Capítulo Trinta e três. (A morte da Felipa).

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"Eu gosto de pensar que havíamos tudo para dá certo."

Sofia Montserrat. 

De imediato fiquei sem reação alguma. Estava com medo, e angustiada. Justa Aguilar olhou fixamente para mim, me fazendo recuar e abaixar meu olhar assustado. 

—Senhor Montserrat, que prazer em revê-lo.—Falou demonstrando falsa empatia.—A assistente social explicou que hoje seria assinado os documentos finais para a guarda definitiva da Sofia.—Informou sorrindo falsamente. 

—Pretendo assinar os documentos necessários rápido!. Sou um homem ocupado e não quero perde o meu precioso tempo com besteiras que poderia serem resolvidos no meu escritório!.—Declarou ríspido.

—A assistente social pretende conversar em particular com a Sofia, sobre os meses que passou na sua residência senhor Montserrat—Disse a gestora Aguilar.—Espero que tenha sido uma experiência diferente ter conhecido um mundo além do orfanato, e principalmente ter uma família.

Criei coragem e inclinei meus olhos para encara-la, notando seu rosto carregados de maldades.

—Sofia.—Murmurou o senhor Pietro.—Vamos acabar com isso logo, e depois a levarei no melhor restaurante da cidade.—Disse carinhosamente olhando para mim.—Eu sei que não gostaria de estar aqui, mas confie em mim 

—Eu confio em você.—Sussurrei baixinho.—Por favor, vamos embora não quero entrar novamente nesse lugar horrível.—Implorei baixinho.

—Eu prometo que iremos embora, após assinar os documentos restantes e ter a conversa com a conselheira tutelar sobre a sua adaptação nesses meses que passou comigo. Você ficará bem, e lembre-se das minhas palavras, enfrente seus medos seja eles quais forem. 

Mostrei um meio sorriso para ele, e depois olhei diretamente para a gestora Aguilar que analisava cautelosamente o jeito carinhoso que o senhor Pietro me tratava.

—Entrem por favor.—Falou a gestora Aguilar abrindo passagem.

Por alguns segundos não conseguia mover o meu corpo devido o pavor que estava sentindo. Necessitava criar coragem para finalmente enfrentar tudo aquilo que me fazia mal. Contudo, uma parte de mim era fraca.

—Tenha credibilidade em mim.—Disse calmo o senhor Pietro, pegando delicadamente na minha mão.

—Eu...Tenho.—Suspirei fundo, e dei o primeiro passo.

Caminhei com ele ao meu lado, segurando sua mão. Quando adentramos no orfanato Santa Barbará notei como tudo continuava como antes. Virei meu rosto e por frações de segundos encarei a maneira desconfiada que a Gestora Aguilar, olhava para mim e para o senhor Pietro, como se teoricamente suspeitasse de algo entre nós.  

 —Esses meses na sua casa senhor Montserrat, fizeram bem para a Sofia. A aparência dela está ótima, e também percebi como estão próximos um do outro.—Comentou, olhando fixamente para nossas mãos juntas.—Presumia que teria dificuldades com a adaptação da Sofia em sua casa, pois acredito que sendo um homem ocupado não tem tempo suficiente para cuidar da educação dela.—Analisou cinicamente. 

O senhor Pietro respirou fundo e se conteve antes de responde-la á altura.   

—Minha relação com a minha tutelada não seria dá sua conta, mas durante esses meses ficamos próximos um do outro, pois somos uma família, e sendo seu único parente vivo, tenho não só á responsabilidade como o dever de protegê-la e principalmente ter uma excelente convivência.—Confessou olhando para mim. 

A gestora Aguilar se manteve quieta com a resposta atravessada do senhor Pietro. Seguimos em frente em silencio e passamos pelo jardim. De imediato lembrei da primeira vez que em meio há chuva conheci o homem que despertou o amor em mim. Nós olhamos intensamente, pois, sabia que ele também havia se recordado de quando me encontrou em meio ao sofrimento meses antes. 

(Proibida Pra Mim)Onde histórias criam vida. Descubra agora