"Eu seguiria você, mesmo que fosse ao purgatório".
Sofia Montserrat
Após o médico terminar de me examinar, ele havia subscrito alguns medicamentos numa receita, e a colocando em cima do criado-mudo próximo ao livro do senhor Pietro.
—Sua garganta está com uma leve inflamação. —Explicou fechando sua maleta. —Não se preocupe logo ficará boa com os antibióticos que receitei. —Seus lábios curvaram-se para um sorriso amável.
Eu não conseguia parar de pensar como o médico Horácio Casanova, era diferente do senhor Pietro. A voz dele era calma e transmitia paz, a feição era relaxada e brincalhona.
"Tão diferente do senhor Pietro, que tinha uma pedra no lugar do coração."
—Obrigada. —Agradecia baixinho.
—Fiz somente o meu trabalho senhorita, e posso atestar como médico que tomando a medicação nos horários estipulados logo ficará boa. —Garantiu. —E o seu namorado ficará bem despreocupado ao vê-la bem. —Comentou.
Não havia notado, contudo, processei meu cérebro outra vez, e constatei que o medico havia confundido o senhor Pietro, como "o meu namorado". Aquela palavra mal colocada estava fazendo meu coração transbordar em alegria.
—O senhor Pietro, não é meu namorado. —Respondi sentindo uma pontada de tristeza. —Generosamente estou sobre os cuidados dele até completar a minha maioridade. — Expliquei.
—Desculpe o meu atrevimento ao achar que o Pietro, era o seu namorado. —Disse encabulado. —Pela maneira como ele havia falado para o meu pai ao telefone, achei que poderia ser. Não quis ser indelicado. —Murmurou.
—Você não foi indelicado. —Rebati sorrindo para ele que de imediato retribuiu o meu sorriso. — Eu... Queria sabe se você conhece o senhor Pietro há muito tempo?.—Inquiri curiosa, pela maneira que ambos se trataram.
—O conheço há tempo o suficiente para enxergar que Pietro Montserrat, é um babaca egocêntrico, que só se importar consigo mesmo. —Replicou de imediato. —Para ser honesto estou surpreso que ele tenha acolhido você.
—No fundo o senhor Pietro é um homem caridoso, se não fosse assim, talvez ele não estivesse assumido a minha criação.
—A senhorita não o conhece da mesma maneira que eu, o conheço. Não confunda caridade, com conveniência pode acabar se iludindo—Fez uma pausa. —Deixarei o meu telefone particular para qualquer problema de saúde, ou até mesmo se quiser conversar comigo. —Ele retirou do bolso do paletó um cartão pequeno o colocando entre meus dedos. —Me ligue se quiser. —Piscou.
—Obrigada pela sua atenção doutor Horácio. —Balbuciei envergonhada, pelo aspecto que ele me olhava.
As mãos dele continuavam paradas nas minhas, segurando-as. O médico Horácio Casanova, demonstrava simpatia sorrindo para mim. A aproximação dele era diferente, até parecia que teoricamente seriamos bons amigos. Contudo, fomos interrompidos com o barulho do livro que estava em cima do criado-mudo e talvez pela má posição caiu ao chão.
—Aquele livro é seu?.—Perguntou, levantando-se e apanhando o livro do chão.
—Pertence ao senhor Pietro. —Retruquei.
—Lolita. —Sibilou, olhando para mim.
Contudo, a porta do quarto havia sido aberta com veemência pelo senhor Pietro, que ratificava ódio através da sua feição.
—Espero que já tenha terminado de examina-la Horácio Casanova?.—O senhor Pietro, perguntou com desdém. —Já permaneceu muito tempo sozinho com ela.
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(Proibida Pra Mim)
Romance(Saga amores impossíveis.) Livro completo, porém, sendo repostado. A inocente Sofia, quando recém-nascida foi abandonada cruelmente no portão de um orfanato com uma caixa de música enrolada entre sua manta. Durante anos não houve respostas, ou até...
