. Caso ocorresse não aguentaria carregar essa marca para o resto da vida sobre o meu corpo e minha alma.
—Se tentar fazer alguma coisa... Meu namorado vai bater em você. —Disse trêmula. —Ninguém virá para salva-la!.—Declarou.
Tentei gritar por socorro, contudo, ele havia notado o que pretendia fazer e tampou a minha boca com uma de suas mãos sujas. Meus olhos libertaram as poucas lágrimas que restaram dentro de mim. A outra mão do homem foi de encontro com as minhas coxas, me fazendo experimentar a completa repulsar. Eu sabia o que aconteceria. Seria estuprada, e se acaso após o ato permanecesse viva arcaria com as consequências. Teoricamente após o ato de romper a minha barreira da virgindade, pensaria em retirar o meu próprio sofrimento.
—Você sentirá tanto prazer mocinha que implorara por mais. —Informou me agarrando com volúpia e ficando sobre o meu corpo em seguida.
A imagem dele sobre mim seria lembrada para o resto dos meus insignificantes dias. Se houvesse a oportunidade voltaria no tempo e enfrentaria o senhor Pietro Montserrat, ou o homem conhecido pelo seu coração empedrado.
"O culpado era o Pietro Montserrat, e nunca o perdoaria pela minha desgraça".
O homem tentou colocar seus lábios grossos nos meus, lutei para que isso não ocorresse. Existia a certeza que precisava ser corajosa o suficiente para agir, pois, não viveria com o estupro vagando pela minha. Em uma distração dele usei uma de minhas pernas acertando-o no seu órgão sexual. Ouvia seus gemidos de dor, e aproveitei a oportunidade de fragilidade dele para empurra-lo e me levantei correndo em seguida.
Corria o mais rápido que as minhas pernas poderiam aguentar. Olhei para trás e notei que ele estava correndo atrás de mim. Quando me encontrava próxima da saída da praça havia derrubado sem intuito algum a minha caixinha de música que estava no bolso do casaco. Por frações de segundos vejo-a quebrando-se ao cair no chão cimentado. Tentei pega-la de volta, contudo, o homem continuava correndo em minha direção com um canivete numa das mãos.
Sem alternativas deixei a única lembrança que foram dos meus pais para trás, e continuei correndo. Precisava salvar a minha vida, não poderia morrer nas mãos desse homem. Havia conseguido sair da praça, contudo, atravessei a rua sem prestar atenção se teoricamente estava passando algum carro. A minha intenção era correr o mais longe possível para perdi socorro. Porém, foram questões de segundos para acontecer.
O clarão se aproximou de mim na medida em que o meu coração tornava-se pulsante. Sentia o impacto do carro me acertando e me arremessando para outro lado do asfalto. Tudo havia acontecido rápido para assimilar. Minha cabeça encontrava-se dolorida, e meus olhos estavam com a visão turva.
Esforcei-me e conseguir observar o homem de terno saindo do carro, e aproximando-se transtornado. Foquei a minha visão, e quando me atrevia a olhar para o rosto do homem que me atropelou fique surpreendida em enxergar que o causador do meu acidente era o mesmo que partiu o meu coração com suas palavras cruéis. O senhor Pietro Montserrat, havia me atropelado.
—Sofia. —Disse num tom inaudível. —Meu deus! O que foi que acabei de fazer!.—
Guardei suas palavras dentro do meu peito, como se fosse algo de extremo valor. Minhas pálpebras se encontravam fechadas, e tentei lutar para permanecerem acordada, más, não conseguia. Uma parte ainda presente de mim sentiu quando as mãos do senhor Pietro, pararam no meu rosto me fazendo um leve carinho, e em seguida me pegou no colo.
—Me perdoe e fique viva minha Sofia. —Declarou baixinho.
As últimas lembranças que tenho consciência eram dos olhos azuis amedrontados do senhor Pietro, e do nosso primeiro, e possivelmente ultimo beijo. Não restava duvidas que o homem cruel com coração empedrado, acabará de roubar o meu coração, assim como, o resto da minha vida.
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(Proibida Pra Mim)
Romantik(Saga amores impossíveis.) Livro completo, porém, sendo repostado. A inocente Sofia, quando recém-nascida foi abandonada cruelmente no portão de um orfanato com uma caixa de música enrolada entre sua manta. Durante anos não houve respostas, ou até...
