"A rejeição é profundamente penoso. A rejeição era tudo que eu menos precisava".
Sofia Montserrat.
Nossas bocas estavam perfeitamente sincronizadas, e até parecia que nossas línguas dançavam um tango extremamente sensual. O beijo foi aprofundando-se, e tentei beija-lo da mesma forma que seus lábios experientes me beijavam, contudo, não conseguia acompanha-lo no mesmo ritmo.
Provavelmente ele havia notado a minha inexperiência por que foi suavizando o beijo para algo calmo. As mãos dele continuavam sobre a minha cintura, enquanto seus dedos roçavam de leve a minha pele descoberta pelo pijama.
—Eu não posso beija-la!.—Ele informou baixinho ainda entre os beijos. —É imoral a minha atitude!.
Aos poucos a boca dele parou de se mover junto a minha. Suas mãos afrouxaram o aperto sobre a minha cintura e lentamente foi afastando-as. Subitamente seus lábios foram retirados dos meus.
—Por que você entrou na minha miserável vida?. —Questionou num tom inaudível.
Em resposta permanecia em silencio olhando para ele. A sua feição estava dura, e seus olhos foram abertos e fechados em seguida, como tenta-se ficar acalmar.
—Você não podia me beijar, sacrifício!.—Disse, colocando suas duas mãos no meu ombro, e me chocalhando em seguida com agressividade. — Por que precisava ser tão estúpida a ponto de me beijar?.—Perguntou furioso.
—Foi você que... Deu-me o beijo. —Rebati perplexa.
—Eu disse para você ficar longe de mim!.—Continuava me chocalhando. —Nunca deveria te me desobedecido sua miserável bastarda!.—Gritou próximo do meu rosto.
—Por favor, pare o senhor está me machucando. —Implorei com os olhos cheios de lágrimas.
—Só vou solta-la quando eu acha necessário!.—Informou apertando com mais rigidez o meu ombro.
—Por que precisava ser tão cruel... Comigo?.—Balbuciei num fio de voz.
—Eu odeio tudo que você representa em minha vida!.—Declarou cruelmente parando de me chocalhar.
—Não pense que só por que conseguiu me beijar serei amável com você. Se depende de mim a sua insignificante vida será um inferno ao meu lado!.
—Você é um homem cruel!.—Gritei munida de coragem. —Eu não fiz nada de errado para ser maltratada, ou humilhada pelo senhor!.—Desabafei.
—O meu pior erro foi trazê-la para minha casa! Eu desisto, amanhã a devolverei para orfanato. —Informou—Seus pais não a quiseram quando era uma recém-nascida inocente, e eu, não a quero nem que abra nesse instante o zipe da minha calça e chupe o meu pau!.
Fiquei perplexa com a sua declaração e chorei. Em instantes o senhor Pietro, que conjugo ter uma pedra no lugar do coração, soltou meus ombros me empurrando com veemência para trás. Por sorte conseguir me equilibrar a tempo antes que pudesse cair no chão.
—O senhor é muito cruel!.—Informei a ele. —Espero que algum dia possa existe um coração, ao invés de uma pedra no lugar. —Fui dando leves passos para trás, permanecendo olhando para seus olhos azuis que transmitiam impiedade.
—Eu disse que não há nada de bom em mim!.—Fez uma pausa. —Nunca serei bom ou gentil com você, e nem com ninguém bastarda idiota!.—Concluiu a frase, virando os calcanhares e saindo do quarto batendo a porta com brutalidade.
Mantive forças o suficiente para me sentar na cama, e deixar as lágrimas caírem sem nenhum pudor. Solucei alto ao lembrar-se do jeito desumano que havia sido tratada pelo senhor Pietro, ou das palavras cruel que pronunciou.
"O meu pior erro foi trazê-la para minha casa! Eu desisto, amanhã a devolverei para orfanato. Seus pais não a quiseram quando era uma recém-nascida inocente, e eu, não a quero nem que abra nesse instante o zipe da minha calça e chupe o meu pau."
Eu estava cansada de humilhações, e maus-tratos. No fundo o meu coração só queria ser amado por alguém, e não desprezado. Contudo, quando os soluços cessaram, enxuguei minhas lágrimas com a palma da mão, e considerei que precisava ir embora, antes que voltasse para o infortúnio do orfanato santa Bárbara.
Levantei-me da cama, e fui até o closet para trocar de roupa. Peguei uma calça jeans e uma blusa de moletom branca, vestindo-as. Coloquei nos meus pés uma sapatilha, e estava pronta para fugir da mansão Montserrat.
"Pietro Montserrat, não era um homem misericordioso, fugiria dele antes que a sua ameaça fosse cumprida".
Abria a gaveta da Penteadeira pegando a caixinha de música, a única recordação dos meus pais, e também o casaco dele.
—Nunca mais serei humilhada por ninguém enquanto eu viver. —Declarei em voz alta para mim mesma. —Fugirei da mansão e encontrarei um lugar só meu a onde não existirão mulheres impiedosas como Justa Aguilar, e nem homens cruéis, com coração empedrado como o Pietro Montserrat.
Apertei os pertences sobre o meu peito. Caminhei até a porta com leveza nos pés e deixei o quarto. Espionei o corredor e verifiquei que não existia ninguém lá naquele momento. Enquanto caminhava olhava para cada pertence luxuoso pela ultima vez, até que cheguei ao topo da escada. Segurei o ar dos meus pulmões e fui descendo com cuidado os degraus. Assim que cheguei ao hall de entrada avancei até a porta principal colocando minhas mãos na maçaneta e girando-a com delicadeza para não produzir nenhum barulho.
Eu tinha noção que cometeria uma loucura fugindo, contudo, preferia arriscar ao invés de permanecer num ambiente cujo próprio dono me odiava, ou possivelmente voltar para o lugar a onde passei a maior parte dos meus dezessete anos sofrendo. Virei meu rosto para uma ultima olhada antes de ir embora. O senhor Pietro Montserrat, nunca mais me veria, e faria questão de desaparecer sem deixar nenhum vestígio da minha existência. Eu faria questão de ir para longe do homem que tinha consigo um sofrimento perturbador que o transformou num ser cruel e inapto para sentimentos.
{...}
Percorria o entorno do jardim da mansão, e parei próxima de um cultivo de rosas vermelhas. Agachei para apreciar o perfume, e olhei para o portão principal, notei dois seguranças conversando. Contudo, me mantive quieta e escondida, por que hipoteticamente caso um deles me vissem chamariam o senhor Pietro, e o meu plano de fugir seria frustrado.
Levante-me e continuei caminhando até que parei em frente ao murro rodeado de plantas trepadeiras. Considerei que o murro era de porte médio e talvez houvesse a remota possibilidade de pula-lo. Coloquei o casaco do senhor Pietro, e automaticamente o perfume levemente amadeirado invadiu minhas narinas. Guardei minha caixinha de música no bolso do casaco, e comecei a arquitetar a minha fuga meticulosamente. Coloquei minhas mãos sobre a planta e depois meus pés.
Fui escalando o murro com receio que pudesse cair e me machucar. Quando cheguei à parte de cima do parapeito suspirei aliviado por ter conseguido, e olhei para a mansão Montserrat, pensando na Marina, e no afeto que havia ganhado dela nesses poucos dias que permaneci confinada. Deixei que uma lágrima pequena escapasse, ao lembrar-se do beijo que o senhor Pietro, havia dado em mim. Descia o murro da mesma forma que tinha feito anteriormente, e quando meus pés tocaram o lado de fora da calçada à dor que sentia dentro de mim tornou-se insuportável.
Eu iria embora levando comigo o meu coração humilhado e partido, e todas as perguntas sobre a minha mãe sem resposta. Adeus Pietro Montserrat, o homem conhecido pelo seu coração empedrado. Talvez, algum dia encontre você, e finalmente possa descobrir sobre o meu passado, e também sobre as dores que o transformaram num ser desalmado.
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(Proibida Pra Mim)
Romansa(Saga amores impossíveis.) Livro completo, porém, sendo repostado. A inocente Sofia, quando recém-nascida foi abandonada cruelmente no portão de um orfanato com uma caixa de música enrolada entre sua manta. Durante anos não houve respostas, ou até...
